A TCP, administradora do Terminal de Contêineres de Paranaguá, operou na última semana de janeiro de 2026 o porta-contêineres MSC Bianca com o novo calado máximo de 13,30 metros, marcando uma evolução na infraestrutura do Porto de Paranaguá. A manobra, homologada pela Portos do Paraná e pela Marinha do Brasil, responde à demanda por eficiência logística e reflete o desempenho recorde das instalações portuárias da Região Sul, que atingiram volumes históricos de movimentação no último ano.
Eficiência hídrica e ganho de escala
O MSC Bianca, com 328 metros de comprimento e 48 metros de largura, representa a nova realidade operacional do terminal paranaense. Com a ampliação do calado para 13,30 metros em condições de maré positiva, as embarcações desse porte ganham a capacidade de transportar aproximadamente 400 TEUs adicionais por viagem. Carolina Merkle Brown, gerente comercial de armadores da TCP, ressalta que essa mudança permite o aproveitamento total da capacidade nominal dos navios, otimizando o planejamento de transporte para exportadores e importadores.
O aprofundamento do canal de acesso, iniciado em 2024 e consolidado em revisões técnicas recentes, é o alicerce para essa expansão de capacidade. A homologação permite que navios de até 366 metros acessem o porto com calados variando entre 12,80 e 13,30 metros, conforme a variação da maré. Essa precisão técnica reduz o custo unitário por contêiner e eleva a segurança das manobras em águas restritas, conferindo maior previsibilidade aos armadores que operam na costa brasileira.
Liderança regional e recordes de volume
A evolução da TCP ocorre em um cenário de forte crescimento para a logística do Sul do Brasil. Em 2025, os terminais da região movimentaram quase 200 milhões de toneladas, um incremento de 5,4% frente ao ano anterior, segundo dados do Ministério de Portos e Aeroportos baseados em levantamentos da Antaq. O Porto de Paranaguá manteve sua posição de destaque, liderando o ranking regional com 66,4 milhões de toneladas movimentadas, superando complexos como Rio Grande e São Francisco do Sul.
O segmento de contêineres foi o que mais cresceu proporcionalmente na região Sul, registrando alta de 12,5% em comparação a 2024 e totalizando 58,9 milhões de toneladas. Esse aumento expressivo na movimentação de carga geral exige infraestrutura capaz de suportar navios de grande porte, tornando as melhorias de calado na TCP um componente estratégico para manter a fluidez do comércio exterior. O foco em destinos como China, Singapura e Irã reforça a necessidade de operações de longo curso cada vez mais eficientes.
A integração de melhorias na dragagem e a recepção de embarcações maiores como o MSC Bianca demonstram que a infraestrutura portuária paranaense está acompanhando a escala global da navegação. O ganho de competitividade para o setor produtivo é direto, convertendo-se em economia de escala e maior atratividade para os grandes armadores globais que buscam escalas mais produtivas no Atlântico Sul, diminuindo o custo logístico total da cadeia.
Mesmo diante das complexidades de investimento que historicamente marcam a infraestrutura nacional, o Brasil demonstra capacidade de evolução técnica e operacional de alto nível. O recorde de movimentação em 2025 e a modernização contínua da TCP provam que, com planejamento e execução focada em engenharia portuária, o setor continua a ser um motor de crescimento resiliente e inovador para o país.