Normatização técnica impulsiona resultados no Sul

No início de 2025, o Porto de São Francisco do Sul consolidou sua posição como um dos principais hubs logísticos do país ao importar 2,75 milhões de toneladas de fertilizantes. Este volume representa um crescimento de 10% em comparação ao ano anterior, garantindo ao terminal catarinense o atendimento de 6% da demanda nacional por nutrientes agrícolas. A eficiência operacional foi alavancada por uma norma interna de prioridade de atracação implementada por Cleverton Vieira, presidente do porto, que otimizou o uso dos berços e reduziu o tempo de espera dos navios em 60%.

Além dos insumos agrícolas, o desempenho nas exportações de grãos também superou as expectativas do setor. O porto respondeu por 7,7% das exportações brasileiras de milho em 2025, superando a marca de 6% registrada no exercício anterior, em um mercado nacional que movimentou 41 milhões de toneladas do cereal. No segmento da soja, o terminal embarcou 6,1 milhões de toneladas, o equivalente a 5,7% do total exportado pelo Brasil, demonstrando que a agilidade no descarregamento de fertilizantes liberou capacidade para o escoamento eficiente da safra.

Gargalos regulatórios e a suspensão de concessões na Amazônia

Diferente da agilidade administrativa observada em Santa Catarina, a logística na região Norte vive um momento de incerteza após a revogação de decretos de privatização de hidrovias estratégicas. O processo foi paralisado após intensos protestos e impasses envolvendo terminais da Cargill, onde questões socioambientais e a falta de diálogo com comunidades locais travaram o avanço das concessões. A instabilidade jurídica gerada por essas revisões regulatórias ameaça o fluxo de investimentos privados necessários para a modernização das vias navegáveis amazônicas.

A paralisação destes projetos compromete a competitividade do Arco Norte, região que se tornou vital para reduzir os custos logísticos do agronegócio brasileiro. Enquanto São Francisco do Sul investe em infraestrutura para agilizar operações, as hidrovias do Norte permanecem reféns de conflitos que impedem a consolidação de rotas fluviais de alta capacidade. Essa assimetria no desenvolvimento infraestrutural evidencia a necessidade de modelos de gestão que equilibrem eficiência econômica com sustentabilidade e consenso social.

Impactos na cadeia de suprimentos e segurança alimentar

A fluidez na importação de fertilizantes é um pilar fundamental para a produtividade de culturas como arroz, trigo e milho, essenciais para a segurança alimentar do Brasil. Os dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reforçam que a otimização de portos como o de São Francisco do Sul minimiza os riscos de desabastecimento no campo. Contudo, a dependência excessiva de poucos terminais eficientes torna a cadeia de suprimentos vulnerável a interrupções, reforçando a urgência de diversificar as rotas de escoamento pelo país.

O setor produtivo observa com preocupação a demora na resolução dos conflitos hidroviários, uma vez que o transporte fluvial é reconhecidamente mais barato e menos poluente que o modal rodoviário. A falta de integração entre as políticas de expansão portuária e as regulamentações ambientais no Norte cria um gargalo que encarece o produto final. Para que o Brasil mantenha seu crescimento, é imperativo que o sucesso operacional de terminais bem geridos seja replicado através de marcos regulatórios sólidos em todas as regiões.

Conclusão

A realidade contrastante entre o recorde de movimentação em São Francisco do Sul e a paralisia das hidrovias no Norte sublinha o peso da gestão técnica sobre a logística nacional. O avanço em Santa Catarina prova que investimentos em infraestrutura e normas de atracação inteligentes produzem resultados imediatos na competitividade do comércio exterior. No entanto, o país ainda patina na criação de um ambiente de segurança jurídica que permita o pleno desenvolvimento de seu potencial hidroviário em regiões sensíveis como a Amazônia.

Mesmo diante desses desafios regulatórios e das disparidades regionais, o setor logístico brasileiro demonstra uma resiliência que impulsiona o crescimento do Produto Interno Bruto. A evolução observada em 2025 indica que, apesar dos obstáculos históricos e da complexidade burocrática, o país caminha para uma infraestrutura mais moderna. A consolidação deste progresso dependerá da capacidade do Estado em transformar sucessos pontuais em uma estratégia nacional de transporte integrada e sustentável.