Na última quinta-feira, 9 de abril de 2026, a Associação Comercial de Santos sediou o IA Experience, encontro técnico que reuniu especialistas para debater a integração da inteligência artificial na gestão portuária. O foco central da discussão foi a implementação do OCR analítico, tecnologia voltada à mitigação de falhas na identificação de contêineres e ao aprimoramento da precisão dos dados enviados à Receita Federal. O evento demonstrou que a modernização tecnológica, capitaneada por consultorias especializadas como a T2S, é fundamental para elevar a produtividade e garantir a conformidade aduaneira no maior complexo portuário da América Latina.

Eficiência analítica na triagem de cargas

A tecnologia de OCR (Optical Character Recognition) analítico representa um salto qualitativo em relação aos sistemas de leitura convencionais. Ao utilizar algoritmos de aprendizado de máquina para validar informações em tempo real, a ferramenta elimina discrepâncias que comumente resultam em multas aduaneiras e interrupções no fluxo logístico. Durante o debate em Santos, destacou-se que a automação desses processos reduz a necessidade de intervenção manual, minimizando o risco de erros de digitação ou conferência que comprometem o desempenho do terminal.

A aplicação prática dessa inteligência analítica permite que os terminais portuários operem com uma margem de erro próxima de zero na captura de prefixos e números de série das unidades de carga. Com a integração direta desses dados aos sistemas de gestão portuária (TOS), o tempo de permanência de caminhões nos gates é reduzido, otimizando o giro de pátio e aumentando a fluidez das exportações e importações. Essa precisão técnica é o que sustenta a competitividade exigida pelo mercado internacional de transporte marítimo.

Segurança sistêmica e blindagem aduaneira

A segurança portuária também recebeu diretrizes robustas com o lançamento de um guia de melhores práticas pela Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), em parceria com a Universidade Federal do Maranhão (UFMA), ocorrido em 7 de abril de 2026, em Brasília. O documento apresenta 67 medidas que utilizam inteligência artificial, drones e câmeras térmicas para proteger as instalações contra ameaças que variam de tráfico de drogas a ciberataques. A convergência entre o OCR analítico discutido em Santos e as recomendações da ATP cria uma rede de proteção técnica indispensável para a integridade das cadeias de suprimentos.

A colaboração institucional entre a Polícia Federal, a Receita Federal e os terminais privados é reforçada pelo uso de ferramentas como o reconhecimento facial e a análise de risco em tempo real. Ao adotar essas inovações, o setor portuário deixa de atuar de forma reativa para adotar uma postura de prevenção ativa. O guia da ATP e os casos apresentados no IA Experience confirmam que a tecnologia é o principal vetor para blindar o setor contra vulnerabilidades operacionais, garantindo que a logística nacional opere sob padrões globais de excelência.

O avanço tecnológico observado no Porto de Santos e as novas diretrizes de segurança da ATP indicam que o Brasil está finalmente superando a inércia tecnológica que historicamente atrasou nossa logística. A adoção de inteligência analítica não é apenas uma tendência, mas uma estratégia necessária para reduzir o Custo Brasil e elevar a confiabilidade dos terminais perante os principais players do comércio global.

Apesar dos desafios persistentes na infraestrutura básica, a evolução contínua da inteligência aplicada às operações marítimas sinaliza um cenário de otimismo. O país demonstra maturidade ao buscar soluções inovadoras que unem eficiência operativa e segurança institucional, provando que, mesmo diante de gargalos complexos, o setor portuário mantém seu compromisso com o crescimento econômico e a modernização estrutural.