Digitalização em Bilbau e sistema SisPAT da ANTAQ modernizam gestão portuária global

A Autoridade Portuária de Bilbau consolidou em 2025 avanços em infraestrutura digital e transição energética, servindo de referência para iniciativas brasileiras como o sistema SisPAT da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ). O movimento busca mitigar oscilações de mercado através da eficiência tecnológica, garantindo maior controle sobre ativos e redução de custos regulatórios em um cenário de comércio global cada vez mais dinâmico.

Integração digital e infraestrutura

O Porto de Bilbau encerrou o exercício de 2025 com faturamento de 77 milhões de euros e EBITDA de 35,2 milhões de euros, demonstrando que o investimento em tecnologia sustenta a saúde financeira mesmo com quedas pontuais no tráfego de mercadorias. A estratégia foca na implementação de Planos de Transição Energética e Transformação Digital, com previsão de elevar os investimentos de 35,7 milhões de euros para 110,9 milhões de euros em 2026. A primeira fase da eletrificação das docas deve entrar em operação no segundo trimestre de 2026, consolidando a meta de descarbonização portuária.

O porto espanhol destaca-se pela liderança no transporte ferroviário, onde 26% dos contêineres utilizam o modal trem, totalizando 3.800 movimentos anuais. Essa eficiência é ampliada por novas instalações alfandegárias digitais que agilizam o fluxo logístico internacional com parceiros como Brasil e China. A conectividade física e digital permite que o porto mantenha sua competitividade mesmo diante de paradas operacionais estratégicas, como a ocorrida na refinaria Petronor, que impactou os volumes de granéis líquidos durante o período.

No cenário nacional, a ANTAQ avança com o SisPAT, sistema voltado ao inventário e controle de ativos dos portos organizados. A ferramenta espelha a necessidade de visibilidade total sobre o patrimônio público e privado, permitindo que a agência reguladora tome decisões baseadas em dados precisos. Esse movimento de digitalização de ativos é o alicerce para uma gestão profissional que busca reduzir a burocracia e aumentar a transparência em todo o sistema portuário brasileiro.

Eficiência regulatória e competitividade

A modernização dos sistemas de controle no Brasil ocorre em um momento de recordes operacionais, exigindo que a gestão de ativos acompanhe a velocidade do fluxo de carga. O SisPAT foca na desburocratização, automatizando processos que anteriormente dependiam de conferências manuais e documentos físicos. Essa transição é fundamental para atrair novos investimentos privados, garantindo que a infraestrutura existente receba a manutenção adequada e atenda aos requisitos de produtividade exigidos pelo mercado global.

O crescimento do comércio bilateral entre Bilbau e o Brasil reforça a importância de alinhar padrões tecnológicos entre portos de origem e destino. Enquanto o porto espanhol investe em instalações fotovoltaicas e conectividade avançada para otimizar a carga, o Brasil busca no SisPAT a base de dados necessária para sustentar sua expansão. A integração de sistemas digitais entre os elos da cadeia de suprimentos reduz custos operacionais e eleva o nível de serviço prestado aos exportadores e importadores.

A resiliência operacional torna-se o principal produto da transformação digital em curso, permitindo uma resposta rápida a crises e flutuações na movimentação de mercadorias. Em 2025, Bilbau registrou crescimento de 1,5% no tráfego do segundo semestre, impulsionado por novos serviços de contêineres para o Canadá e a costa oeste da América do Sul. A capacidade de adaptar a infraestrutura através de softwares de gestão e monitoramento em tempo real é o que separa portos tradicionais de hubs logísticos de classe mundial.

A trajetória observada no Porto de Bilbau e a implementação do SisPAT pela ANTAQ indicam que o futuro da logística marítima reside na capacidade de processar dados e gerir ativos com precisão cirúrgica. A tecnologia deixa de ser um acessório para se tornar o pilar central da competitividade portuária, permitindo que gestores antecipem gargalos e otimizem a utilização do solo e dos berços de atracação. O investimento em inteligência setorial é o único caminho para sustentar o crescimento diante da volatilidade econômica global.

Embora o Brasil ainda enfrente desafios estruturais, a adoção de ferramentas de governança digital sinaliza que o país está amadurecendo e aprendendo a gerir seus recursos com maior eficiência. A evolução dos sistemas regulatórios nacionais demonstra que, mesmo com os obstáculos históricos de infraestrutura, o setor portuário brasileiro está evoluindo para se integrar às melhores práticas globais. Transformar processos burocráticos em vetores de agilidade tecnológica é o passo necessário para consolidar o Brasil como um player estratégico no comércio internacional.