No dia 11 de março de 2026, a Portos do Paraná reuniu a comunidade portuária no Palácio Taguaré para apresentar seu Plano de Descarbonização. A meta é atingir a neutralidade de emissões de gases de efeito estufa até 2050, em conformidade com as exigências da Organização Marítima Internacional (IMO). A elaboração do documento foi conduzida pela instituição espanhola Fundación Valenciaport e estabelece diretrizes técnicas para mitigar a poluição gerada pelas operações marítimas e terrestres.

O peso do Escopo 3 no inventário

Para desenhar a intervenção técnica, os projetistas partiram dos dados de 2023, compilados no inventário concluído no primeiro semestre de 2025. O complexo registrou 678 mil toneladas de CO2 equivalente. O número que guia a análise é a concentração das emissões: o chamado Escopo 3 domina com 97,1% do total, e dentro dessa fatia, 89,2% vêm exclusivamente dos motores dos navios atracados ou manobrando no canal. As emissões diretas da administração pública, categorizadas como Escopo 1 e 2, somam menos de 3%.

Isso indica que a autarquia detém pouco controle primário sobre o volume principal de fumaça gerada no complexo. A mudança viável é a implantação do cold ironing, a eletrificação do cais que fornece energia da rede terrestre para que as embarcações desliguem os motores auxiliares movidos a combustível fóssil. Esse desenho de engenharia avança em outras regiões geográficas do país, pois projetos similares com a Fundación Valenciaport também ganharam cronogramas no Ceará e em Santos.

Atores privados puxam a transição

O documento demanda a participação financeira dos arrendatários privados. Durante a apresentação, a Catallini Terminais detalhou seu próprio inventário, mantido sob supervisão de Gabriella Leal desde 2021, enquanto a Cotriguaçu consolidou seus números pela gestão da analista Simone Czarnobai. A alteração da matriz de transporte interno começou na prática com os caminhões movidos a GNV testados pelo Grupo Borelli e o maquinário elétrico operacionalizado pela Linck Máquinas.

Josep Sanz, diretor de Transição Energética da Fundación Valenciaport, explicou aos operadores que a substituição progressiva dessa frota rodoviária é a segunda alavanca operacional do plano. A estratégia tenta equiparar o terminal paranaense aos portos europeus. O memorando mantido desde 2023 com o Porto de Rotterdam, via Green Ports Partnership, serve como base de conhecimento técnico. Observamos de perto que avanços em Roterdã ajudam a moldar a adoção de matrizes limpas por aqui.

Pilares da descarbonização paranaense

O gerente de Meio Ambiente, Thales Trevisan, e o diretor João Paulo Santana coordenam a execução técnica. A rotina foca em aprimorar a coleta de dados de consumo de combustível junto às agências marítimas e iniciar as obras físicas para suportar a carga elétrica extra. Para efeito comparativo com as operações internacionais, o plano está ancorado nos seguintes pontos de controle.

Pilar EstratégicoAção Prática
Inventário ContínuoAuditorias anuais com segregação de Escopo 1, 2 e 3 e mapeamento por embarcação.
Metas de Curto PrazoSubstituição de veículos operacionais a diesel por equipamentos elétricos ou a gás natural.
Tecnologias de MitigaçãoEstudos de engenharia para fornecimento de energia elétrica (cold ironing) nos berços de atracação.

As dificuldades na execução de obras complexas no Brasil, como os entraves em dragagens e ferrovias, pesam contra a agilidade desse processo. A transição elétrica esbarra no custo elevado do megawatt-hora local e nas negociações para padronizar as conexões dos navios internacionais. O porto tem o papel de convencer os armadores a adaptar suas frotas físicas para atracar no Paraná utilizando energia de terra.

A certificação EcoPorts retida pela administração pública prova que as metodologias de gestão estão amadurecendo internamente. Mesmo lidando com a alta burocracia e custos operacionais expressivos, a nossa estrutura logística consegue evoluir e incorporar padrões ambientais que o mercado exterior exige. O cronograma continua nos próximos meses com a equipe de Vader Zuliane Braga monitorando os novos indicadores da frota, transferindo o planejamento do papel para a operação diária nas balanças e pátios.