A Autoridade Portuária de Santos (APS) anunciou em março de 2026 a prorrogação por 120 dias dos descontos tarifários destinados a navios com baixas emissões de poluentes, visando mitigar riscos climáticos e acelerar a transição energética no setor. A medida beneficia embarcações com pontuação positiva no Índice Ambiental de Navios (ESI), da Organização Marítima Mundial (IMO), podendo reduzir em até 15% os custos de uso da infraestrutura aquaviária. Essa iniciativa se soma ao avanço tecnológico na frota de apoio, como exemplificado pela entrada em operação do Trapananda, o primeiro rebocador elétrico da América Latina operado pela Saam, evidenciando uma mudança estrutural e necessária na logística portuária regional.

Incentivos financeiros como motor da sustentabilidade

Desde 2023, a APS já concedeu mais de R$ 40,6 milhões em descontos tarifários, uma estratégia agressiva para atrair a chamada frota verde e posicionar o complexo santista na vanguarda do Acordo de Paris. Ao abrir mão dessa receita imediata, a autoridade portuária sinaliza ao mercado global que a eficiência ambiental será um critério determinante para a competitividade nos próximos anos. O setor marítimo, responsável por 3% das emissões globais de gases de efeito estufa, encontra nos portos o elo fundamental para a viabilização de operações mais limpas.

A aplicação desses descontos por tonelagem de porte bruto não apenas reduz o custo operacional para armadores engajados, mas também estimula a renovação da frota global que escala no Brasil. Paralelamente, a APS mantém políticas de incentivo à cabotagem, com reduções que podem chegar a 65% para navios com alta frequência de escalas em um período de 12 meses. Essa visão sistêmica integra a redução de emissões com o fortalecimento do transporte marítimo doméstico, criando um ambiente de negócios mais resiliente e alinhado às exigências internacionais de ESG.

Além dos ganhos financeiros, a medida incentiva a adoção de tecnologias de propulsão alternativa e combustíveis menos poluentes. A APS demonstra que a gestão portuária moderna deve atuar como facilitadora da descarbonização, utilizando alavancas tarifárias para moldar o perfil das embarcações que frequentam nossas águas. Este movimento é essencial para garantir que o Porto de Santos permaneça como o principal hub logístico da América Latina, atraindo navios de última geração que atendem aos rigorosos padrões ambientais europeus e asiáticos.

Eletrificação e infraestrutura de suporte

A descarbonização no Porto de Santos não se limita aos incentivos fiscais, abrangendo também a eletrificação direta do cais. Atualmente, a energia limpa gerada pela Usina Hidrelétrica de Itatinga já atende cerca de 20 rebocadores que operam no complexo. Este projeto pioneiro deve ser expandido com a repotencialização da usina, que está em fase de estudos para incluir a produção de hidrogênio verde, transformando a matriz energética portuária e permitindo que o porto atue como um provedor de energia renovável para diversos modais.

O cenário de inovação é reforçado pelos resultados da Saam, que em 2025 registrou lucro recorde de US$ 80,4 milhões, impulsionado por uma margem Ebitda de 35,6% no segmento de rebocadores. Sob a nova liderança do CEO Hernán Gómez, a companhia consolidou o uso do Trapananda, um marco para a eletrificação naval no continente operando em Puerto Chacabuco. A integração de tecnologias de sequenciamento logístico, desenvolvidas em parceria com o Parque de Inovação Tecnológica de São José dos Campos (PIT), complementa esse esforço ao reduzir o tempo de espera de caminhões e navios, eliminando desperdícios e emissões desnecessárias em solo santista.

Em conjunto com a Fundação Valenciaport, a APS trabalha na elaboração de um Plano de Descarbonização e um Plano Diretor Energético com entrega prevista para os próximos 22 meses. Estes estudos fornecerão as diretrizes técnicas para que todos os terminais e operadores ferroviários e rodoviários da Baixada Santista transitem para fontes de energia limpa. O sucesso dessas iniciativas demonstra que, apesar dos históricos gargalos infraestruturais, o Brasil avança com maturidade técnica e investimentos sólidos, consolidando um caminho de crescimento sustentável e evolução tecnológica contínua para o setor portuário.