O Porto de Paranaguá embarcou 819 mil toneladas de carne de frango congelada no primeiro trimestre de 2026, um crescimento de 15,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os dados divulgados no dia 22 de abril pelo Comex Stat e pela Portos do Paraná confirmam a instalação paranaense como o maior corredor de exportação do produto no mundo, respondendo por 47,8% do volume nacional. Esse avanço produtivo está diretamente atrelado à adequação das operações de cais a práticas de sustentabilidade e resiliência estrutural.

Infraestrutura térmica e alcance global

A capacidade do terminal paranaense de absorver o aumento da demanda internacional passa diretamente pela infraestrutura de frio. O Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) opera hoje com 5.268 tomadas para contêineres refrigerados (reefers), a maior área do tipo na América do Sul. Apenas entre janeiro e março, a instalação movimentou 2,5 milhões de toneladas de cargas conteinerizadas, das quais 42% exigiam controle contínuo de temperatura.

As exportações paranaenses encontram destino firme na China, África do Sul, Japão e Emirados Árabes Unidos. O diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, atribui o desempenho à previsibilidade logística que o porto entrega aos embarcadores. Além da avicultura, a carne bovina também ganhou tração, ultrapassando a marca de 25% de todas as exportações brasileiras do setor escoadas pelo porto no mesmo trimestre. A alta produtividade e segurança garantem a hegemonia do Porto de Paranaguá, que atrai as tradings do agronegócio de forma contínua.

Sustentabilidade e eficiência operacional

Analisando esses números sob a ótica da engenharia portuária, percebemos que volume e sustentabilidade deixaram de ser conceitos excludentes. O aumento da carga operada exige metodologias de mitigação de impacto ambiental e otimização do uso de energia. O canal Tecnologia Portuária tem documentado como a implementação de softwares de gestão de pátio e sistemas de monitoramento de emissões ajuda a calibrar a operação. Reduzir o tempo de espera de caminhões no gate e otimizar a movimentação dos guindastes elétricos diminui a pegada de carbono por TEU movimentado.

O porto paranaense também é o único terminal do Sul do Brasil que conta com um ramal ferroviário direto. O trem retira milhares de caminhões da BR-277 por mês. O uso do modal sobre trilhos confere resiliência à cadeia de suprimentos, garantindo que o frango congelado chegue ao navio mesmo sob condições rodoviárias adversas ou intempéries frequentes na Serra do Mar.

Gargalos estruturais e evolução do agronegócio

Esse desempenho nas exportações demonstra a força de produção brasileira, mas esbarra em velhos entraves conhecidos por quem atua na área. Da porta do cais para dentro, operamos com tecnologia de nível europeu ou asiático. Da porta para fora, o produtor de frango do interior do Paraná ou de Santa Catarina ainda sofre com vias mal conservadas e custos de frete voláteis. Os recordes nos portos contrastam com os gargalos no interior, criando uma pressão logística que encarece a operação e tira a margem de lucro do produtor primário.

Solucionar esse descompasso exige investimento imediato em malha viária e expansão da infraestrutura ferroviária fora da retroárea. As administrações portuárias cumprem sua função ao digitalizar processos de atracação e ampliar a capacidade de tomadas para reefers, porém a infraestrutura rodoviária de acessos intermunicipais e interestaduais ainda caminha com lentidão incompatível com os recordes do agronegócio.

Próximos passos da operação portuária

O balanço de 819 mil toneladas de frango exportadas pelo Paraná no primeiro trimestre de 2026 materializa a eficácia de alinhar expansão comercial com sustentabilidade operacional. Manter quase metade do mercado brasileiro desse setor exige manutenção constante das linhas ferroviárias internas e a contínua ampliação da oferta de energia para contêineres térmicos.

O que salta aos olhos é a nossa capacidade de bater recordes mundiais mesmo enfrentando falhas crônicas de infraestrutura no transporte rodoviário e ferroviário em âmbito nacional. O produtor, o operador logístico e a autoridade portuária sempre encontram saídas técnicas para problemas logísticos antigos. Se a gestão de transporte terrestre acompanhasse a velocidade de modernização dos portos organizados, o custo operacional brasileiro cairia drasticamente. Ainda assim, o setor portuário evolui a passos largos, o agronegócio continua injetando dinheiro na economia e o Brasil solidifica sua competência para alimentar o mercado global, contornando seus próprios obstáculos.