A Santos Brasil oficializou a operação do serviço regular FIL2 no Tecon Santos em parceria com a sul-coreana Hyundai Merchant Marine (HMM) e a Ocean Network Express (ONE), visando otimizar a rota entre a Ásia e a Costa Leste da América do Sul. A operação iniciou-se na última segunda-feira, 23 de fevereiro, com a atracação do navio Privilege, estabelecendo uma capacidade de movimentação anual estimada em 140 mil TEUs. Este movimento estratégico amplia a oferta de espaço para o comércio exterior brasileiro, mitigando gargalos logísticos em uma das rotas comerciais mais dinâmicas do globo.

Eficiência operacional na rota transpacífica

O serviço FIL2 opera com uma frota de 11 embarcações, cada uma com capacidade nominal de 6 mil TEUs. O ciclo completo de navegação totaliza 77 dias, garantindo uma frequência semanal estável que deve movimentar cerca de 2.700 TEUs por escala. Essa regularidade é fundamental para o planejamento das cadeias de suprimentos, permitindo que exportadores de commodities e importadores de insumos industriais tenham maior previsibilidade em suas operações logísticas.

A escolha do Tecon Santos para este serviço reflete a adequação técnica do terminal em lidar com fluxos intensos e navios de grande porte. A infraestrutura robusta permite que a integração entre a HMM e a ONE ocorra sem prejuízos ao tempo de permanência no porto, um fator determinante para a competitividade dos fretes marítimos. Ao consolidar essa conexão, o porto de Santos reforça seu papel como principal hub da América Latina, atraindo navios que antes poderiam priorizar rotas alternativas.

Investimentos atraem grandes armadores mundiais

Segundo Danilo Ramos, Diretor Comercial de Operações da Santos Brasil, a chegada do FIL2 é o resultado direto de investimentos contínuos na modernização e expansão da capacidade do terminal. A confiança depositada por armadores globais na infraestrutura brasileira demonstra que a especialização técnica e a eficiência operacional são os diferenciais na retenção de serviços de alto valor agregado. Para o mercado, isso significa uma maior diversidade de opções e preços mais competitivos devido à oferta ampliada de capacidade.

Além do ganho imediato no volume de carga, a parceria sinaliza um amadurecimento das relações comerciais entre Brasil e os mercados asiáticos. O aumento da conectividade marítima facilita a inserção de produtos brasileiros em mercados exigentes, ao mesmo tempo em que garante o suprimento de componentes essenciais para a indústria nacional. A coordenação entre diferentes terminais da Santos Brasil, como Imbituba e Vila do Conde, também fortalece a rede logística interna, permitindo uma distribuição de carga mais equilibrada pelo litoral brasileiro.

A consolidação de serviços como o FIL2 evidencia que, mesmo diante de entraves históricos de infraestrutura e burocracia, o setor portuário brasileiro demonstra resiliência e capacidade de evolução tecnológica. A integração de novas rotas internacionais é um passo fundamental para sustentar o crescimento econômico, mostrando que a modernização dos terminais é o caminho para inserir o Brasil definitivamente nas principais artérias do comércio global. Perspectivas futuras indicam que a continuidade de aportes em automação e expansão será o motor para superar desafios logísticos e garantir que o país permaneça competitivo frente às demandas internacionais.