A logística brasileira apresenta um cenário de contrastes e complementaridades, evidenciado pelo robusto crescimento da cabotagem no Nordeste e, simultaneamente, pela discussão estratégica sobre o futuro do transporte aéreo. Enquanto o modal marítimo bate recordes, movimentando 60,7 milhões de toneladas em 2025, o setor aéreo se prepara para debater seus riscos e oportunidades em um painel liderado pela Allog, especialista em logística internacional, durante o evento Comexhoje no próximo dia 26 de fevereiro, em Curitiba (PR).
De acordo com dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), a movimentação via cabotagem nos portos do Nordeste entre janeiro e dezembro de 2025 superou o volume do ano anterior, que foi de 60,3 milhões de toneladas. A liderança dessa expansão se concentrou em quatro estados: Bahia (15,3 milhões de toneladas), Maranhão (14,6 milhões), Ceará (12,9 milhões) e Pernambuco (12,8 milhões), consolidando os complexos portuários locais como plataformas de integração nacional.
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, destacou que o resultado evidencia a força do transporte entre portos brasileiros como um instrumento estratégico para a competitividade industrial e o abastecimento regional. “O fortalecimento da cabotagem amplia a eficiência logística, reduz custos para quem produz e garante mais estabilidade no abastecimento. Isso gera competitividade e desenvolvimento para os estados”, afirmou o ministro.
A diversidade de cargas transportadas, como petróleo (13,3 milhões de toneladas), contêineres (12,5 milhões) e derivados de petróleo (11,7 milhões), demonstra o papel crucial do modal para manter as cadeias produtivas da região. Segundo o secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Luiz Burlier, o avanço é um reflexo direto da previsibilidade trazida pelo programa BR do Mar, que modernizou as regras do setor e ampliou a segurança regulatória.
Em outra frente, o setor de transporte aéreo se debruça sobre seus próprios desafios. O painel “Transporte aéreo 2026: riscos emergentes e oportunidades para quem quer sair na frente”, organizado pela Allog no Comexhoje, reunirá especialistas para traçar o futuro do modal. O encontro contará com a presença de René Genofre, diretor de Transporte Aéreo da Allog; Helton Duarte, executivo da Faurecia/Forvia; Davi Piza, gerente de Negócios da Zurich Aiport Brasil; e Rodrigo Viti, diretor Comercial e de Marketing da Allog.
René Genofre antecipa que o objetivo do debate é fornecer conteúdo prático e relevante. “A diversidade de visões acerca da cadeia logística que envolve o transporte aéreo de cargas garantirá conteúdo relevante e prático para o público do ComexHoje, apontando oportunidades e caminhos para empresas que buscam competitividade em um cenário de alta complexidade e expectativa de crescimento no setor”, explicou.
Bruno Curado, gerente da Allog em Curitiba, reforçou a importância do modal aéreo para setores que demandam agilidade e previsibilidade, especialmente em um polo industrial robusto como o Paraná. Durante o evento, a Allog também apresentará suas soluções tecnológicas, como a plataforma MyAllog, que oferece rastreabilidade e inteligência logística, destacando a tecnologia como um diferencial competitivo essencial para o futuro do comércio exterior.
A análise conjunta dos dois cenários revela a complexa dinâmica da matriz logística brasileira. De um lado, a cabotagem se consolida como uma solução eficiente para grandes volumes e longas distâncias, impulsionada por programas governamentais e pela necessidade de reduzir a dependência do modal rodoviário. Do outro, o transporte aéreo busca se antecipar às tendências para continuar sendo a opção vital para cargas de alto valor agregado e urgência.
A coexistência desses dois movimentos – a expansão consolidada da cabotagem e a prospecção estratégica do setor aéreo – sublinha o desafio do Brasil em otimizar sua infraestrutura de forma integrada. A superação dos gargalos logísticos e o aproveitamento das oportunidades de crescimento dependem da capacidade do país de harmonizar e alavancar as potencialidades de cada modal, garantindo uma rede de transportes mais resiliente, eficiente e competitiva no cenário global.