O Rio Brasil Terminal, operado pelo grupo filipino ICTSI no Porto do Rio de Janeiro, prepara um investimento de R$ 948 milhões para elevar sua capacidade anual de 440 mil para 750 mil TEUs até 2029. Os primeiros novos guindastes estão previstos para chegar a partir de meados de 2026, antecipando a implantação de equipamentos antes da conclusão do conjunto de obras. O plano busca evitar a saturação projetada para o biênio 2027-2028 e adequar o berço à operação de navios maiores, conforme detalhado no plano divulgado.

Expansão começa antes da saturação

A meta parte de uma capacidade anual de 440 mil TEUs e prevê alcançar 750 mil TEUs, aumento de 70,5% na movimentação do terminal. O projeto foi estruturado para ampliar a capacidade operacional antes que a demanda pressione os limites atuais da instalação. A previsão de saturação para o biênio 2027-2028 ajuda a explicar por que a chegada dos equipamentos foi programada antes do encerramento das obras.

Esse salto de capacidade será construído em etapas. Os primeiros novos guindastes devem chegar a partir de meados de 2026, enquanto a conclusão geral do projeto está prevista para 2029. O cronograma coloca a renovação dos equipamentos como uma frente inicial da expansão e permite que o terminal avance na preparação operacional antes da entrega completa da infraestrutura.

A mesma lógica aparece na intervenção física prevista para o terminal. O projeto inclui a unificação dos pátios e a expansão de 18 mil m² da área operacional, mudanças que ampliam o espaço integrado de movimentação e armazenagem. A obra também contempla a compra de novos equipamentos e a preparação do berço para navios de maior porte, conectando a expansão terrestre à capacidade marítima.

Equipamentos mudam a escala operacional

Na frente financeira, a ICTSI distribuiu os R$ 948 milhões entre obras e equipamentos. Aproximadamente R$ 414,4 milhões serão destinados à infraestrutura, enquanto R$ 533,5 milhões financiarão a aquisição de equipamentos de ponta, conforme o detalhamento da operadora. A divisão mostra que a expansão depende tanto da área física quanto da capacidade dos ativos usados na operação diária.

A maior parcela dos recursos será aplicada em equipamentos que sustentam o atendimento aos navios e a movimentação no pátio. O plano prevê novos guindastes e sistemas de automação, ampliando a capacidade de execução das operações e incorporando controle tecnológico à modernização. A chegada dos primeiros guindastes em 2026 funciona, assim, como um dos primeiros marcos visíveis do programa.

A operação terrestre também receberá uma nova estrutura de entrada. A modernização inclui um novo gate com seis balanças, enquanto os pórticos ferroviários integram a expansão da movimentação ao atendimento por ferrovia. Esses elementos conectam o fluxo de caminhões e trens ao processamento de contêineres, uma exigência para que o aumento da capacidade não fique limitado ao cais.

Navios maiores exigem integração

A ampliação física prepara o berço para receber navios das classes New Panamax e Post-Panamax. O projeto não se limita ao aumento do número de contêineres movimentados, porque também ajusta o terminal para embarcações de maior porte. Essa adequação amplia a faixa de navios que poderá ser atendida no Porto do Rio quando as novas estruturas entrarem em operação.

Essa preparação alcança uma etapa posterior com a previsão de receber navios da classe ULCV, com capacidade de até 24 mil TEUs. O plano aprovado pelo Ministério de Portos e Aeroportos prevê o início imediato das obras e estabelece fases futuras nas quais a capacidade anual poderá chegar a 1,2 milhão de TEUs. A expansão, portanto, combina uma meta inicial para 2029 com espaço para crescimento posterior.

A escala naval precisa estar acompanhada de conexões terrestres capazes de distribuir as cargas. A ICTSI informa que o projeto busca consolidar o Porto do Rio como hub logístico para as regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. A estratégia também complementa aportes anteriores em corredores ferroviários como Rio-Minas e Rio-Suzano, com a finalidade de reduzir custos logísticos e tempos de espera nas operações portuárias.

O cronograma será o teste da expansão

O cronograma oferece indicadores objetivos para acompanhar a execução. A chegada dos primeiros guindastes está prevista para meados de 2026, a conclusão das obras para 2029 e a expectativa da operadora é alcançar 75% de utilização da capacidade no ciclo 2029-2030. Esses marcos permitem avaliar se a expansão física e a aquisição de equipamentos estão avançando no ritmo necessário para afastar a saturação prevista.

Além dos marcos de obra, o acompanhamento deverá observar como a capacidade instalada será convertida em movimentação efetiva. A meta de 750 mil TEUs anuais informa o limite projetado para a primeira fase, mas os efeitos sobre os fluxos atendidos dependerão da integração entre pátios, gate, ferrovia e berço. A distribuição das cargas entre o Sudeste e o Centro-Oeste será um dos pontos a acompanhar durante a implantação.

Ao combinar investimento, automação, novos guindastes e atendimento a navios maiores, o Rio Brasil Terminal vincula sua estratégia de crescimento à modernização operacional. O próximo marco será a chegada dos equipamentos em 2026; depois, a entrega prevista para 2029 deverá mostrar se a capacidade de 750 mil TEUs pode ser sustentada com eficiência. Para o crescimento logístico brasileiro, a expansão acrescenta uma alternativa de maior escala no Porto do Rio e mantém aberta a possibilidade de chegar a 1,2 milhão de TEUs em fases futuras.