Em fevereiro de 2026, as exportações brasileiras de café registraram uma retração de 23,5% em volume, totalizando 2,618 milhões de sacas, com o Porto de Santos concentrando 77,9% desses embarques. Esse cenário, impulsionado pela valorização do real e pela queda nas cotações na Bolsa de Nova York, força operadores logísticos a intensificarem aportes em tecnologias de monitoramento, como o Data Recintos, para mitigar perdas de margem e elevar a precisão nos terminais alfandegados.

Volatilidade cambial e o cenário externo

O relatório mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil, o Cecafé, aponta que a receita cambial de fevereiro atingiu US$ 1,062 bilhão, o que representa um recuo de 14,7% em comparação ao mesmo período de 2025. Márcio Ferreira, presidente do Cecafé, associa essa baixa principalmente à variedade arábica, que enfrenta liquidação de posições por fundos de investimento estrangeiros e uma oferta doméstica retida devido ao câmbio desfavorável para o produtor brasileiro.

Apesar do Porto de Santos liderar as remessas com 4,217 milhões de sacas no primeiro bimestre, a perda de participação de mercado para outras origens produtoras é uma realidade monitorada com rigor. As tensões geopolíticas no Oriente Médio e os persistentes gargalos logísticos globais adicionam camadas de complexidade que exigem uma gestão de dados cada vez mais cirúrgica para evitar custos extraordinários de armazenagem e sobre-estadias.

Investimento em software como estratégia de defesa

Diante desse ambiente de retração momentânea, os operadores logísticos brasileiros demonstram uma postura defensiva estratégica. De acordo com dados da Associação Brasileira de Operadores Logísticos, a Abol, 68% das empresas do setor ampliaram seus investimentos recentemente. O foco principal recai sobre softwares de gestão, com 83% dos operadores direcionando capital para a transformação digital, buscando compensar a queda de volume com ganhos reais de eficiência operacional.

Neste contexto, soluções de monitoramento e integração de dados fiscais tornam-se indispensáveis. A implementação de ferramentas que automatizam o fluxo de informações para a Receita Federal, agilizando o desembaraço e garantindo a conformidade regulatória, permite que o terminal mantenha sua fluidez mesmo sob pressão econômica. O uso de sistemas de monitoramento em tempo real reduz o tempo de permanência da carga, um fator determinante para a competitividade do café brasileiro no exterior.

Perspectivas de safra e maturidade tecnológica

A expectativa de recuperação dos embarques está depositada na entrada da nova safra de arábica a partir de junho de 2026 e na colheita do café conilon em maio. Até que esse volume retorne ao sistema portuário, a modernização das instalações e a compra de novos equipamentos permanecem como prioridades para 78% e 69% dos operadores, respectivamente, conforme o levantamento da Abol realizado com empresas que faturam acima de R$ 600 milhões.

Conclui-se que a oscilação nas exportações de commodities evidencia a necessidade de uma infraestrutura portuária menos dependente apenas de volumes brutos e mais focada em inteligência logística. Mesmo enfrentando ciclos de baixa e desafios macroeconômicos persistentes, o setor portuário nacional demonstra maturidade ao converter momentos de crise em janelas para a evolução tecnológica, garantindo que o Brasil permaneça como o principal player global no setor cafeeiro quando a oferta se normalizar.