A Transpetro anunciou, em janeiro de 2026, ter alcançado pelo quarto ano consecutivo um recorde na movimentação de petróleo e derivados. Em 2025, a empresa movimentou 658 milhões de metros cúbicos em seus 46 terminais e 8,5 mil quilômetros de dutos, um aumento de 1,1% em relação a 2024. Este crescimento contínuo na logística de energia evidencia a necessidade de uma infraestrutura portuária robusta e moderna, capaz de suportar a demanda e garantir a segurança das operações com navios-tanque de grande porte.
O principal vetor desse crescimento foi a movimentação de derivados de petróleo, que subiu 2,7%, totalizando 221,3 milhões de metros cúbicos. Produtos como o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) e o diesel foram os destaques. Segundo a Transpetro, fatores como o início da operação do Complexo de Energias Boaventura da Petrobras, em Itaboraí (RJ), e a expansão do mercado consumidor no Centro-Oeste, atendido pelo Oleoduto São Paulo-Brasília (Osbra), foram determinantes para esses resultados.
Para escoar volumes tão expressivos, especialmente a crescente produção offshore, é fundamental que os portos brasileiros possam receber navios cada vez maiores. Essa necessidade impulsiona projetos de infraestrutura de grande escala, como o recentemente concluído no Complexo Portuário de Suape, em Pernambuco. A capacidade de atracação de grandes navios é um fator competitivo crucial para a logística de combustíveis.
Em uma iniciativa conjunta do Ministério de Portos e Aeroportos e da administração do porto, Suape finalizou as obras de dragagem de seu canal de acesso interno. O serviço, iniciado em agosto de 2025 e executado pelo consórcio formado pela holandesa Van Oord e pela belga Jan De Nul, aprofundou o canal de 10 metros para 16,2 metros. O investimento total foi de R$ 217 milhões, com aportes dos governos federal e estadual.
A obra em Suape não se limitou ao canal interno. A bacia de evolução e dois píeres de granéis líquidos também foram aprofundados, e o canal externo já havia sido homologado pela Marinha com 20 metros de profundidade. Segundo o diretor-presidente de Suape, Armando Monteiro Bisneto, esses investimentos são vitais para atrair novas empresas e consolidar o porto como um hub logístico, afirmando que “chegarão a Suape os grandes navios do mundo, melhorando a logística e trazendo vantagem para a nossa indústria”.
Contudo, um canal mais profundo é apenas parte da solução. A manobra segura de navios-tanque gigantescos exige embarcações de apoio com alta potência e tecnologia de ponta. Atenta a essa demanda, a Wilson Sons está renovando sua frota de rebocadores para atender a essa nova realidade portuária.
No final de janeiro de 2026, a companhia lançou o rebocador WS Halcyon, o primeiro de uma série de três novas embarcações de alta potência. Construído no estaleiro da própria empresa no Guarujá (SP), o rebocador possui propulsão azimutal e uma tração estática de 70 toneladas, características ideais para auxiliar na atracação e desatracação de grandes navios com segurança e eficiência.
O CEO da Wilson Sons, Arnaldo Calbucci, destacou que a incorporação das novas embarcações reafirma o compromisso da empresa com operações portuárias focadas em “segurança, eficiência e sustentabilidade”. Com a entrega dos próximos dois rebocadores da mesma classe prevista para 2026, a Wilson Sons reforça a capacidade do setor de apoio portuário em acompanhar a evolução da frota mercante mundial.
Em conclusão, o sucesso operacional da Transpetro está intrinsecamente ligado à capacidade de adaptação e modernização da infraestrutura portuária brasileira. Os investimentos em dragagem, como os vistos em Suape, e a modernização da frota de apoio, liderada por empresas como a Wilson Sons, formam um ciclo virtuoso. Essa sinergia garante não apenas o escoamento eficiente da produção de energia, mas também fortalece a competitividade do Brasil no cenário logístico global, preparando o país para um futuro de volumes ainda maiores e operações mais complexas.