O Brasil registrou um superávit comercial de US$ 2,1 bilhões na terceira semana de fevereiro de 2026, com uma corrente de comércio alcançando US$ 9,5 bilhões. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC) divulgados em 23 de fevereiro, as exportações cresceram 31,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando US$ 5,79 bilhões no intervalo semanal. Esse vigor econômico é sustentado pela performance da indústria extrativa, que saltou 70,5%, e da agropecuária, evidenciando a dependência positiva de commodities para manter o saldo positivo de US$ 7,2 bilhões no acumulado do ano.
Eficiência logística impulsiona o Nordeste
A sustentação desse volume exportador passa diretamente pela infraestrutura portuária, com destaque para a Região Nordeste, que movimentou 329,7 milhões de toneladas de carga em 2025. Dados da Antaq revelam que o crescimento de 9,4% na movimentação de contêineres foi o maior desde 2021, totalizando 21,2 milhões de toneladas. Terminais como Ponta da Madeira, no Maranhão, lideraram o volume com 172,4 milhões de toneladas, enquanto o Porto de Suape, em Pernambuco, consolidou sua posição estratégica com 24,3 milhões de toneladas movimentadas.
Para o setor, essa agilidade operacional em terminais autorizados e portos públicos é o que transforma a região em um hub logístico internacional. O Porto de Itaqui e o Terminal do Pecém também figuram como peças fundamentais nesse tabuleiro, movimentando, respectivamente, 36,8 milhões e 20,5 milhões de toneladas. A diversificação entre granéis sólidos, como minério de ferro e soja, e a carga conteinerizada permite que o Brasil responda com rapidez às demandas flutuantes do mercado global, reduzindo custos de transação e tempo de trânsito.
Ofensiva diplomática e tecnológica na Ásia
Paralelamente ao fluxo de carga, o governo brasileiro intensifica acordos de cooperação técnica para garantir mercados futuros. Em Seul, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, assinou memorandos de entendimento com o governo da Coreia do Sul em 23 de fevereiro. Os acordos focam em agricultura digital, segurança alimentar e harmonização de normas sanitárias. Essa aproximação institucional é vital para que a produção nacional atenda aos rigorosos padrões asiáticos, utilizando tecnologia e inovação como diferenciais competitivos.
A cooperação estende-se à gestão de bioinsumos e agrotóxicos, envolvendo agências como Anvisa e Ibama em pesquisas conjuntas com a Administração de Desenvolvimento Rural da Coreia. No cenário atual, a diplomacia técnica atua como um facilitador do comércio, removendo barreiras não tarifárias e criando uma estrutura de confiança mútua. Essa estratégia assegura que o Brasil não seja apenas um fornecedor de matéria-prima, mas um parceiro tecnológico integrado às cadeias de suprimentos globais de alta complexidade.
Novas rotas marítimas via Sudeste Asiático
No front portuário, a administração do Porto de Suape, liderada pelo diretor-presidente Armando Monteiro Bisneto, selou parcerias estratégicas na Malásia. No dia 24 de fevereiro, em Port Klang, foram firmados acordos com os terminais Westports e Northport, do grupo MMC Port Holdings. O objetivo central é a criação de linhas marítimas de longo curso que conectem Pernambuco diretamente ao Sudeste Asiático, otimizando o transporte de mercadorias entre os dois continentes.
A Westports, que movimentou 12 milhões de TEUs em 2025, sinalizou interesse em investimentos diretos no terminal pernambucano, o que pode elevar Suape a um novo patamar de conectividade global. Ao estabelecer canais formais de comunicação com o décimo maior terminal de contêineres do mundo, o Brasil amplia sua rede de influências no estratégico Estreito de Malaca. Essa articulação é necessária para que o país deixe de ser um espectador das rotas globais e passe a ser um ponto de escala obrigatório nas rotas de longo curso.
Em suma, os recordes na balança comercial e a expansão da capacidade portuária no Nordeste demonstram uma maturidade operacional crescente do setor logístico brasileiro. A integração entre força produtiva, infraestrutura eficiente e diplomacia estratégica cria um cenário propício para o desenvolvimento sustentado, garantindo que o país aproveite as janelas de oportunidade no mercado internacional.
Mesmo diante de gargalos históricos de infraestrutura, os resultados de 2025 e o início de 2026 mostram que o Brasil avança com resiliência e planejamento. O crescimento robusto das exportações e a prospecção de novas rotas internacionais confirmam que, embora o caminho da modernização seja longo, estamos evoluindo e consolidando nosso papel como um player indispensável no comércio marítimo global.