O Complexo Industrial e Portuário de Suape consolidou sua expansão internacional ao formalizar memorandos de entendimento com gigantes portuários da Malásia em fevereiro de 2026, período que coincide com um crescimento operacional recorde de 38,6% no primeiro mês do ano. A movimentação estratégica ocorre em paralelo à agenda do governo federal na Coreia do Sul, evidenciando uma articulação planejada entre a infraestrutura regional e a diplomacia comercial para converter o atracadouro pernambucano no principal hub logístico do Atlântico Sul para o mercado asiático.
Expansão operacional e liderança em granéis
Em janeiro de 2026, a estatal portuária movimentou 2.193.515 toneladas, superando significativamente o desempenho do mesmo período do ano anterior. O número de atracações subiu 26,2%, totalizando 135 navios, o que demonstra o aquecimento das atividades industriais e a confiança dos armadores no terminal. O segmento de granéis líquidos foi o principal motor desse avanço, com alta de 57,7%, atingindo 1,4 milhão de toneladas e reafirmando a vocação energética do porto sob a gestão do diretor-presidente Armando Monteiro Bisneto.
Além da predominância do petróleo e derivados, que representam 64% do volume total, Suape apresentou crescimento robusto em outras frentes. A movimentação de contêineres no Tecon Suape avançou 4%, chegando a 54.883 TEUs, enquanto os granéis sólidos cresceram 65,4%, impulsionados por cargas como trigo e coque. Essa diversificação operacional sustenta a competitividade do complexo frente aos portos do Sudeste, garantindo a liderança na cabotagem nacional entre os portos públicos.
Sinergia diplomática e novas rotas
No cenário internacional, a comitiva de Suape assinou acordos com a Westports Malaysia e a Northport, do grupo MMC Port Holdings, em Port Klang. O objetivo central é o estabelecimento de linhas marítimas de longo curso diretas e a prospecção de novos investimentos malaios em solo pernambucano. A Westports, décimo maior terminal de contêineres do mundo, movimenta anualmente cerca de 12 milhões de TEUs e sinalizou interesse real em viabilizar escalas regulares que conectem o Sudeste Asiático ao Nordeste brasileiro.
Essa ofensiva comercial em Port Klang encontra eco nas ações do Ministério da Agricultura e Pecuária na Coreia do Sul. O ministro Carlos Fávaro celebrou memorandos de entendimento em Seul voltados à agricultura digital e segurança alimentar, áreas que demandam fluxos logísticos eficientes. A integração dessas agendas sugere que o Brasil busca não apenas vender commodities, mas estruturar uma cadeia de suprimentos tecnologicamente integrada, onde Suape atua como o nó logístico essencial para a entrada e saída dessas cargas.
Perspectiva de longo curso e integração
Os memorandos assinados por Armando Monteiro Bisneto estabelecem canais permanentes de comunicação técnica, permitindo que Suape absorva práticas de gestão de terminais que operam volumes globais, como o sistema de expansão para 28 milhões de TEUs planejado pela Westports. A conexão com o Estreito de Malaca, por onde passa grande parte do comércio mundial, coloca Pernambuco em uma posição de vantagem geográfica para receber investimentos de operadores globais como a PSA International e a Portek, visitadas durante a missão em Singapura.
A convergência entre os recordes operacionais domésticos e a abertura de frentes na Ásia sinaliza um amadurecimento institucional do setor portuário brasileiro. Mesmo diante dos desafios históricos de infraestrutura interna, a capacidade de Suape em atrair parceiros do porte da MMC Port Holdings demonstra que o país está evoluindo na profissionalização de sua gestão logística. O fortalecimento dessas pontes com a ASEAN e a Ásia Oriental projeta um cenário de crescimento contínuo, onde o Brasil assume o protagonismo na logística internacional com competência técnica e visão estratégica.