O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB) formalizaram no dia 15 de abril de 2026 em São Paulo um Protocolo de Intenções estratégico para alavancar a infraestrutura logística nacional. O acordo com vigência inicial de dois anos estabelece diretrizes para a atração de capital privado com foco na modernização e ampliação dos setores portuário, aeroportuário e hidroviário. A iniciativa visa mitigar gargalos históricos e reduzir os custos operacionais que afetam diretamente a competitividade do comércio exterior brasileiro.
Foco na atração de capital e novos leilões
A parceria recém-firmada prioriza o desenvolvimento de estudos técnicos detalhados e a estruturação de soluções inovadoras para financiamento, garantias e seguros no setor logístico. Como desdobramento prático o governo prevê uma intensa agenda de concessões para os próximos nove meses. Estão programados 15 leilões portuários e a conclusão dos certames de mais de vinte terminais aéreos, além do fortalecimento de programas setoriais como o AmpliAR e o Investe Mais Aeroportos.
O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, destacou a necessidade de sinergia entre o poder público e a iniciativa privada para o avanço dos modais. "Tudo o que desejamos é o nosso sistema de infraestrutura se conectando nos diversos modais. A ABDIB representa setores que podem nos ajudar a apontar caminhos", afirmou Franca. Entre os projetos de grande envergadura no radar dos investidores destacam-se o leilão do Tecon Santos 10 e os novos terminais portuários no Itaqui e em Vila do Conde no Pará.
Governança e digitalização portuária
Um dos eixos centrais do acordo é a elaboração de um diagnóstico profundo sobre a governança dos portos públicos brasileiros. A modernização da infraestrutura física requer um modelo de gestão eficiente capaz de responder às demandas ágeis do comércio internacional contemporâneo. O compartilhamento de informações técnicas entre o MPor e as mais de 100 empresas associadas à ABDIB fornecerá o embasamento necessário para otimizar os fluxos de carga e aprimorar a regulação.
Paralelamente às obras físicas a digitalização dos processos aduaneiros e de controle desponta como um pilar indispensável para a eficiência operacional. A adoção de ferramentas tecnológicas robustas garante a fluidez e a segurança nas operações de exportação e importação. O uso de plataformas integradas para o envio de dados aos órgãos reguladores, a exemplo do software Data Recintos, demonstra como a modernização sistêmica consegue eliminar redundâncias e acelerar o trânsito nos terminais alfandegados.
Perspectivas e parcerias estratégicas
O cenário para a infraestrutura nacional apresenta indicativos expressivos de expansão com estimativas de aportes que podem atingir a marca recorde de R$ 300 bilhões neste ano. O presidente da ABDIB, Venilton Tadini, ressaltou o momento favorável mas ponderou sobre os desafios remanescentes. "É um avanço significativo, mas, certamente, ainda temos um grande hiato na infraestrutura. Para nós é de extrema importância manter um relacionamento mais próximo", avaliou Tadini, reforçando o papel da entidade na busca por segurança jurídica e marcos regulatórios estáveis.
O peso do protocolo foi chancelado pela presença de executivos de destaque do setor durante a assinatura, evidenciando a força da parceria. Lideranças como o CEO da Acciona, André de Angelo, membro do Conselho de Administração da ABDIB, e o presidente da Santos Brasil, Antônio Carlos Sepúlveda, que atua como coordenador do Comitê de Portos da entidade, participaram do encontro, sinalizando o engajamento direto dos maiores players globais e nacionais no novo ciclo de investimentos.
O caminho para a competitividade
O compromisso firmado entre o MPor e a ABDIB representa um marco decisivo no planejamento logístico de longo prazo. Ao aliar o destravamento de concessões à melhoria contínua da governança e à adoção de tecnologias de ponta o Brasil pavimenta uma rota clara para transformar seus ativos logísticos. A atração de novos atores internacionais dependerá diretamente da execução célere das metas estabelecidas neste documento.
Mesmo diante de deficiências estruturais que há décadas limitam o escoamento da nossa produção as iniciativas consistentes de parceria público-privada mostram que estamos em pleno processo de maturação. A cadeia logística brasileira vem superando entraves sistêmicos e evidencia que o país continua crescendo e evoluindo, consolidando sua vocação natural para se estabelecer como um hub de transporte ágil, tecnológico e altamente competitivo no mercado global.