A Kongsberg Maritime firmou uma aliança com Seadrill e Hanwha Drilling para desenvolver sistemas de posicionamento dinâmico remoto, ao mesmo tempo em que a Sistac iniciou operações de inspeção robótica submarina para a BW Energy no Espírito Santo em março de 2026. Essas iniciativas marcam um avanço na automação marítima, visando substituir métodos tradicionais por modelos operacionais centralizados que aumentam a segurança e a eficiência técnica em ambientes offshore de alta complexidade.
Centralização técnica e posicionamento remoto
Para compreender a profundidade dessa transformação, é necessário observar a aliança estratégica entre Kongsberg Maritime, Seadrill e Hanwha Drilling. O foco principal reside no desenvolvimento de bases técnicas e regulatórias para o Posicionamento Dinâmico (DP) remoto. Johnathan Dady, diretor de Inovação da Seadrill, enfatiza que essa tecnologia permite que as equipes embarcadas concentrem esforços na segurança e no desempenho da perfuração, enquanto sistemas inteligentes gerenciam a estabilidade da unidade.
Eivind Alling, vice-presidente da Kongsberg Maritime para as Américas, argumenta que o projeto não se limita à transferência de controle, mas propõe uma arquitetura operacional inteligente. Ao automatizar processos centralizados, as empresas buscam reduzir a variabilidade humana e aumentar a previsibilidade das operações. Scott McKaig, da Hanwha Drilling, projeta que essa colaboração estabelecerá a próxima geração de sistemas automatizados para serviços em águas profundas, otimizando custos e aumentando a resiliência operacional.
Execução prática e monitoramento robótico no Brasil
No cenário brasileiro, a aplicação dessas inovações ganha forma com o contrato entre a Sistac e a BW Energy para o FPSO Cidade de Vitória, na Bacia do Espírito Santo. Iniciadas em setembro de 2025, as atividades no campo de Golfinho utilizam o navio de apoio Sistac Esperança, equipado com Veículos Operados Remotamente (ROVs). O escopo abrange desde inspeções visuais detalhadas até medições de espessura de casco e reparos subaquáticos, eliminando a necessidade de docagens em estaleiros.
A escolha da embarcação Sistac Esperança é estratégica devido ao seu sistema de propulsão por hidrojato, que amplia a segurança nas operações de apoio. Sob a liderança do CEO Carlos Madaleno, a Sistac foca em atender aos requisitos técnicos da sociedade classificadora American Bureau of Shipping (ABS). Essa abordagem técnica demonstra como a integração de robótica e equipes especializadas garante a integridade estrutural de ativos críticos de exploração de petróleo sem interromper o fluxo produtivo.
A convergência entre o controle remoto de sistemas navais e a inspeção robótica submarina redefine o patamar de eficiência da indústria offshore global. A transição para processos automatizados e monitoramento contínuo por ROVs permite uma gestão de ativos muito mais precisa, reduzindo o tempo de inatividade e os riscos operacionais inerentes ao trabalho humano em profundidade.
A consolidação desses projetos em território brasileiro reforça o protagonismo do país no setor de óleo e gás, evidenciando que a infraestrutura nacional está apta a absorver e operar tecnologias de ponta. Mesmo diante de gargalos históricos no ambiente de negócios, o avanço técnico demonstrado em operações como as do campo de Golfinho sinaliza uma trajetória de crescimento sustentável e inovação constante para a logística portuária e marítima.