A Autoridade Portuária V.O. Chidambaranar (VoCPA) e a fabricante ABB assinaram um Memorando de Entendimento durante a Singapore Maritime Week para desenvolver infraestrutura de energia de terra aos navios atracados. O sistema shore-to-ship fornecerá eletricidade da rede costeira, permitindo que as embarcações desliguem seus geradores a diesel nos berços do porto indiano. A medida corta as emissões de gases de efeito estufa e altera a matriz energética das operações locais de atracação.

Operações de berço sob nova matriz

O documento foi oficializado por Susanta Kumar Purohit, presidente da VoCPA, e Mahesh Krishnappa, vice-presidente sênior da ABB em Singapura, com o aval de Vijay Kumar, secretário do Ministério de Portos e Transporte Marítimo da Índia. A tecnologia aplicada atua no período de estadia da embarcação, quando sistemas de refrigeração, iluminação e navegação mantêm o consumo energético ativo.

A migração para energia elétrica demanda conversores de frequência e adequação das tensões entre a rede terrestre e o navio. A ABB fornecerá a arquitetura de conexão para padronizar os processos no VoCPA, exigindo que os armadores adaptem suas frotas caso desejem operar no terminal. O conceito de cold ironing reduz as despesas com queima de combustível a bordo e enquadra o porto em normas globais de controle ambiental.

Efeitos na cadeia de suprimentos

Terminais equipados com conectores elétricos ganham preferência de empresas submetidas às regras da Organização Marítima Internacional (IMO). A falta de tomadas de grande capacidade nos cais se tornará um passivo financeiro para navios que operam em rotas com taxação sobre a emissão de carbono.

A transição global impulsiona modificações na infraestrutura doméstica. Projetos para aplicar eletricidade em operações de apoio demonstram como portos brasileiros aceleram a transição energética para mitigar atrasos de investimento. O funcionamento do shore-to-ship exige modernizar subestações elétricas, muitas vezes estranguladas pelo consumo urbano e industrial vizinho aos complexos marítimos.

A padronização dos conectores reduz os custos de instalação a médio prazo. Equipamentos modulares elaborados por fabricantes internacionais complementam os avanços observados em terminais de Roterdã e do Brasil, facilitando a importação de tecnologias testadas e calibradas para grandes cargas elétricas.

Conclusão e perspectivas

O investimento da VoCPA em parceria com a ABB reestrutura o tempo de atracação e impõe exigências de engenharia naval para armadores asiáticos. O fornecimento elétrico de terra aos berços elimina toneladas de carbono emitidas anualmente e reduz o custo contábil do consumo de diesel a bordo.

A infraestrutura portuária esbarra historicamente em entraves regulatórios e lentidão de obras, mas as exigências de mercado forçam a incorporação ágil destas inovações técnicas. Mesmo com deficiências persistentes nas instalações logísticas, o segmento segue em evolução e expansão, forçando portos em desenvolvimento a investir pesadamente para manterem suas conexões com as principais rotas comerciais do planeta.