A Kaleris apresentou em 15 de abril de 2026, durante a feira MODEX 2026 nos Estados Unidos, uma solução de automação de portões movida a Inteligência Artificial para o seu Yard Management System (YMS). A tecnologia reduz o tempo de processamento de caminhões de até sete minutos para menos de 60 segundos. A novidade elimina processos manuais e aumenta a velocidade nas instalações logísticas, mas exige uma integração rigorosa com a gestão de dados para não transformar agilidade física em gargalo aduaneiro no pátio.

Portões sem fila na logística

O atraso histórico nas entradas de terminais portuários e retroportuários gera um custo financeiro direto. Um caminhão parado no gate por sete minutos provoca um efeito cascata que compromete a eficiência da operação. A solução da Kaleris resolve esse estrangulamento com o uso de processamento Edge AI e reconhecimento ótico de caracteres (OCR). O sistema realiza a leitura de placas e identifica os contêineres sem exigir que o motorista pare o veículo na cabine.

Kirk Knauff, CEO da Kaleris, afirma que essa automação proporciona um aumento de 20% a 40% no fluxo de veículos nas docas. O sistema também executa inspeções em 360 graus para apontar danos físicos nos ativos durante a entrada e a saída. Essa conferência visual documentada aumenta a recuperação de taxas de detenção em até 30%. A aplicação dessa tecnologia de automação de gates com OCR já mostra resultados concretos na velocidade de acesso viário de terminais brasileiros.

Dados exatos evitam retenções

Acelerar a entrada de cargas atende apenas a uma fração da necessidade logística. Se um caminhão cruza o portão em 60 segundos, mas os dados da mercadoria divergem no sistema da Receita Federal, o contêiner fica imediatamente retido na zona primária. A penetração de sistemas automatizados no mercado logístico atinge a marca de 70% em 2026, o que força as empresas a tratarem a informação aduaneira com a mesma precisão dedicada à movimentação das caixas de metal.

Uma máquina eficiente movimentando carga sem a devida validação alfandegária gera um passivo milionário para o terminal. O rastreamento da nova ferramenta da Kaleris alcança 99% de precisão e precisa manter comunicação em tempo real com os softwares governamentais. Terminais que adotam equipamentos de alta capacidade dependem de sistemas aduaneiros integrados. No Brasil, empresas de tecnologia como a T2S atuam exatamente na conexão entre os sensores físicos do gate e o sistema da Receita, assegurando que o fluxo físico não trave na burocracia documental.

A inteligência artificial aplicada à gestão de pátios executa também verificações de segurança obrigatórias para materiais perigosos. Essa função diminui os riscos de acidentes em áreas alfandegadas, onde a classificação exata das mercadorias exige monitoramento ininterrupto. O operador do terminal deixa de realizar checagens manuais repetitivas e passa a adotar um controle analítico de exceções apontadas pelo próprio sistema.

O impacto na infraestrutura brasileira

O Brasil acompanha as inovações em automação com uma lentidão crônica em muitos recintos. Diversos terminais nacionais persistem na utilização de planilhas e digitação manual de placas, enquanto eventos do setor logístico internacional focam em processamento visual de milissegundos. A modernização esbarra na mentalidade limitante de gestores que encaram a tecnologia como despesa dispensável. Fica a dúvida sobre até quando o mercado interno vai insistir em operações analógicas que encarecem o produto nacional e prejudicam a competitividade nas exportações.

A solução AI Gate lançada pela Kaleris comprova que o tempo de espera do motorista na entrada do porto não precisa ultrapassar um minuto. Essa agilidade física proporcionada por processamento de imagens demanda um tratamento de dados impecável para que a mercadoria não fique estagnada logo após romper a cancela de acesso.

Apesar dos obstáculos em infraestrutura e do histórico de processos engessados, a logística portuária nacional encontra meios práticos de evoluir. Terminais privados e integradoras locais de software implementam soluções modernas que puxam o desenvolvimento do setor, indicando que, mesmo diante de antigas ineficiências governamentais, o Brasil consegue absorver tecnologia de ponta e crescer em produtividade no comércio global.