A diretoria do Porto Itapoá iniciou em abril de 2026 os debates para a quinta fase de ampliação do seu complexo em Santa Catarina, logo após registrar a movimentação de 1,5 milhão de TEUs no ano anterior. Simultaneamente, a cooperativa Coamo confirmou um aporte de R$ 3 bilhões para construir um novo Terminal de Uso Privado (TUP) na mesma cidade, com obras previstas para 2027. Esses dois movimentos transformam a Baía da Babitonga no principal polo de absorção tecnológica e aumento de capacidade operacional do Sul do país, e atendem diretamente à pressão do agronegócio e do varejo por maior eficiência no escoamento de cargas.
O salto operacional nos contêineres
O diretor Comercial e de Experiência do Porto Itapoá, Felipe Kauffman, apresentou na Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) os números que justificam a nova rodada de expansão. Após injetar R$ 500 milhões na quarta fase para compra de equipamentos, ampliação de cais e dragagem, o terminal alcançou um crescimento de 25% em 2025 frente a 2024. A infraestrutura recebe agora navios de até 366 metros, capazes de carregar 14 mil TEUs.
A estratégia da administração concentra-se na extensão da área de pátio e na automação de processos. Terminais que lidam com esse volume de contêineres exigem softwares de gestão e integração de maquinário em tempo real. Empresas como a T2S atuam na modernização operacional brasileira, aplicando sistemas que traduzem o acréscimo físico de píer e pátio em velocidade de embarque e desembarque. Esse modelo produtivo explica por que a alta produtividade do setor portuário puxa o crescimento econômico catarinense.
Agronegócio e engenharia ambiental
A poucos quilômetros do complexo de contêineres, o novo projeto da Coamo introduz uma matriz tecnológica diferente, projetada para o granel. O TUP ocupará 43 hectares e demandará R$ 3 bilhões em investimentos até o início das operações, agendado para 2030. O planejamento abrange quatro áreas específicas para movimentar grãos, fertilizantes, líquidos e GLP, com capacidade total para processar 10,9 milhões de toneladas anuais. Desse montante, 7 milhões correspondem exclusivamente a grãos e farelos.
A engenharia do projeto ataca o histórico problema de poluição do ar e da água causado pela movimentação de granéis. A cooperativa instalará correias transportadoras enclausuradas. Esse equipamento bloqueia a dispersão de poeira e impede o derramamento de produtos no mar durante o trajeto até os três berços de atracação, que comportarão navios New Panamax. A medida mostra como os recentes investimentos privados buscam eliminar gargalos logísticos nos portos brasileiros aliando alta capacidade e controle ambiental.
O sucesso da vazão de toda essa carga depende da infraestrutura terrestre. O acesso ao oitavo porto de Santa Catarina ocorrerá pela Estrada Municipal José Alves e exigirá a duplicação da SC-416 até a BR-101. Sem essa adequação viária prévia, a engenharia aplicada dentro do porto perde sua eficácia na porta do terminal e trava os caminhões antes mesmo da descarga.
O futuro logístico catarinense
Os investimentos simultâneos do Porto Itapoá e da Coamo somam bilhões em infraestrutura física e inteligência aplicada. A transição de processos manuais e abertos para sistemas fechados e pátios automatizados corta custos operacionais e eleva a atratividade da costa catarinense para armadores internacionais.
O Brasil mantém gargalos estruturais graves nas rodovias de acesso e lentidão nos processos de licenciamento governamentais, falhas repetidas há décadas. No entanto, os aportes em Itapoá provam que a iniciativa privada encontra caminhos para elevar a capacidade operacional do país. Modernizamos nossos complexos marítimos a cada ano e garantimos o avanço logístico nacional, superando as limitações do poder público com projetos internos de alta eficiência e engenharia de ponta.