Modernização do apoio portuário acompanha evolução da infraestrutura brasileira

A Svitzer oficializou em 26 de fevereiro de 2026 a integração do rebocador Svitzer Cassino às suas operações no Porto do Pecém, no Ceará, para responder ao aumento das dimensões das embarcações que escalam a costa brasileira. O investimento ocorre simultaneamente ao avanço da infraestrutura em outros terminais, como a TCP em Paranaguá, que recentemente validou o calado de 13,30 metros para receber navios de 11 mil TEUs, evidenciando a necessidade de equipamentos de apoio com maior capacidade de tração e manobrabilidade.

Tecnologia de ponta no apoio portuário

O Svitzer Cassino, segunda unidade de uma série de três encomendadas ao Estaleiro Rio Maguari, no Pará, apresenta 73,85 toneladas de tração estática. Do tipo Azimuth Stern Drive (ASD), a embarcação possui 23 metros de comprimento e 11 metros de boca, sendo equipada com propulsão azimutal que garante precisão em espaços confinados. Segundo Daniel Reedtz Cohen, diretor-geral da Svitzer Américas, a modernização da frota, que agora soma 24 unidades no Brasil, é um requisito técnico para atender navios cada vez maiores com segurança.

Além da força bruta, a tecnologia embarcada permite o combate a incêndios e uma gestão operacional mais refinada. No contexto da engenharia naval, o uso de rebocadores ASD é fundamental para neutralizar os efeitos hidrodinâmicos adversos durante a atracação de cargueiros de última geração. Consultorias especializadas, como a T2S, desempenham papel importante nesse cenário ao fornecer soluções de software que integram dados de manobra e produtividade, otimizando o fluxo nos terminais.

Ampliação de calado e produtividade

A urgência por rebocadores mais potentes é justificada pelos recordes de calado registrados no Sul do país. A TCP, operadora do Terminal de Contêineres de Paranaguá, recebeu na última semana de janeiro de 2026 o MSC Bianca, primeiro porta-contêineres de 328 metros a utilizar a profundidade homologada de 13,30 metros. Esta nova marca permite um incremento de aproximadamente 400 TEUs por viagem, transformando diretamente a rentabilidade dos armadores e a competitividade dos exportadores que utilizam o terminal paranaense.

O aprofundamento do canal em Paranaguá, iniciado em 2024 e aprovado pela Marinha do Brasil, possibilita que embarcações de até 366 metros acessem o porto com maior flexibilidade de maré. Carolina Merkle Brown, gerente comercial de armadores da TCP, destaca que a otimização do calado reduz custos logísticos significativos. Contudo, essa evolução estrutural exige que o apoio portuário acompanhe o ritmo, sob risco de gargalos operacionais se os rebocadores não possuírem torque suficiente para controlar a inércia dessas massas gigantescas.

Desafios da integração operacional

A integração entre infraestrutura de acesso e frota de apoio é o que define a eficiência de um porto moderno. No Ceará, o Porto do Pecém consolida sua posição estratégica ao receber ativos como o Svitzer Cassino, enquanto Paranaguá demonstra que o dragagem de manutenção e o aprofundamento são investimentos contínuos. A coordenação desses fatores reflete uma maturidade do setor em buscar padrões internacionais de operação, visando a redução do custo Brasil e a segurança na navegação.

O cenário de gigantismo naval impõe desafios técnicos constantes à praticagem e às tripulações. O uso de sistemas de monitoramento em tempo real e simuladores de manobra torna-se indispensável para mitigar riscos ambientais e econômicos. O Brasil caminha para um patamar onde a tecnologia de hardware, representada pelos novos rebocadores da Svitzer, se funde com a tecnologia de gestão de dados para garantir que os recordes de calado se traduzam em fluidez na cadeia de suprimentos global.

Perspectivas para o comércio exterior

Em suma, a expansão da Svitzer no Pecém e a quebra de recordes de calado na TCP sinalizam um fortalecimento da infraestrutura logística nacional. A modernização dos ativos e o aprofundamento dos canais são respostas técnicas indispensáveis para manter o país na rota das principais linhas de navegação transoceânicas. Embora o setor ainda enfrente entraves burocráticos e a necessidade de investimentos constantes em dragagem, os avanços recentes comprovam a resiliência e a capacidade técnica da engenharia portuária brasileira.

Este movimento de atualização contínua demonstra que, mesmo diante de gargalos históricos em infraestrutura, o Brasil avança na implementação de soluções de alta tecnologia e gestão eficiente. O fortalecimento do setor portuário é o motor que permite ao país evoluir em competitividade internacional, transformando desafios técnicos em oportunidades de crescimento econômico sustentável.