Crescimento Econômico e a Força dos Portos
Em 2025, a atividade econômica de Santa Catarina registrou um crescimento robusto de 4,9% até novembro, um índice que supera em mais do que o dobro a média brasileira de 2,4% no mesmo período, segundo dados do Banco Central (BC). Este desempenho notável, em um cenário de desaceleração geral, tem como principal motor a eficiência e a competitividade de seu complexo portuário, que serve como espinha dorsal para os setores de serviços e agronegócio, os grandes responsáveis pelo resultado positivo do estado.
Portonave A Vanguarda da Produtividade Nacional
No centro desta engrenagem logística está a Portonave, localizada em Navegantes. Pelo segundo ano consecutivo, o terminal se consagrou como o mais produtivo do Brasil. De acordo com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), a empresa atingiu uma produtividade de 114 Movimentos por Hora (MPH) por navio, movimentando um total de 1.108.029 TEUs ao longo do ano. Este indicador de eficiência é crucial, pois representa agilidade nas operações de carga e descarga, redução de custos para os exportadores e importadores, e maior atratividade para as grandes linhas de navegação.
A liderança da Portonave reflete diretamente na economia catarinense. Na pauta de exportação, produtos chave como carne congelada e madeira encontraram na China seu principal mercado. Já na importação, destacam-se maquinários, têxteis e plásticos, também com a China como principal origem, evidenciando o papel vital do terminal na cadeia de suprimentos de diversas indústrias locais.
Investimentos Bilionários para o Futuro
Para manter e ampliar essa competitividade, a Portonave está executando um audacioso plano de investimentos de R$ 2 bilhões. O projeto foca na modernização e reforço do cais, o que permitirá ao terminal receber navios de até 400 metros de comprimento. Com a obra, a capacidade de movimentação saltará de 1,5 milhão para 2 milhões de TEUs anuais. A aquisição de novos e mais modernos guindastes, prevista para o segundo semestre deste ano, complementa os esforços para otimizar ainda mais as operações.
Além do ganho operacional, o investimento contempla a sustentabilidade. Após a conclusão da modernização do cais, prevista para 2026, será possível instalar o sistema de shore power, que permite o fornecimento de energia elétrica da terra para os navios atracados. Essa tecnologia reduz a emissão de gases poluentes e o ruído dos motores das embarcações, alinhando o terminal às mais avançadas práticas ESG do setor marítimo global.
Infraestrutura que Garante a Competitividade
A eficiência de um terminal, no entanto, depende diretamente da infraestrutura de acesso aquaviário. Ciente disso, a Autoridade Portuária Federal (CODEBA) lançou o pregão eletrônico para a contratação da dragagem de manutenção do canal de acesso ao Porto de Itajaí. Conforme explica o presidente da CODEBA, Antonio Gobbo, a ação é fundamental para garantir as profundidades de projeto e a segurança da navegação, evitando que o assoreamento do Rio Itajaí-Açu restrinja o calado dos navios.
O superintendente do Porto de Itajaí, João Paulo Tavares, reforça que a dragagem é a missão mais importante da autoridade portuária, beneficiando não apenas o porto público, mas todo o complexo na foz do rio, que inclui cinco terminais privados como a Portonave. A manutenção contínua do canal é o que assegura a fluidez das operações e a competitividade de toda a região.
Conclusão Uma Sinergia que Gera Resultados
O caso de Santa Catarina demonstra de forma clara como a sinergia entre terminais privados eficientes e investimentos públicos em infraestrutura portuária pode impulsionar a economia de um estado. A liderança em produtividade da Portonave, somada a projetos estratégicos como a dragagem do canal de acesso, cria um ambiente logístico de alta performance. É essa base sólida que permite ao agronegócio e ao setor de serviços catarinenses prosperarem, sustentando um crescimento econômico que se destaca no cenário nacional e aponta o caminho para o futuro do setor portuário brasileiro.