A Konecranes e a Rohlig SUUS Logistics apresentaram no início de 2026 resultados que consolidam a importância da eficiência operacional como motor de lucratividade e expansão de mercado. Enquanto a Konecranes alcançou uma margem EBITA histórica de 14% em 2025 sob a gestão do CEO Marko Tulokas, a Rohlig SUUS lançou uma nova linha de grupagem entre a Polônia e a Eslováquia para reduzir o tempo de trânsito para 24 horas. Esses movimentos evidenciam que a integração entre equipamentos de alta performance e redes de distribuição ágeis é o caminho para mitigar incertezas econômicas e atender setores exigentes como o automotivo e o eletrônico.

Engenharia de precisão e rentabilidade recorde

A performance da Konecranes em 2025 reflete uma execução estratégica impecável em suas três principais áreas de negócios: Serviço Industrial, Equipamento Industrial e Port Solutions. Com vendas líquidas de 4.187,8 milhões de euros, a empresa não apenas manteve seu volume, mas aumentou a entrada de pedidos em quase 10%, atingindo 4.389,3 milhões de euros. O destaque reside na área de Port Solutions, que viu sua entrada de pedidos saltar 21,2% em moedas comparáveis, impulsionada por um mix de produtos mais eficiente e lançamentos como a versão E-Hybrid do guindaste RTG.

Como professor e profissional da área, observo que a margem EBITA de 14% não é fruto do acaso, mas de uma gestão rigorosa de custos e precificação técnica. A transição para um portfólio totalmente elétrico até 2026 e a obtenção da classificação EcoVadis Platinum mostram que a sustentabilidade deixou de ser um custo para se tornar um diferencial competitivo mensurável. A Konecranes demonstra que a modernização de ativos portuários é um investimento direto na margem líquida das operadoras que utilizam esses equipamentos de última geração.

Expansão capilar e agilidade na Europa Central

Paralelamente ao avanço tecnológico nos terminais, a Rohlig SUUS Logistics fortalece o elo terrestre com a nova conexão diária entre Rzeszów, na Polônia, e Košice, na Eslováquia. Sob a liderança de Piotr Szałkiewicz e Gergely Fonod, a operadora otimiza o fluxo na região V4, conectando mercados estratégicos com um trânsito de apenas um dia útil. Essa agilidade é mandatória para indústrias de alto valor agregado, como a eletrônica e a automotiva, que demandam fluxos de grupagem constantes e previsíveis.

A infraestrutura de Rzeszów funciona como um hub multifuncional, integrando armazenagem, cross-docking e desembaraço aduaneiro em uma estrutura coesa. Ao conectar essa linha à sua rede doméstica polonesa, a Rohlig SUUS facilita o acesso aos principais portos marítimos do Báltico e mercados da Alemanha e Escandinávia. Para o gestor de logística, essa capilaridade reduz o tempo de ciclo total e permite que pequenas e médias cargas usufruam da mesma excelência logística aplicada a grandes lotes industriais.

A correlação entre o fornecedor de tecnologia e o prestador de serviços logísticos revela uma tendência de profissionalização extrema na cadeia de suprimentos global. O foco na redução de emissões e no aumento da produtividade por meio de ativos inteligentes e rotas otimizadas é o que separa as empresas resilientes daquelas vulneráveis às flutuações de mercado. O crescimento observado em 2025 serve de lição sobre a necessidade de investimento contínuo em processos e tecnologia de ponta.

Ao transpor essa realidade para o cenário brasileiro, percebemos que, apesar dos desafios estruturais e burocráticos históricos, há um movimento crescente de modernização em nossos terminais e operadores. Mesmo diante de gargalos persistentes, o setor logístico nacional demonstra uma capacidade de adaptação notável, evoluindo gradualmente para se integrar aos padrões globais de eficiência e sustentabilidade que agora ditam o sucesso no comércio internacional.