---
title: "Compartilhamento de dados ganha força contra congestionamento portuário"
author: "Redação"
date: "2026-09-03 12:10:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/09/03/compartilhamento-de-dados-ganha-forca-contra-congestionamento-portuario/md"
---

## Resumo
- Os tempos médios de espera em portos globais quase dobraram nos primeiros sete meses de 2026 em comparação a 2019, enquanto a permanência de porta-contêineres subiu 31%.
- A capacidade portuária cresceu 21%, abaixo do avanço de 28% dos volumes, e terminais com 90% de utilização recuperam fluxos mais lentamente após interrupções.
- A Kaleris planeja o Cargo Data Exchange Hub para criar uma visão operacional compartilhada entre navios e terminais durante o ciclo da escala.
- A OCIANA utiliza inteligência artificial para prever chegadas, sincronizar a velocidade dos navios com a prontidão portuária e monitorar congestionamentos.
- O Cargo Controller Export, da Portbase, rastreia cargas de exportação em tempo real e gerencia cronogramas por meio de API.
- A API da Portbase segue os padrões BDI e integra dados automaticamente a sistemas de desembaraço aduaneiro e planejamento.
- As fontes descrevem objetivos e funcionalidades distintas, mas ainda não apresentam indicadores de resultados operacionais das soluções.

---

Os portos globais entraram em agosto e setembro de 2026 com riscos maiores de congestionamento, enquanto a **Kaleris** planejou o Cargo Data Exchange Hub para aproximar operações de navios e terminais e a **Portbase** lançou, em 18 de maio, o Cargo Controller Export. As iniciativas buscam organizar dados de escalas, cargas e cronogramas para apoiar decisões entre diferentes participantes da operação portuária. A movimentação ganha peso porque os tempos de espera aumentaram e a expansão da capacidade dos terminais ficou abaixo do crescimento dos volumes movimentados, pressionando infraestruturas que já operam com alta utilização.

## A fila começa antes da atracação

Um relatório da **Drewry** indica que os tempos médios de espera em portos globais quase dobraram nos primeiros sete meses de 2026 em comparação a 2019. O dado coloca a disponibilidade de informação no centro da gestão da escala, porque a fila deixa de ser um evento isolado no cais e passa a afetar a programação de navios, terminais e cargas. Quando os participantes trabalham com horários diferentes ou atualizações defasadas, a capacidade existente fica mais difícil de coordenar, justamente no momento em que os tempos de atendimento já avançam.

O tempo médio de permanência de navios porta-contêineres nos portos subiu **31%** no período, com maior proporção do tempo gasto esperando por atracação. A espera pelo berço indica que parte do problema está na sincronização entre a chegada da embarcação e a prontidão da infraestrutura, e não apenas na execução das operações depois da atracação. Ferramentas que reúnem eventos de chegada, disponibilidade e alterações de cronograma procuram atuar nessa lacuna informacional, embora as fontes não apresentem uma redução comprovada dos tempos de permanência.

Entre os fatores apontados estão o crescimento da capacidade portuária abaixo do crescimento dos volumes, de **21% contra 28%**, e a alta utilização dos terminais. A diferença reduz a margem disponível para absorver variações na programação, enquanto terminais com **90% de utilização** levam mais tempo para recuperar os fluxos após interrupções do que instalações com 75% de ocupação. Nesse ambiente, o compartilhamento de dados funciona como instrumento de coordenação, pois permite que decisões sobre chegada, berço e sequência operacional partam de uma referência comum.

## Uma visão comum para a escala

Foi nesse ponto que a **Kaleris** anunciou o planejamento do Cargo Data Exchange Hub, uma iniciativa destinada a integrar as operações entre navios e terminais. O objetivo é criar uma visão operacional compartilhada para apoiar a tomada de decisões ao longo do ciclo de vida da escala portuária. A proposta desloca o foco da troca fragmentada de mensagens para a organização dos eventos que determinam o atendimento da embarcação, desde a preparação até a conclusão das atividades no terminal. O projeto ainda está descrito como planejamento, sem indicadores divulgados de desempenho ou prazo de implantação.

Outra frente utiliza inteligência artificial para antecipar mudanças na operação marítima. Em **31 de agosto de 2026**, a Global Spatial Technology Solutions anunciou o rebranding para **OCIANA**, unificando o nome corporativo ao de sua principal plataforma de inteligência marítima. A solução utiliza IA para prever chegadas, sincronizar a velocidade dos navios com a prontidão portuária e monitorar congestionamentos. Esses recursos são apresentados como meios para reduzir emissões e aumentar a resiliência da cadeia de suprimentos marítima, mas as fontes não informam resultados operacionais alcançados.

A OCIANA também foi apresentada como uma camada de conexão para sistemas de gestão portuária e navegação já existentes, em vez de uma substituição completa dessas estruturas. A empresa planeja ampliar a rede conectada para incluir **portos, companhias marítimas e autoridades de pilotagem**, substituindo a coordenação baseada em telefone, e-mail e papel por uma visão compartilhada em tempo real. Essa arquitetura aproxima a previsão da execução, porque a informação sobre a chegada prevista pode ser relacionada à prontidão do porto e às condições de atendimento antes que a embarcação entre na fila.

## Da API ao planejamento da carga

A experiência da **Portbase** mostra como o compartilhamento pode começar por um fluxo específico da cadeia logística. Lançado em 18 de maio de 2026, o Cargo Controller Export permite o rastreamento em tempo real das cargas e a gestão de cronogramas de exportação. O serviço organiza informações que precisam circular entre usuários, sistemas internos e participantes da operação, oferecendo uma base para acompanhar alterações ao longo do processo. Em vez de depender exclusivamente de consultas isoladas, o usuário passa a trabalhar com eventos atualizados em uma estrutura digital voltada ao fluxo de exportação.

A API do Cargo Controller Export foi desenvolvida sob os padrões **BDI**, ou Basic Data Infrastructure, permitindo a integração automática com sistemas internos usados no desembaraço aduaneiro e no planejamento. A conexão elimina a necessidade de entrada manual de dados e de consultas manuais em sites de terminais e armadores. Esse desenho reduz etapas de transcrição e cria uma passagem direta entre o evento operacional e o sistema que precisa utilizá-lo, condição necessária para que a informação tenha valor no planejamento e não permaneça restrita a uma tela ou organização.

As soluções descritas ocupam camadas diferentes da coordenação portuária. Uma concentra-se na colaboração entre navios e terminais durante a escala, outra organiza o fluxo de exportação por API e a terceira acrescenta previsão e inteligência sobre chegadas e congestionamentos. O ponto comum está na transformação de dados dispersos em uma referência operacional compartilhada, mas cada proposta tem escopo próprio e não deve ser tratada como se produzisse o mesmo resultado. Até o momento, os materiais analisados descrevem objetivos, funcionalidades e planos de expansão, sem divulgar indicadores que permitam medir ganhos efetivos de produtividade ou redução de filas.

A contribuição mais imediata do compartilhamento de dados está na possibilidade de alinhar decisões antes que a espera se converta em permanência adicional no porto. A **Kaleris** trabalha na integração entre navios e terminais, enquanto a **OCIANA** acrescenta previsão de chegada e coordenação de velocidade associada à prontidão portuária. Juntas, essas frentes ilustram uma mudança de método: o dado deixa de servir apenas ao registro posterior da operação e passa a apoiar a preparação da escala, a identificação de congestionamentos e a comunicação entre organizações que dependem umas das outras.

Os próximos passos anunciados concentram-se na ampliação da integração. A **Kaleris** planeja desenvolver o Cargo Data Exchange Hub para sustentar uma visão operacional comum ao longo da escala, e a **OCIANA** pretende expandir sua rede para conectar portos, companhias marítimas e autoridades de pilotagem. O avanço dependerá da adesão dos participantes e da capacidade de conectar sistemas existentes sem criar novas ilhas de informação. Enquanto as filas continuarem pressionando terminais com alta utilização, a qualidade e a circulação dos dados serão tão importantes quanto a ferramenta escolhida para tratá-los.