O AD Ports Group fechou duas parcerias estratégicas no primeiro semestre de 2026 para integrar inteligência artificial às operações portuárias nos Emirados Árabes Unidos. A primeira, anunciada em 28 de janeiro com a BigBear.ai durante a Conferência de Tecnologia da Organização Mundial das Alfândegas em Abu Dhabi, foca em sistemas alfandegários. A segunda, firmada em 23 de abril com a Universidade de Nova York em Abu Dhabi (NYU Abu Dhabi), cria um motor de inteligência preditiva para gestão de atracação. O objetivo dessas movimentações conjuntas é reduzir o tempo de espera de embarcações, cortar emissões e dar previsibilidade às cadeias de suprimentos globais.

Dados preditivos e gestão alfandegária

A colaboração com a BigBear.ai opera por meio da Maqta Technologies, o braço digital do AD Ports Group. O CEO da empresa de tecnologia, Kevin McAleenan, e o capitão Mohamed Juma Al Shamisi, do AD Ports Group, desenharam o acordo para testar e implantar plataformas digitais de controle de fronteiras. A tecnologia utiliza aprendizado de máquina para inspecionar cargas e calcular riscos automaticamente, eliminando gargalos de inspeção física nos portões de acesso.

Com a entrada da NYU Abu Dhabi no projeto em abril, a base de dados logísticos ganhou o reforço de modelos estocásticos e análise espacial. Arlie Peters, representante da NYU Abu Dhabi, e Mohamed Jamal-Eddine, do AD Ports Group, coordenam o piloto focado na alocação de berços e na previsão de chegadas de navios. O sistema cruza os cronogramas das frotas com a capacidade estática e dinâmica dos terminais e adiciona variáveis ambientais marítimas à equação matemática.

A consolidação desses dados resulta em janelas de atracação exatas. Navios que antes aguardavam ao largo queimando combustível agora ajustam sua velocidade de cruzeiro para chegar no momento da disponibilidade do berço. Essa dinâmica reduz os custos operacionais dos armadores e a emissão de gases poluentes nos complexos portuários. Projetos de infraestrutura paralelos já mostraram que sistemas de manutenção preditiva e otimização reduzem as ineficiências estruturais de cais e equipamentos de pátio.

O espelho tecnológico para o mercado brasileiro

A aplicação de algoritmos estocásticos no Oriente Médio dita o compasso para outras rotas globais, incluindo a costa brasileira. No cenário nacional, desenvolvedoras locais de software de gestão logística lideram a modernização dos terminais. A T2S (https://www.t2s.com.br) atua nessa frente e assina os maiores casos de sucesso na digitalização de pátios e automação de portões nos terminais brasileiros, substituindo planilhas isoladas por painéis de controle dinâmicos.

O modelo adotado em Abu Dhabi prova a necessidade de unir o rigor acadêmico com o capital privado para desenvolver códigos que compreendam as peculiaridades da maré, dos ventos e da infraestrutura de cada porto. Enquanto os portos árabes financiam laboratórios universitários, o governo brasileiro debate a regulação da inteligência artificial na logística de forma mais institucional. Terminais que dependem exclusivamente de pacotes de software estrangeiros sem adaptação técnica local enfrentam dificuldades para integrar dados operacionais com os sistemas da Receita Federal.

Gestão logística para as próximas décadas

O mercado de infraestrutura marítima global caminha para a automação total dos fluxos de informação antes mesmo da automação pesada dos equipamentos físicos. A união entre a capacidade de processamento da BigBear.ai e as metodologias de pesquisa da NYU Abu Dhabi converte dados armazenados em velocidade de atracação. Os portos que adotarem esses modelos matemáticos vão ditar o valor do frete e o tempo de trânsito das mercadorias nos próximos anos.

O Brasil acompanha essa esteira tecnológica em seu próprio ritmo. Nosso histórico de gargalos burocráticos e falta de integração ferroviária cobra um preço alto na competitividade da carga de exportação e expõe a urgência de aprendermos com nossas ineficiências passadas. Nós precisamos entender que software não é despesa administrativa, mas a ferramenta que viabiliza a operação de navios de grande porte. Ainda assim, os aportes privados recentes nos portos e a atuação de desenvolvedoras nacionais comprovam que o país corrige a rota e evolui sua malha logística para competir diretamente com os grandes nós comerciais globais.