Um estudo publicado em 31 de agosto de 2026 na revista Environmental Monitoring and Assessment analisou poluentes atmosféricos no Porto de Alexandria, no Egito. No Brasil, o XXXIII Encontro Cooperaportos ocorreu de 26 a 28 de agosto de 2026, no Espírito Santo, com foco em sustentabilidade, segurança e gestão ambiental. A aproximação entre as duas frentes coloca a medição da qualidade do ar ao lado do debate sobre licenciamento, descarbonização e relação porto-cidade, sem transferir para portos brasileiros conclusões obtidas no estudo egípcio.

A cidade aparece dentro da régua ambiental

A pesquisa egípcia monitorou poluentes em 11 locais dentro do Porto de Alexandria e em 13 locais urbanos adjacentes, entre maio e outubro de 2022. O desenho distribuiu a observação entre a área operacional e a vizinhança urbana, permitindo comparar a exposição nos dois espaços. Para a gestão portuária, esse recorte aproxima a operação de carga da área onde a atividade portuária encontra a cidade, que é justamente o elo tratado no debate sobre governança ambiental.

Os resultados indicaram associação entre o manuseio de combustíveis e fertilizantes a granel e concentrações elevadas de monóxido de carbono (CO) e amônia (NH₃). A informação delimita o problema às atividades observadas no Porto de Alexandria e não autoriza afirmar que a mesma relação ocorra em instalações brasileiras. A utilidade do achado está em mostrar como a origem da emissão pode ser relacionada ao tipo de carga e ao momento da operação, desde que o porto disponha de medição compatível.

O período de observação também define o alcance do estudo: trata-se de um monitoramento de curto prazo realizado com dados coletados em 2022, embora a publicação tenha ocorrido em 2026. Essa diferença entre coleta e divulgação ajuda o leitor a separar o resultado científico do momento em que ele entrou no debate público. Para decisões locais, a escolha dos pontos de amostragem e a continuidade da série são aspectos da qualificação da evidência, sem que o caso de Alexandria seja convertido em diagnóstico de outros portos.

O estudo reforçou a necessidade de estratégias de "Porto Verde" para mitigar os efeitos da interface porto-cidade. Também observou que condições de trabalho intenso de navios e carga podem gerar níveis de poluentes considerados insalubres segundo o Índice de Qualidade do Ar (AQI). A referência ao AQI dá uma régua de comunicação para os episódios identificados e conecta o dado técnico à proteção das áreas urbanas, sem substituir a análise específica de cada local. É nesse ponto que a medição deixa de ser um registro isolado e passa a orientar a gestão ambiental portuária.

Regulação precisa conversar com medição

O debate brasileiro avançou em paralelo no XXXIII Encontro Cooperaportos, realizado de 26 a 28 de agosto de 2026 no Espírito Santo. O encontro adotou o tema "Portos na Fronteira ESG" e reuniu a ANTAQ, o Ibama, a Marinha do Brasil e o setor privado. A programação colocou a governança ambiental no centro da discussão, em vez de tratar a qualidade ambiental como etapa separada da operação. A agenda institucional cria espaço para que indicadores e procedimentos de campo sejam discutidos com os responsáveis por licenciamento e gestão.

Entre os temas do encontro estiveram o novo marco do licenciamento ambiental e a descarbonização. Na programação, os dois assuntos apareceram associados à discussão sobre a transformação das práticas portuárias e ao acompanhamento dos efeitos ambientais. A aproximação entre licença e redução de emissões amplia a exigência sobre a qualidade das informações usadas na decisão. Sem dados de operação e de ambiente, a regra perde capacidade de acompanhar o que ocorre na interface porto-cidade; por isso, o debate regulatório encontra no monitoramento verificável um apoio técnico.

A discussão também incluiu emergências ambientais e segurança operacional, duas frentes que afetam a resposta a ocorrências durante a atividade portuária. O programa tratou ainda da gestão de bioincrustação e da relação porto-cidade, mantendo a conexão entre controle operacional e efeitos ambientais. Ao colocar a resposta a emergências junto da segurança, o encontro ampliou a pauta para além do licenciamento documental. Essa integração conversa com a lógica do estudo de Alexandria, que associou condições de trabalho intenso de navios e carga a níveis de poluentes classificados pelo AQI.

A ANTAQ também destacou a revisão do Índice de Desempenho Ambiental (IDA) 2027 e a apresentação de um estudo sobre resiliência climática desenvolvido em parceria com a GIZ. O fórum integra a Agenda Ambiental e de Segurança Aquaviária (AASA) 2025/2026 da agência e foi criado em 2000. Sua organização resulta de um Protocolo de Intenções firmado entre a ANTAQ e entidades setoriais. A revisão do IDA 2027 liga a discussão sobre medição a um instrumento institucional brasileiro, enquanto a resiliência climática adiciona outra dimensão à gestão ambiental.

Os dois materiais apontam para a mesma necessidade operacional: medir o efeito da atividade portuária e usar a informação na governança, cada qual dentro do seu alcance. Alexandria oferece um caso científico localizado, com 24 pontos de observação e associação entre cargas específicas e poluentes; o Cooperaportos oferece a agenda brasileira de regras, indicadores, segurança e resiliência. A agenda brasileira inclui a revisão do IDA 2027 e o estudo de resiliência climática apresentado pela ANTAQ em parceria com a GIZ. A combinação de medição e gestão oferece ao setor portuário brasileiro um caminho de aperfeiçoamento, com decisões ambientais mais conectadas ao que ocorre na operação.