O início dos embarques de grãos secos de destilaria (DDG) para a China marca uma nova fase na balança comercial brasileira, evidenciando a capacidade de escoamento de produtos de alto valor agregado pela infraestrutura nacional. Utilizando a expertise logística de terminais como o Porto de São Francisco do Sul, que recentemente otimizou suas operações de granéis, o setor busca atender a crescente demanda chinesa por insumos para nutrição animal em 2025.

Eficiência operacional em terminais catarinenses

O Porto de São Francisco do Sul registrou crescimento robusto em 2025, movimentando 2,75 milhões de toneladas de fertilizantes, o que representa 6% do total nacional. Esse avanço foi sustentado por uma norma interna de prioridade de atracação, reduzindo o tempo de espera dos navios em 60%, conforme dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Além dos fertilizantes, o terminal ampliou sua participação nas exportações de milho, atingindo 7,7% do volume brasileiro no último ano. Essa agilidade no descarregamento de insumos e carregamento de safras cria o ambiente ideal para a introdução de novos fluxos, como o DDG, que requer uma logística de retorno eficiente para as composições ferroviárias e rodoviárias.

Complexidade logística dos subprodutos

Diferente do grão in natura, o DDG exige cuidados específicos de armazenagem e movimentação para garantir a integridade nutricional exigida pelo mercado asiático. A integração entre as usinas de etanol de milho do Centro-Oeste e os portos do Sul demanda uma coordenação multimodal precisa para evitar contaminações e perdas de qualidade durante o trajeto.

Cleverton Vieira, presidente do Porto de São Francisco, destaca que os investimentos em infraestrutura portuária foram determinantes para absorver essas novas demandas. A modernização dos berços permite que subprodutos ocupem janelas de exportação que antes ficavam restritas aos produtos tradicionais, otimizando o giro de estoque nos armazéns portuários.

Integração da cadeia produtiva

A exportação de DDG para a China não apenas gera receita, mas resolve um gargalo das usinas de biocombustíveis, que transformam resíduos em ativos exportáveis. O Brasil exportou 41 milhões de toneladas de milho em 2025, e a diversificação para subprodutos fortalece a resiliência do agronegócio frente a flutuações de preços de commodities brutas.

Este cenário demonstra a maturidade do sistema logístico ao integrar a produção de energia limpa com a nutrição animal global. O sucesso desta operação em escala industrial serve de modelo para outros terminais que buscam diversificar seu portfólio de cargas para além dos granéis sólidos tradicionais.

Perspectivas e crescimento setorial

O avanço nas exportações de subprodutos e a eficiência demonstrada em portos como o de São Francisco do Sul sinalizam que o Brasil está superando limitações históricas de infraestrutura. A capacidade de reduzir gargalos operacionais e priorizar cargas estratégicas é o caminho para manter a competitividade no cenário global.

Embora os desafios de logística interna ainda persistam, a evolução tecnológica e de gestão nos terminais portuários mostra que o país avança de forma consistente. Mesmo com as deficiências estruturais crônicas nos modais de acesso, o setor portuário entrega resultados que impulsionam o crescimento econômico e consolidam o Brasil como parceiro confiável do mercado internacional.