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title: "Portos do Mar Báltico unem metanol verde e economia circular"
author: "Redação"
date: "2026-09-03 12:10:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/09/03/portos-do-mar-baltico-unem-metanol-verde-e-economia-circular/md"
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## Resumo
- Klaipėda desenvolveu o conceito de uma embarcação de bunkering para metanol verde em águas rasas.
- O navio terá capacidade de 800 toneladas métricas e potencial para suprir 250.000 toneladas por ano.
- A Western Baltic Engineering criou o design, integrado à estratégia de transição energética e ao projeto H2Deri@BSP.
- Navios porta-contêineres movidos a metanol verde escalam Klaipėda regularmente desde setembro de 2024.
- O Circular Ports reúne seis pilotos no Mar Báltico, com orçamento de 4,15 milhões de euros entre 2025 e 2028.
- O piloto de Gdynia testa a conversão de resíduos de granéis em biogás e matérias-primas para produtos cerâmicos.

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O **Porto de Klaipėda**, na Lituânia, avançou em 2026 com o desenvolvimento do conceito de uma embarcação para abastecer navios com metanol verde e, na mesma região do Mar Báltico, portos passaram a testar soluções de economia circular entre **2025 e 2028**. As duas frentes respondem a problemas diferentes: uma reorganiza o fornecimento de combustível marítimo, enquanto a outra busca reaproveitar resíduos e materiais gerados nas operações portuárias. A conexão entre elas está na tentativa de transformar a sustentabilidade em infraestrutura e processos permanentes, sem tratar os projetos como uma única iniciativa.

## Klaipėda prepara o abastecimento

O conceito da embarcação foi criado pela **Western Baltic Engineering**, empresa integrante do Western Shipyard Group, para atender operações de bunkering em águas rasas. O projeto prevê capacidade de **800 toneladas métricas de metanol verde** e potencial para suprir 250.000 toneladas por ano. A iniciativa integra a estratégia de transição energética de Klaipėda e o projeto H2Deri@BSP, que busca acelerar o uso de combustíveis derivados de hidrogênio. O abastecimento dedicado cria uma base operacional para a adoção do combustível por navios que dependem de escalas regulares no porto.

Além da capacidade de carga, o desenho naval estabelece uma restrição operacional específica. A embarcação terá **69,36 metros de comprimento** e foi dimensionada para águas rasas e rotas locais, características que direcionam sua atuação para o entorno do porto e para serviços de curta distância. O projeto também está associado a um apoio financeiro de cerca de **100 milhões de euros do Banco Europeu de Investimento** destinado à modernização portuária e à transição energética no âmbito da expansão da rede TEN-T. A infraestrutura física, portanto, acompanha a adaptação do serviço de abastecimento.

Essa preparação ocorre depois de o porto começar a receber, desde **setembro de 2024**, navios porta-contêineres movidos a metanol verde, incluindo o Eco Umande, da X-Press Feeders. Em agosto de 2025, a autoridade portuária procurou consultoria avaliada em **70 mil euros** para detalhar a especificação da embarcação e analisar a viabilidade econômica do serviço. Klaipėda também mantém um Memorando de Entendimento com a suíça Proman, produtora de metanol. A sequência conecta demanda observada nos cais, planejamento técnico e avaliação comercial, etapas necessárias antes de uma operação regular.

## Resíduos entram na equação

Em paralelo ao combustível marítimo, o projeto **Circular Ports** organiza seis pilotos em portos da região do Mar Báltico para testar modelos de economia circular entre 2025 e 2028. Aalborg, Hamburgo, Lappeenranta, Tallinn, Norrköping e Gdańsk/Gdynia integram a iniciativa, que tem orçamento total de **4,15 milhões de euros**. O programa trabalha com gestão de resíduos, simbiose industrial e reciclagem de navios. A abordagem desloca a atenção da energia consumida pelos navios para os fluxos de materiais que entram, circulam e saem das áreas portuárias.

Entre as soluções apresentadas estão a transformação de **resíduos alimentares de embarcações em biogás** e a reciclagem de materiais de construção. O aproveitamento de materiais dragados também aparece entre as possibilidades avaliadas pelos projetos. Cada aplicação depende do tipo de resíduo, da separação na origem e da existência de uma utilização posterior para o material recuperado. Por isso, a economia circular portuária exige coordenação entre a operação do navio, a coleta no terminal e os agentes que recebem o produto processado.

O piloto de **Gdynia** concentra essa lógica ao testar a conversão de resíduos de granéis em biogás e em matérias-primas secundárias destinadas à fabricação de produtos cerâmicos. O objetivo operacional é dar uma nova função a materiais que seriam descartados, conectando a atividade portuária a cadeias industriais externas. Essa solução não substitui a embarcação de abastecimento de Klaipėda nem utiliza o mesmo sistema técnico. Ela representa outra frente de sustentabilidade, baseada no tratamento de resíduos e na reinserção de materiais em processos produtivos.

## A distância entre piloto e rotina

As diferenças entre as iniciativas ficam claras quando se observam seus requisitos. O bunkering de metanol depende de um projeto naval específico, de capacidade de armazenamento e abastecimento e de regras para a operação com o combustível. Já os pilotos de economia circular dependem da identificação dos resíduos, da triagem, do processamento e de destinos capazes de absorver biogás ou matérias-primas secundárias. Em ambos os casos, a solução tecnológica precisa se encaixar no fluxo diário do porto. A sustentabilidade passa, assim, pela compatibilidade entre equipamento, regulação e demanda.

O projeto de Klaipėda ainda está na etapa de especificação. Um workshop realizado em **16 de junho de 2026** reuniu partes interessadas para validar o design, os aspectos regulatórios e a prontidão do mercado. A previsão é que a especificação técnica final seja validada no início de **2027**, com atenção à flexibilidade regional, à capacidade dual-fuel e ao potencial de retrofit. O marco informado trata da validação técnica, não da entrada da embarcação em serviço, distinção que evita confundir conceito de engenharia com operação disponível aos armadores.

Nos portos do Circular Ports, a própria escolha de pilotos indica uma etapa de teste antes da ampliação das soluções. O programa precisa verificar como resíduos alimentares, materiais de construção, sedimentos dragados e resíduos de granéis podem ser separados, tratados e encaminhados para novos usos em diferentes instalações. A comparação com Klaipėda mostra duas rotas de execução: uma acrescenta capacidade de abastecimento para um combustível alternativo; a outra reorganiza fluxos materiais já presentes no porto. O próximo passo de cada frente será transformar especificações e experimentos em procedimentos repetíveis, com demanda e responsabilidades definidas.

A agenda do Mar Báltico combina, portanto, **transição energética** e economia circular sem fundir os projetos. Klaipėda prepara a validação técnica de um navio de bunkering de metanol verde, enquanto o Circular Ports mantém pilotos até 2028 para testar o reaproveitamento de resíduos e materiais. Para os administradores portuários, a lição prática está na necessidade de planejar combustível, infraestrutura e materiais como partes distintas da mesma política ambiental. O avanço dependerá dos próximos marcos concretos: a especificação final da embarcação e os resultados operacionais dos pilotos que já estão em teste.