A matriz de transportes brasileira demonstra sinais claros de amadurecimento na cabotagem, especialmente na região Nordeste, que movimentou 60,7 milhões de toneladas em 2025. Dados compilados pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e divulgados pelo Ministério de Portos e Aeroportos em 23 de fevereiro de 2026, confirmam que o modal superou o desempenho do ano anterior. Esse crescimento é sustentado primordialmente pelo transporte de petróleo e derivados, que somaram 25 milhões de toneladas, evidenciando a dependência do setor energético em relação às vias marítimas.

Concentração Estratégica e Desempenho Regional

Os estados da Bahia, Maranhão, Ceará e Pernambuco consolidaram-se como os pilares dessa movimentação. O Porto de Itaqui (MA) e o Porto de Suape (PE) registraram fluxos de 36,8 milhões e 24,3 milhões de toneladas, respectivamente. No entanto, o Terminal Marítimo Ponta da Madeira (MA) permanece como a principal infraestrutura da região, com 172,4 milhões de toneladas movimentadas no total anual. Essa concentração exige uma eficiência operacional milimétrica, pois qualquer falha na cadeia de suprimentos energética pode desestabilizar o abastecimento regional.

O Alerta da Segurança Operacional

Contraste direto a esse cenário de expansão, a segurança nas bases de distribuição de combustíveis tornou-se o centro das discussões após a explosão de um tanque de etanol na unidade da Vibra Energia, em Volta Redonda, Rio de Janeiro. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) determinou a interdição imediata da unidade em 22 de fevereiro de 2026. A medida, fundamentada na Lei nº 9.847/1999, impede a movimentação de produtos perigosos até que a integridade dos ativos seja comprovada.

Implicações Regulatórias e Gestão de Risco

A interdição realizada pela ANP expõe a vulnerabilidade de ativos que operam no limite da capacidade para atender à demanda crescente. Para o profissional de logística, o incidente em uma base de grande porte como a da Vibra Energia serve como um lembrete severo de que o volume transportado não deve comprometer os protocolos de manutenção preventiva. A interrupção forçada gera prejuízos financeiros e logísticos, afetando diretamente a previsibilidade das entregas e a confiabilidade do sistema de distribuição.

Eficiência em Contêineres e Diversificação

Além dos granéis líquidos, o Nordeste registrou uma alta de 9,4% na movimentação de contêineres, atingindo 21,2 milhões de toneladas. O Ministro Silvio Costa Filho destacou que essa diversificação é fundamental para transformar a região em um hub logístico competitivo. A integração entre a carga conteinerizada e a cabotagem de commodities energéticas cria um ecossistema complexo que demanda investimentos contínuos em tecnologia de monitoramento e automação portuária para mitigar erros humanos.

Análise de Impacto na Cadeia de Suprimentos

A logística de energia no Brasil opera sob uma pressão constante de custos e prazos. A utilização de navios para o transporte de petróleo entre estados reduz o custo do frete em comparação ao modal rodoviário, mas aumenta a responsabilidade ambiental e operacional nos terminais. O Terminal Aquaviário de Madre de Deus (BA), que movimentou 20,2 milhões de toneladas de granel sólido, exemplifica a importância desses pontos de transbordo para a economia nacional.

Perspectivas para a Logística Marítima

O futuro da logística energética brasileira depende da capacidade de conciliar o aumento de produtividade com o rigor normativo. O crescimento projetado para a cabotagem nos próximos anos exigirá não apenas novos navios, mas uma renovação das infraestruturas terrestres de armazenamento. A fiscalização da ANP tende a se tornar mais incisiva, pressionando as distribuidoras a adotarem sistemas de segurança de última geração.

Conclusão e Visão de Mercado

Em suma, os números recordes no Nordeste provam que o Brasil encontrou o caminho para a eficiência no transporte aquaviário. No entanto, o incidente em Volta Redonda sinaliza que a expansão da malha energética nacional precisa estar acompanhada de uma cultura de segurança inegociável. Para as empresas do setor, o desafio agora é investir em tecnologias que permitam o crescimento sustentável, evitando que falhas operacionais se tornem gargalos para o desenvolvimento econômico do país.