A MSC Mediterranean Shipping Company e o Grupo CMA CGM iniciaram um movimento de reajuste tarifário e aplicação de sobretaxas em rotas globais estratégicas para o primeiro semestre de 2026. As medidas, que incluem a Sobretaxa de Combustível de Emergência (EFS) e a Sobretaxa de Temporada de Pico (PSS), respondem à volatilidade dos custos operacionais e à manutenção da demanda em mercados como Índia, Europa e África. Este cenário exige que exportadores e terminais intensifiquem o monitoramento de custos para preservar as margens de lucro em um ambiente de incerteza geopolítica.

Estratégia tarifária da MSC atinge rotas da Ásia e África

A MSC anunciou que a partir de 16 de março de 2026, novas tarifas de frete serão aplicadas entre o Subcontinente Indiano e a Europa. Cargas saindo de Nhava Sheva com destino a Antuérpia e Valência terão custos fixados entre US$ 2.150 e US$ 2.250 por contêiner. Adicionalmente, a empresa introduziu uma taxa de combustível de emergência de US$ 100 por TEU para unidades secas saindo do Norte da Europa, refletindo a instabilidade nos preços dos insumos energéticos em rotas que abrangem o Mar Vermelho e a Oceania.

Na rota para a África Austral, a transportadora implementará a Sobretaxa de Temporada de Pico em 2 de abril de 2026. Os valores variam de US$ 125 a US$ 250 por TEU, atingindo destinos na África do Sul, Namíbia e Moçambique. Segundo o comunicado oficial da companhia, a forte demanda de mercado justifica a cobrança para garantir a continuidade e a qualidade dos serviços prestados, evidenciando como a pressão sobre a capacidade disponível reflete diretamente na composição final dos preços logísticos.

Desempenho da CMA CGM e digitalização operacional

Enquanto a MSC ajusta suas taxas, a CMA CGM apresentou seus resultados consolidados de 2025, reportando uma receita de US$ 54,4 bilhões. Apesar de uma leve retração de 2% em relação ao ano anterior, o CEO Rodolphe Saadé destacou a resiliência do grupo frente às tensões geopolíticas. A empresa transportou 24,2 milhões de TEUs no período, demonstrando que, mesmo com a redução na receita média por contêiner, o volume movimentado continua em ascensão, exigindo maior eficiência em terra.

Para sustentar o crescimento em 2026, a gigante francesa investiu cerca de US$ 30 bilhões em embarcações movidas a GNL e metanol. No Brasil, a aquisição da Santos Brasil posiciona o grupo de forma estratégica na América Latina, integrando terminais à sua rede logística global. Esse movimento de expansão infraestrutural, aliado às novas taxas do setor, reforça a necessidade de ferramentas de gestão como o Data Recintos, que permite a terminais e recintos alfandegados o controle rigoroso dos fluxos e exigências fiscais de forma automatizada.

A integração tecnológica torna-se a única saída para absorver esses incrementos de custo sem perder competitividade. Sistemas que centralizam dados aduaneiros e operacionais facilitam a visualização de taxas aplicadas e otimizam a permanência da carga nos terminais. Com o aumento da complexidade tributária e operacional, a precisão na gestão de dados é o que diferencia os operadores que conseguem manter a rentabilidade em períodos de reajustes agressivos das grandes armadoras.

O cenário para 2026 aponta para uma logística marítima mais onerosa, mas tecnologicamente mais avançada. A imposição de sobretaxas pelas grandes armadoras não é apenas uma reação aos custos de combustível, mas uma ferramenta de equilíbrio em um mercado saturado por gargalos operacionais. Para o setor portuário, a transparência nos custos e a digitalização tornam-se diferenciais indispensáveis para mitigar os efeitos financeiros dessas tarifas adicionais.

No contexto brasileiro, observamos um fortalecimento da infraestrutura por meio de aquisições internacionais de relevância. Embora o país ainda lide com gargalos estruturais e burocracia complexa, a modernização dos terminais e a adoção de sistemas de gestão inovadores comprovam que o Brasil segue evoluindo e atraindo o interesse dos grandes players globais. Mesmo diante de novos custos, o amadurecimento do nosso comércio exterior sinaliza um caminho de crescimento sólido e sustentável.