Crescimento Recorde e a Ameaça Climática Iminente

A região Nordeste do Brasil comemorou em 2025 um marco histórico na logística nacional, com a movimentação de 60,7 milhões de toneladas via cabotagem, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Esse avanço, que supera os 60,3 milhões de toneladas de 2024, destaca a força dos portos da Bahia, Maranhão, Ceará e Pernambuco. No entanto, esse sucesso econômico é confrontado por uma crescente vulnerabilidade aos eventos climáticos extremos, uma realidade que a tragédia das enchentes no Rio Grande do Sul em 2024 evidenciou de forma devastadora, levantando um alerta sobre a necessidade urgente de resiliência na infraestrutura portuária nacional.

A Força da Cabotagem Nordestina

A expansão da cabotagem na região é um pilar para o desenvolvimento econômico. Os portos da Bahia lideraram com 15,3 milhões de toneladas, seguidos de perto pelo Maranhão (14,6 milhões), Ceará (12,9 milhões) e Pernambuco (12,8 milhões). Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, o resultado reforça a cabotagem como um instrumento estratégico. “O fortalecimento da cabotagem amplia a eficiência logística, reduz custos para quem produz e garante mais estabilidade no abastecimento. Isso gera competitividade e desenvolvimento para os estados”, afirmou.

Produtos como petróleo (13,3 milhões de toneladas), contêineres (12,5 milhões) e derivados de petróleo (11,7 milhões) foram os mais transportados, mostrando a importância do modal para o fornecimento de energia e insumos industriais. Segundo o secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Luiz Burlier, o avanço está diretamente ligado à previsibilidade trazida pelo programa BR do Mar, que modernizou as regras e ampliou a segurança regulatória do setor.

A Lição do Sul e os Custos da Inação

Enquanto o Nordeste celebra, a memória da catástrofe no Rio Grande do Sul serve como um aviso sombrio. As enchentes de 2024 causaram prejuízos de R$ 156,2 milhões ao setor portuário gaúcho, principalmente com custos de dragagem e limpeza. O acúmulo de sedimentos reduziu drasticamente a capacidade operacional dos portos de Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre, paralisando cadeias logísticas essenciais. Esses eventos não são surpresas; uma nota técnica de 2024 do Cemaden e do Ministério da Ciência e Tecnologia já alertava para o risco elevado de desastres no país.

Os custos das paralisações portuárias são globais e substanciais. Uma pesquisa da NavClimate (2018-2019) revelou que 28% dos eventos climáticos extremos geraram paralisações superiores a 24 horas e, em 26% dos casos, os danos operacionais ultrapassaram US$ 100 milhões, quantificando o enorme prejuízo da inatividade portuária.

A Urgência da Adaptação Estruturada

A ciência e os fatos indicam que a adaptação não é mais opcional. Nathan Debortoli, Gerente de Projetos de Risco Climático e Adaptação da Ausenco, ressalta a urgência. “Há necessidade urgente de agir para adaptar a infraestrutura existente, considerando que em 2024 já ultrapassamos a meta do Acordo de Paris, que visava limitar o aquecimento a 1,5°C”, destaca. A adaptação requer uma abordagem técnica e planejada para proteger os ativos e garantir a continuidade das operações.

Empresas como a Ausenco oferecem soluções holísticas para enfrentar esses desafios. Com base em protocolos internacionais, a empresa desenvolve diagnósticos climáticos completos, identifica áreas de risco e elabora planos de adaptação que incluem melhorias de infraestrutura e soluções baseadas na natureza. Essa abordagem também auxilia no cumprimento da Lei 14.904, de junho de 2024, que estabelece diretrizes para planos de adaptação climática no Brasil, alinhando o setor portuário aos padrões internacionais de sustentabilidade.

Proteger o Presente para Garantir o Futuro

O crescimento da cabotagem no Nordeste é uma conquista que precisa ser protegida. A implementação de estratégias de adaptação climática não deve ser vista como um custo, mas como um investimento essencial para salvaguardar bilhões em infraestrutura e garantir a fluidez do comércio. O momento para os portos nordestinos agirem é agora, transformando a vulnerabilidade em resiliência. Como conclui Debortoli, “adaptar-se às mudanças climáticas não é mais uma escolha — é uma urgência necessária para proteger vidas, empregos e a viabilidade do setor portuário brasileiro.”