Em setembro de 2026, o Port of San Diego celebrou o 19º Green Port Month e apresentou avanços da Maritime Clean Air Strategy, enquanto representantes do Batumi Sea Port visitaram Hamburgo entre os dias 20 e 24 para estudar práticas de descarbonização antes de uma auditoria de recertificação. A aproximação entre os dois casos está na forma de acompanhar a transição ambiental: San Diego divulgou metas implementadas e resultados operacionais, e Batumi concentrou esforços na preparação de processos de gestão e verificação para outubro de 2026.
Metas precisam de uma régua própria
O balanço do porto norte-americano separa dois indicadores que não devem ser lidos como equivalentes. O Port of San Diego informou ter alcançado 67% das metas para 2026, enquanto registrou 88% dos objetivos da Estratégia de Ar Limpo desde 2021. O primeiro percentual está associado ao conjunto de metas previsto para um ano específico; o segundo reúne objetivos acompanhados ao longo de um período mais amplo. Essa distinção evita que uma taxa de execução anual seja confundida com o avanço acumulado de uma estratégia.
A escala financeira aparece em outro indicador. As iniciativas de eletrificação marítima e eficiência de frete somam US$ 240 milhões em compromissos, valor que expressa recursos comprometidos com ações ambientais e operacionais. Esse montante, porém, não equivale automaticamente a uma redução de emissões já realizada. Para avaliar a entrega, é preciso observar os resultados medidos depois da implantação das iniciativas, separando compromisso financeiro, execução da meta e efeito ambiental registrado.
Essa leitura em camadas dá maior precisão ao acompanhamento portuário. Uma meta planejada indica o que a autoridade pretende alcançar; uma meta implementada mostra o que entrou em execução; e um resultado operacional mede o efeito obtido na atividade. No caso de San Diego, os percentuais de metas e os dados de emissões cumprem funções diferentes dentro da prestação de contas. A gestão ambiental deixa de depender de uma única taxa e passa a combinar planejamento, implementação e medição.
Batumi procura método antes da auditoria
A visita técnica de representantes do Batumi Sea Port a Hamburgo ocorreu de 20 a 24 de setembro de 2026, como parte do projeto da OSCE chamado Promoting Green Ports and Connectivity in the Caspian Sea Region. O objetivo foi estudar práticas que possam fortalecer a gestão ambiental do porto georgiano antes da auditoria de recertificação EcoPorts/PERS prevista para outubro de 2026. A sequência entre visita técnica e auditoria mostra que a adoção de soluções depende também de processos capazes de registrar e demonstrar seu funcionamento.
Um dos pontos examinados foi a contabilidade de emissões nos Escopos 1 e 2. Essa etapa organiza a identificação das emissões associadas às operações e ao consumo de energia sob responsabilidade direta ou relacionada à atividade portuária. Para uma autoridade portuária, essa separação oferece uma base para acompanhar fontes de emissão e comparar a evolução dos indicadores ao longo do tempo, em vez de limitar o programa ambiental a declarações gerais de intenção.
A análise também inclui o Escopo 3, ampliando a observação para emissões relacionadas à cadeia de valor. No terminal Tollerort, os representantes estudaram tecnologia de hidrogênio como referência de descarbonização. A combinação entre contabilidade e tecnologia aproxima a auditoria da operação real: o porto precisa saber quais emissões acompanha e, ao mesmo tempo, conhecer soluções que possam alterar o consumo energético e os processos observados.
Em Hamburgo, a delegação examinou ainda sistemas de energia em terra no terminal Burchardkai e automação no terminal Altenwerder. O shore power permite analisar como a infraestrutura elétrica participa da redução de emissões durante a permanência de embarcações, enquanto a automação oferece uma referência para organizar operações com maior controle dos processos. Esses estudos foram incorporados à preparação de Batumi para a recertificação, conectando tecnologia, gestão e verificação.
Resultados operacionais mostram o efeito da execução
Os números divulgados por San Diego mostram o que acontece quando os compromissos são relacionados a resultados ambientais medidos. As iniciativas de eletrificação marítima e eficiência de frete resultaram em redução de 75% no material particulado diesel, de 63% nos óxidos de nitrogênio e de 30% nos gases de efeito estufa. As três taxas não descrevem a mesma substância nem o mesmo efeito, por isso devem permanecer separadas na avaliação da estratégia de ar limpo.
A agenda ambiental do porto também incluiu a retirada de resíduos. Em 2026, foram removidas 93 toneladas de detritos marítimos e embarcações submersas. O dado registra uma ação física sobre o ambiente portuário e complementa os indicadores de emissões, mostrando que a gestão ambiental alcança tanto a qualidade do ar quanto a limpeza das áreas marítimas sob atuação do porto.
O componente comunitário foi medido separadamente. Voluntários coletaram 6.000 libras de lixo em 2026, número que não deve ser somado às 93 toneladas como se representasse a mesma operação. A diferença entre as métricas é parte do aprendizado de gestão: cada indicador precisa manter sua unidade, seu responsável e seu método de coleta para que a evolução ambiental possa ser auditada e comparada.
O próximo teste será a verificação
O próximo marco anunciado para Batumi é a auditoria de recertificação EcoPorts/PERS em outubro de 2026. Até lá, as referências observadas em Hamburgo deverão servir à organização do sistema de gestão ambiental, da contabilidade de emissões e do acompanhamento das soluções estudadas. O resultado dessa etapa permitirá verificar se o conhecimento obtido na visita foi convertido em procedimentos capazes de sustentar a recertificação.
San Diego e Batumi partem de posições diferentes, mas apresentam a mesma exigência de gestão: transformar compromissos ambientais em metas acompanháveis e resultados identificáveis. San Diego já divulgou percentuais de execução, investimentos comprometidos, reduções de emissões e ações de remoção de resíduos; Batumi prepara seus processos para uma avaliação formal. Para o setor portuário, a mensagem é direta: a transição ambiental ganha consistência quando cada promessa recebe indicador, prazo, método de acompanhamento e evidência operacional.