O Porto de Klaipėda, na Lituânia, avançou em 2026 com o desenvolvimento do conceito de uma embarcação para abastecer navios com metanol verde e, na mesma região do Mar Báltico, portos passaram a testar soluções de economia circular entre 2025 e 2028. As duas frentes respondem a problemas diferentes: uma reorganiza o fornecimento de combustível marítimo, enquanto a outra busca reaproveitar resíduos e materiais gerados nas operações portuárias. A conexão entre elas está na tentativa de transformar a sustentabilidade em infraestrutura e processos permanentes, sem tratar os projetos como uma única iniciativa.

Klaipėda prepara o abastecimento

O conceito da embarcação foi criado pela Western Baltic Engineering, empresa integrante do Western Shipyard Group, para atender operações de bunkering em águas rasas. O projeto prevê capacidade de 800 toneladas métricas de metanol verde e potencial para suprir 250.000 toneladas por ano. A iniciativa integra a estratégia de transição energética de Klaipėda e o projeto H2Deri@BSP, que busca acelerar o uso de combustíveis derivados de hidrogênio. O abastecimento dedicado cria uma base operacional para a adoção do combustível por navios que dependem de escalas regulares no porto.

Além da capacidade de carga, o desenho naval estabelece uma restrição operacional específica. A embarcação terá 69,36 metros de comprimento e foi dimensionada para águas rasas e rotas locais, características que direcionam sua atuação para o entorno do porto e para serviços de curta distância. O projeto também está associado a um apoio financeiro de cerca de 100 milhões de euros do Banco Europeu de Investimento destinado à modernização portuária e à transição energética no âmbito da expansão da rede TEN-T. A infraestrutura física, portanto, acompanha a adaptação do serviço de abastecimento.

Essa preparação ocorre depois de o porto começar a receber, desde setembro de 2024, navios porta-contêineres movidos a metanol verde, incluindo o Eco Umande, da X-Press Feeders. Em agosto de 2025, a autoridade portuária procurou consultoria avaliada em 70 mil euros para detalhar a especificação da embarcação e analisar a viabilidade econômica do serviço. Klaipėda também mantém um Memorando de Entendimento com a suíça Proman, produtora de metanol. A sequência conecta demanda observada nos cais, planejamento técnico e avaliação comercial, etapas necessárias antes de uma operação regular.

Resíduos entram na equação

Em paralelo ao combustível marítimo, o projeto Circular Ports organiza seis pilotos em portos da região do Mar Báltico para testar modelos de economia circular entre 2025 e 2028. Aalborg, Hamburgo, Lappeenranta, Tallinn, Norrköping e Gdańsk/Gdynia integram a iniciativa, que tem orçamento total de 4,15 milhões de euros. O programa trabalha com gestão de resíduos, simbiose industrial e reciclagem de navios. A abordagem desloca a atenção da energia consumida pelos navios para os fluxos de materiais que entram, circulam e saem das áreas portuárias.

Entre as soluções apresentadas estão a transformação de resíduos alimentares de embarcações em biogás e a reciclagem de materiais de construção. O aproveitamento de materiais dragados também aparece entre as possibilidades avaliadas pelos projetos. Cada aplicação depende do tipo de resíduo, da separação na origem e da existência de uma utilização posterior para o material recuperado. Por isso, a economia circular portuária exige coordenação entre a operação do navio, a coleta no terminal e os agentes que recebem o produto processado.

O piloto de Gdynia concentra essa lógica ao testar a conversão de resíduos de granéis em biogás e em matérias-primas secundárias destinadas à fabricação de produtos cerâmicos. O objetivo operacional é dar uma nova função a materiais que seriam descartados, conectando a atividade portuária a cadeias industriais externas. Essa solução não substitui a embarcação de abastecimento de Klaipėda nem utiliza o mesmo sistema técnico. Ela representa outra frente de sustentabilidade, baseada no tratamento de resíduos e na reinserção de materiais em processos produtivos.

A distância entre piloto e rotina

As diferenças entre as iniciativas ficam claras quando se observam seus requisitos. O bunkering de metanol depende de um projeto naval específico, de capacidade de armazenamento e abastecimento e de regras para a operação com o combustível. Já os pilotos de economia circular dependem da identificação dos resíduos, da triagem, do processamento e de destinos capazes de absorver biogás ou matérias-primas secundárias. Em ambos os casos, a solução tecnológica precisa se encaixar no fluxo diário do porto. A sustentabilidade passa, assim, pela compatibilidade entre equipamento, regulação e demanda.

O projeto de Klaipėda ainda está na etapa de especificação. Um workshop realizado em 16 de junho de 2026 reuniu partes interessadas para validar o design, os aspectos regulatórios e a prontidão do mercado. A previsão é que a especificação técnica final seja validada no início de 2027, com atenção à flexibilidade regional, à capacidade dual-fuel e ao potencial de retrofit. O marco informado trata da validação técnica, não da entrada da embarcação em serviço, distinção que evita confundir conceito de engenharia com operação disponível aos armadores.

Nos portos do Circular Ports, a própria escolha de pilotos indica uma etapa de teste antes da ampliação das soluções. O programa precisa verificar como resíduos alimentares, materiais de construção, sedimentos dragados e resíduos de granéis podem ser separados, tratados e encaminhados para novos usos em diferentes instalações. A comparação com Klaipėda mostra duas rotas de execução: uma acrescenta capacidade de abastecimento para um combustível alternativo; a outra reorganiza fluxos materiais já presentes no porto. O próximo passo de cada frente será transformar especificações e experimentos em procedimentos repetíveis, com demanda e responsabilidades definidas.

A agenda do Mar Báltico combina, portanto, transição energética e economia circular sem fundir os projetos. Klaipėda prepara a validação técnica de um navio de bunkering de metanol verde, enquanto o Circular Ports mantém pilotos até 2028 para testar o reaproveitamento de resíduos e materiais. Para os administradores portuários, a lição prática está na necessidade de planejar combustível, infraestrutura e materiais como partes distintas da mesma política ambiental. O avanço dependerá dos próximos marcos concretos: a especificação final da embarcação e os resultados operacionais dos pilotos que já estão em teste.