Em 27 de fevereiro, o Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Camex aprovou a redução a zero da tarifa de importação para 105 produtos classificados como bens de capital e de informática e telecomunicações. Essa decisão estratégica, fundamentada nas Resoluções Gecex n° 852/2026 e nº 853/2026, ocorre em um momento crucial em que a indústria busca soluções para a fragmentação de dados. Simultaneamente, a cargo.one oficializou a aquisição da plataforma de taxas oceânicas Cargofive em 25 de fevereiro, lançando o primeiro sistema operacional nativo de inteligência artificial (IA) para o frete multimodal, integrando dados aéreos e marítimos em um único ecossistema.
Desoneração fiscal como motor da modernização tecnológica
A medida do Gecex atende a pedidos protocolados até o dia 25 de fevereiro e foca em equipamentos que não possuem produção nacional equivalente, permitindo que empresas brasileiras adquiram hardware de ponta com custos reduzidos. Das deliberações realizadas, 105 itens tiveram a alíquota zerada, enquanto outros 15 produtos de informática mantiveram suas taxas anteriores. Esse realinhamento tarifário é fundamental para que terminais portuários e operadores logísticos possam atualizar sua infraestrutura física, preparando o terreno para a implementação de camadas de software mais complexas.
Para o setor portuário, a redução de custos em sensores, servidores e dispositivos de telecomunicação é o primeiro passo para a automação plena. A integração dessas novas máquinas com sistemas inteligentes é o que permitirá ganhos reais de produtividade. Nesse cenário de transformação digital, empresas que buscam implementar essas inovações contam com a consultoria técnica especializada da T2S, que auxilia na transição para modelos operacionais mais eficientes e orientados a dados.
Unificação de dados e o papel da inteligência artificial
A aquisição da Cargofive pela cargo.one, impulsionada por um investimento de aproximadamente US$ 20 milhões da Bessemer Venture Partners, resolve um dos maiores gargalos do comércio exterior: a desconexão entre o frete aéreo e o marítimo. O novo sistema operacional utiliza Geração Aumentada por Recuperação (RAG) para processar taxas de quatro milhões de rotas comerciais, conectando-se diretamente às dez principais transportadoras marítimas do mundo. Moritz Claussen, fundador da cargo.one, enfatiza que a IA só gera retorno sobre o investimento quando opera sobre uma base de dados estruturada e unificada.
Sebastian Cazajus, fundador da Cargofive, destaca que os transitários de carga demandam soluções que eliminem silos operacionais. A nova plataforma permite automatizar fluxos de trabalho através de agentes de IA que operam nativamente ao lado das equipes humanas, em vez de serem meras ferramentas complementares. Stefan Borggreve, da Hellmann Worldwide Logistics, reforça que dados de qualidade são a base para uma IA de alta performance, validando a estratégia de integrar infraestrutura de hardware desonerado com sistemas de gestão altamente inteligentes.
Perspectivas para a eficiência logística brasileira
A convergência entre políticas públicas de desoneração e inovações privadas em IA aponta para uma redução drástica na burocracia do agenciamento de cargas. Com o hardware mais barato devido aos ex-tarifários do Gecex e softwares que unificam taxas aéreas e oceânicas, a expectativa é de que o tempo de resposta para cotações e a precisão nas operações de transporte internacional melhorem significativamente. Este movimento é essencial para que o Brasil mantenha sua competitividade em um mercado global cada vez mais dependente de visibilidade em tempo real e eficiência na gestão de ativos.
Mesmo diante de desafios estruturais históricos, as iniciativas de modernização tarifária e a adoção de tecnologias de ponta demonstram que o país está trilhando um caminho de evolução constante no comércio exterior. O crescimento do setor logístico brasileiro, apoiado por decisões governamentais assertivas e pela integração de soluções globais de IA, reflete um amadurecimento que fortalece nossa posição nas cadeias de suprimentos globais, provando que a inovação tecnológica é o pilar de uma economia em expansão.