O setor portuário e de óleo e gás no Brasil encerrou o ciclo de 2025 com marcos históricos de produtividade e investimentos em infraestrutura técnica, evidenciados pelos recordes da Vast Infraestrutura no Porto do Açu e pela modernização da frota da Svitzer no Porto do Pecém. Em fevereiro de 2026, a divulgação de resultados financeiros robustos da Seatrium, impulsionados por projetos brasileiros como os FPSOs da Petrobras, reforça como a integração tecnológica e a capacidade logística são os motores atuais da balança comercial e da soberania energética do país.

Recordes operacionais no Porto do Açu

A Vast Infraestrutura consolidou sua posição estratégica ao exportar 30,15 milhões de toneladas de óleo cru pelo Terminal de Petróleo (T-Oil) em 2025, um salto de 19% comparado ao ano anterior. Este volume representa quase metade de todo o petróleo bruto exportado pelo Brasil, demonstrando a maturidade das operações de transbordo no Porto do Açu. Com 229 operações realizadas no período, a empresa atende a 12 operadoras e mantém a exclusividade como o único terminal privado brasileiro licenciado para navios da classe VLCC (Very Large Crude Carrier).

Esta performance reflete a competência técnica em gerir fluxos complexos de até 1,2 milhão de barris por dia. Para o profissional de logística, o T-Oil exemplifica a eficácia da infraestrutura dedicada que mitiga gargalos e reduz o custo de estadia dos navios, fator determinante para a competitividade do petróleo brasileiro no mercado global. A movimentação geral de óleo bruto pela companhia atingiu 60,4 milhões de toneladas, um crescimento de 20% que posiciona a empresa como peça fundamental na cadeia de suprimentos internacional.

Tecnologia avançada no apoio portuário

Simultaneamente, a Svitzer, sob a direção de Daniel Reedtz Cohen, deu um passo significativo na modernização do suporte às manobras no Porto do Pecém com a incorporação do rebocador Svitzer Cassino. A embarcação, construída pelo Estaleiro Rio Maguari, no Pará, possui tração estática de 73,85 toneladas e propulsão azimutal (ASD), garantindo a manobrabilidade necessária para os navios de grande porte que escalam com maior frequência o terminal cearense. O navio foi projetado para oferecer precisão em ambientes de alta demanda, sendo o segundo de três encomendados pela empresa para reforçar a frota nacional.

A chegada desta unidade eleva a frota da Svitzer para 24 embarcações no país, sinalizando um plano de expansão contínuo até o fim de 2026. Do ponto de vista técnico, a escolha por tecnologia ASD e sistemas avançados de combate a incêndio mostra que a segurança operacional e a eficiência de tempo no berço são prioridades inegociáveis para sustentar o crescimento dos volumes movimentados. Navios cada vez maiores exigem uma frota de apoio moderna, e o investimento em construção naval nacional reforça o compromisso da empresa com o desenvolvimento da logística local.

Rentabilidade nas cadeias globais de energia

No cenário internacional, os resultados da Seatrium Limited validam a demanda por soluções complexas de engenharia naval. Com lucro líquido de S$323,6 milhões em 2025, um crescimento de 106%, a empresa colheu os frutos da execução eficiente de projetos como a série P de FPSOs da Petrobras. O CEO Chris Ong destacou que a otimização dos estaleiros e os ganhos de produtividade foram fundamentais para triplicar o lucro bruto. A carteira de pedidos da Seatrium, que totaliza S$17,8 bilhões, garante visibilidade de receita até 2033, com forte inclinação para soluções de energia limpa e renováveis.

O panorama descrito aponta para uma sinergia crescente entre a capacidade de exportação, o suporte logístico de alta performance e a engenharia de construção naval de última geração. A integração de novos ativos e terminais de transbordo otimizados prepara o Brasil para um novo patamar de movimentação de carga e eficiência energética. O sucesso desses empreendimentos mostra que o setor marítimo nacional está absorvendo inovações tecnológicas para enfrentar as exigências de um mercado global cada vez mais rigoroso.

Mesmo diante dos históricos desafios estruturais e burocráticos que o país enfrenta no comércio exterior, a resiliência e a evolução técnica do setor portuário demonstram que o Brasil continua a crescer de forma sustentável. A trajetória de 2025 prova que investimentos privados em tecnologia e infraestrutura são o caminho seguro para transformar o potencial logístico em realidade econômica palpável, mantendo a evolução constante do setor marítimo nacional.