No dia 25 de fevereiro de 2026, o cenário portuário brasileiro registrou dois marcos significativos para a modernização do setor: o lançamento da 3ª edição do Programa Jovem Tech pela Empresa Maranhense de Administração Portuária (EMAP) e a abertura de consulta pública pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) para a nova Política Nacional de PD&I Portuária. Estas iniciativas visam superar a defasagem tecnológica histórica do setor, integrando a formação de capital humano especializado com uma estrutura normativa moderna que promova a eficiência e a competitividade global das instalações marítimas nacionais.
Capacitação técnica no Complexo do Itaqui
A EMAP, sob a presidência de Oquerlina Costa, consolidou o Programa Jovem Tech como uma política institucional permanente ao ofertar 60 bolsas de R$ 1.500 para jovens maranhenses. A parceria envolve instituições de peso como FAPEMA, Grupo Mateus, Suzano, TEGRAM e COPI, direcionando o aprendizado para áreas críticas como Data Science e desenvolvimento Front End e Back End. O investimento total de R$ 540 mil foca na inserção direta desses profissionais em empresas do Complexo Portuário Maranhense e parceiras locais.
Como acadêmico e profissional da área, observo que a formação de talentos locais resolve um dos maiores problemas das autoridades portuárias modernas: a carência de mão de obra capaz de operar e otimizar sistemas de gestão de dados complexos em ambientes de alta performance. O programa já impactou mais de cem jovens nas edições anteriores, criando uma ponte efetiva entre a educação técnica e a empregabilidade real no setor logístico maranhense.
Atualização normativa e consulta pública
Paralelamente, o ministro Silvio Costa Filho assinou a portaria nº 83/2026, autorizando a consulta pública sobre a Política Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Portuária (PD&I Portos). O objetivo é preencher um vácuo legislativo, visto que a Lei nº 12.815 de 2013 não contempla termos fundamentais como tecnologia e desenvolvimento científico, o que limita a agilidade dos portos brasileiros frente a competidores internacionais que já operam sob diretrizes de portos inteligentes.
Tetsu Koike, diretor do MPor, destaca que a política está atrelada ao programa Navegue Simples, buscando reduzir a burocracia e os custos operacionais através da inovação. A escuta ativa da sociedade até 5 de abril permitirá que o ecossistema de inteligência portuária seja construído com base em demandas reais, unindo os 35 portos públicos e as centenas de terminais privados sob uma diretriz de inovação contínua e integração com a academia.
A convergência dessas iniciativas demonstra que a modernização portuária brasileira exige tanto o aprimoramento das leis quanto a valorização estratégica do capital humano. O Brasil dá um passo firme ao reconhecer que a eficiência logística não depende exclusivamente de infraestrutura física pesada, mas da inteligência aplicada aos processos e da capacidade de absorção de novas tecnologias pela força de trabalho local.
Mesmo diante dos desafios estruturais históricos, presenciamos um amadurecimento institucional promissor. O crescimento do setor portuário, amparado por políticas de inovação e educação técnica, sinaliza que estamos trilhando o caminho da excelência operacional e evoluindo para consolidar o país como um polo de tecnologia e eficiência no comércio exterior.