A convergência entre o desenvolvimento de competências digitais e a modernização de sistemas regulatórios marca um novo capítulo na gestão portuária brasileira em fevereiro de 2026. Enquanto o Porto do Itaqui lança a terceira edição de seu programa de formação tecnológica para jovens, a Agência Nacional dos Transportes Aquaviários (ANTAQ) oficializa o novo Manual de Inventário e a reformulação do Sistema de Controle Patrimonial dos Portos Organizados (SisPAT). Essas iniciativas coordenadas visam eliminar gargalos administrativos e preparar a infraestrutura nacional para as exigências da logística global.
Capacitação técnica aplicada ao ambiente portuário
A Empresa Maranhense de Administração Portuária (EMAP) consolidou o Programa Jovem Tech como uma política de Estado voltada para a inovação. Sob a liderança da presidente Oquerlina Costa, a iniciativa oferece 60 bolsas de estudo para formação em áreas críticas como Data Science, Front End e Back End. O investimento de 540 mil reais, em parceria com a FAPEMA e empresas como Suzano e o consórcio TEGRAM, foca na criação de um ecossistema onde a tecnologia não é apenas importada, mas desenvolvida localmente por profissionais que compreendem a dinâmica do Porto do Itaqui.
Esta formação de mão de obra especializada resolve um problema histórico do setor: a carência de desenvolvedores que entendam as especificidades da logística marítima. Ao integrar jovens de 18 a 24 anos ao ambiente de inovação do Espaço Black Swan, o porto garante que a transformação digital possua sustentabilidade a longo prazo. A absorção desses talentos por operadoras como a COPI demonstra que a eficiência operacional está diretamente atrelada à qualidade do capital humano disponível no mercado maranhense.
Modernização sistêmica e simplificação regulatória
Paralelamente ao avanço na formação de talentos, a ANTAQ aprovou diretrizes que alteram profundamente o controle de bens reversíveis nos portos organizados. O novo SisPAT, detalhado em manual publicado no Diário Oficial da União, permite a integração de dados via Interface de Programação de Aplicações (API). Esta mudança técnica significa que as autoridades portuárias e arrendatários poderão sincronizar seus inventários diretamente com a base da agência reguladora, eliminando a necessidade de inserção manual e reduzindo drasticamente a margem de erro.
O cronograma estabelecido pela Resolução 75/2022 define o dia 30 de abril como prazo final para o envio das atualizações anuais, tornando a implementação do SisPAT urgente para o mercado. Ao automatizar a prestação de contas patrimoniais, a ANTAQ reduz o custo regulatório e permite que as empresas foquem em suas atividades finalísticas. A rastreabilidade proporcionada pelo sistema confere maior transparência e segurança jurídica aos contratos de arrendamento, fatores fundamentais para a atração de novos investimentos internacionais.
Sinergia tecnológica para o crescimento nacional
A união entre sistemas inteligentes e profissionais qualificados é o único caminho viável para aumentar a competitividade dos portos brasileiros. O SisPAT fornece a estrutura de dados necessária para uma gestão patrimonial eficiente, enquanto programas como o Jovem Tech garantem que existam especialistas capazes de operar e evoluir essas ferramentas. Essa visão sistêmica corrige falhas do passado, onde a tecnologia era adquirida sem que houvesse pessoal treinado para extrair seu potencial máximo ou sistemas legados que impediam a agilidade administrativa.
Embora o Brasil ainda enfrente desafios estruturais em sua logística, as ações recentes da EMAP e da ANTAQ mostram um amadurecimento institucional promissor. O país demonstra que, mesmo diante de complexidades burocráticas, é possível avançar com soluções tecnológicas robustas e inclusão produtiva. O fortalecimento desta cultura de inovação é o que garantirá ao sistema portuário nacional uma posição de destaque no cenário marítimo internacional nos próximos anos.