Em março de 2026, o cenário logístico brasileiro apresenta marcos significativos com o crescimento de 10% na movimentação de soja pela VLI no Corredor Norte e o início das operações de granéis vegetais no terminal ATU 18, no Porto de Aratu-Candeias. Estas movimentações, lideradas pela VLI e pela CS Portos, reforçam a integração entre o modal ferroviário de alta capacidade e terminais portuários modernizados para atender à crescente demanda do agronegócio nas regiões do Matopiba e no oeste baiano, estabelecendo novos padrões de escoamento para o mercado internacional.
Alta performance nos trilhos do Norte
A VLI consolidou um aumento expressivo no volume de soja transportado em seu Corredor Norte ao longo de 2025, atingindo a marca de 9,0 bilhões de TKU (Toneladas por Quilômetro Útil). Este desempenho representa uma evolução de 67% desde 2020, evidenciando a maturidade do sistema que interliga os estados do Maranhão e Tocantins. Segundo Gabriel Fonseca, gerente geral comercial da VLI, a excelência operacional e o planejamento foram determinantes para que a infraestrutura suportasse a pressão da colheita concentrada no primeiro trimestre.
A eficiência desse corredor é potencializada pelo modelo operacional tricotrol, que utiliza composições de até 240 vagões tracionadas por três locomotivas, transportando 30 mil toneladas em uma única viagem. Além do ganho de escala, essa tecnologia reduz as emissões de CO2 em 12% comparado aos modelos convencionais. Para o setor, essa capacidade massiva de transporte ferroviário é o vetor que garante previsibilidade aos exportadores durante os períodos de maior disputa por janelas logísticas, aliviando a dependência do modal rodoviário de longa distância.
Modernização portuária em Aratu
Paralelamente, o Porto de Aratu-Candeias, na Bahia, iniciou uma nova fase operacional com o terminal ATU 18, após um investimento superior a R$ 400 milhões realizado pela CS Portos, do grupo Simpar. A operação inaugural movimentou 35 mil toneladas de sorgo oriundas do oeste baiano, marcando a transição de um terminal historicamente focado em petroquímicos e minerais para um complexo de múltiplo uso. Antonio Gobbo, presidente da Codeba, projeta que a automatização e a instalação de quatro novos silos elevarão a movimentação histórica da unidade em mais de 20%.
A infraestrutura atual conta com shiploaders de alta performance, capazes de embarcar duas mil toneladas por hora, o que se traduz em uma produtividade diária de 30 mil toneladas. Marcos Tourinho, diretor-presidente da CS Portos, destaca que a entrega dessa estrutura visa sanar gargalos históricos de armazenagem e escoamento na região. Com capacidade estática inicial de 120 mil toneladas, o terminal ATU 18 projeta movimentar até 3 milhões de toneladas de grãos ainda em 2026, com potencial de expansão para 7,5 milhões de toneladas anuais nos próximos ciclos.
Sinergia logística e redução de gargalos
A integração entre as ferrovias de alta capacidade e os terminais portuários especializados é a resposta técnica necessária para manter a competitividade do Brasil no mercado global de commodities. A modernização do ATU 18 e o fortalecimento do Corredor Norte da VLI criam uma rede de escoamento que minimiza perdas e otimiza o tempo de permanência dos navios nos portos. Essa engrenagem é fundamental para absorver a produção de milho, soja e farelo, que demandam logística de baixo custo e alta velocidade para garantir margens operacionais positivas.
O avanço tecnológico observado nessas operações demonstra que o investimento em automação e infraestrutura de retroárea é o caminho para a desburocratização dos fluxos físicos. A transição de um modelo de exportação fragmentado para um sistema de grandes lotes ferroviários e terminais automatizados eleva o nível de serviço prestado ao produtor rural. Esse movimento estratégico assegura que o Brasil não apenas produza em larga escala, mas também consiga entregar seus produtos com a confiabilidade exigida pelos compradores internacionais.
A evolução desses corredores logísticos evidencia que, apesar dos obstáculos estruturais históricos e da complexidade burocrática do país, o setor de infraestrutura portuária e ferroviária segue em uma trajetória de crescimento resiliente. Os investimentos privados e as concessões bem geridas estão transformando o potencial produtivo em realidade econômica, provando que a inovação é o motor que impulsiona o desenvolvimento brasileiro mesmo diante das adversidades do mercado global.