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title: "Porto de Santos conecta 5G e sensores à operação digital"
author: "Redação"
date: "2026-08-31 12:05:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/08/31/porto-de-santos-conecta-5g-e-sensores-a-operacao-digital/md"
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## Resumo
- A APS iniciou em 25 de agosto de 2026 a instalação de uma rede privativa 5G no Porto de Santos.
- O projeto Porto de Santos Conecta prevê R$ 31 milhões em três anos e atenderá áreas administrativas e de cais.
- A Santos Brasil investiu R$ 55 milhões em transformação digital entre 2023 e 2025.
- As aplicações da operadora incluem monitoramento remoto de contêineres refrigerados, hidrômetros e sensores de fadiga em caminhões.
- O Gêmeo Digital da APS prevê R$ 59,1 milhões em cinco anos para simular tráfego de embarcações, cargas e uso de berços.
- As iniciativas são independentes e ainda não foram apresentadas como um único sistema integrado.
- O CdtPort terá construção prevista em 60 meses e receberá R$ 4,2 milhões para projetos de inovação entre 2025 e 2027.

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A **Autoridade Portuária de Santos** iniciou em **25 de agosto de 2026** a instalação de uma rede privativa 5G no Porto de Santos, enquanto a Santos Brasil executa um ciclo de **R$ 55 milhões** em tecnologia para seus terminais entre 2023 e 2025. As iniciativas não formam um único projeto nem estão descritas como integradas, mas revelam duas camadas da digitalização portuária: uma infraestrutura dedicada para transmitir dados e aplicações capazes de transformar sinais operacionais em decisões sobre cargas, equipamentos e segurança.

## A rede 5G prepara o caminho dos dados

A primeira camada é a conectividade. O projeto da **APS** faz parte do convênio Porto de Santos Conecta, firmado com o Itaipu Parquetec, e prevê investimento de cerca de **R$ 31 milhões ao longo de três anos**. A rede atenderá edifícios administrativos e áreas de cais em Valongo, Outeirinhos e Estuário, ampliando a infraestrutura de comunicação disponível para diferentes pontos do complexo portuário. A instalação descrita pela [BNamericas](https://www.bnamericas.com/en/news/aps-begins-5g-network-installation-at-the-port-of-santos) cria a base para que dados produzidos no território do porto possam circular de forma organizada entre equipamentos, sistemas e centros de controle.

Essa infraestrutura não deve ser confundida com uma aplicação específica. O 5G é a camada de comunicação, enquanto um sensor, um sistema de gestão ou um gêmeo digital define quais dados serão coletados, processados e usados. A distinção evita uma conclusão precipitada: a existência da rede não significa que os sistemas da Santos Brasil já estejam conectados à estrutura da APS. O valor técnico está na possibilidade de aproximar, no futuro, fontes de dados que hoje pertencem a projetos e responsáveis diferentes, desde que existam padrões de acesso, segurança e governança.

A própria APS conduz outra frente de digitalização com finalidade distinta. O projeto de **Gêmeo Digital** prevê **R$ 59,1 milhões em cinco anos** para criar uma réplica virtual do complexo portuário. Essa ferramenta permitirá simular o tráfego de embarcações, o movimento de cargas e o uso de berços como em um laboratório virtual, sem alterar fisicamente a operação. A conexão com o 5G aparece, portanto, como uma possibilidade de arquitetura: quanto mais confiáveis forem os dados alimentados no modelo, mais aderente poderá ser a representação digital, embora as fontes não indiquem que os dois projetos já estejam integrados.

## Os sensores levam a digitalização ao cais

No ambiente dos terminais, a **Santos Brasil** distribuiu o investimento de R$ 55 milhões entre **R$ 36 milhões em tecnologias** e R$ 19 milhões em infraestrutura de suporte. O pacote inclui Digital Twin e IoT, além de datacenter de hiperescala e conectividade SD-WAN. A empresa utiliza essas soluções para monitoramento em tempo real, segurança de cargas, eficiência operacional e redução do impacto ambiental. A tecnologia deixa de ser apenas uma ferramenta administrativa e passa a acompanhar eventos físicos que interferem diretamente no fluxo de contêineres.

Esse desenho aparece no monitoramento remoto de **contêineres refrigerados** e na identificação de vazamentos por meio de **hidrômetros**. O primeiro caso leva para os sistemas digitais informações sobre unidades que dependem de controle contínuo; o segundo transforma o consumo de água em sinal de uma possível ocorrência operacional. Em ambos, o dado nasce no equipamento ou na área monitorada e precisa chegar ao responsável pela decisão. É justamente nessa passagem que uma rede de comunicação dedicada pode complementar as aplicações, sem que isso signifique uma integração já realizada entre APS e Santos Brasil.

Na mesma lógica, a operação utiliza **sensores de fadiga em caminhões** e recursos de Machine Learning para ampliar a leitura sobre atividades realizadas no terminal. O sensor produz uma informação ligada à condição de condução, enquanto o aprendizado de máquina pode apoiar a interpretação de grandes volumes de registros. A fonte também inclui realidade aumentada no conjunto de tecnologias adotadas, aproximando instruções digitais das tarefas executadas no espaço físico. O ponto comum entre essas soluções é a transformação de ocorrências operacionais em dados que podem ser acompanhados e analisados.

Além das aplicações baseadas em sensores, a Santos Brasil incorporou **modelos 3D** ao ciclo de transformação digital. A representação tridimensional ajuda a organizar visualmente elementos do terminal e se relaciona com o uso de realidade aumentada, embora cada recurso tenha função própria. O investimento também contempla drones, segundo a descrição do pacote tecnológico da companhia. A variedade de ferramentas mostra que a digitalização não depende de uma única aplicação, mas de uma combinação entre coleta, representação, processamento e transmissão de informações.

## Integração exige mais que conectividade

A separação entre as frentes públicas e privadas ajuda a identificar o que ainda precisa ser construído. A rede 5G da **APS** amplia a infraestrutura de comunicação em áreas definidas do porto; os sistemas da Santos Brasil geram dados a partir de suas operações e equipamentos. Para que uma informação produzida no terminal contribua para uma visão mais ampla do complexo, seriam necessários critérios compatíveis de compartilhamento e tratamento dos dados. As fontes consultadas não anunciam esse arranjo, por isso a conexão entre as iniciativas deve ser tratada como uma possibilidade técnica, não como um resultado já entregue.

A APS já vinha reforçando a base física de tecnologia da informação. Os investimentos em TIC da autoridade portuária ultrapassaram **R$ 24,4 milhões entre 2024 e maio de 2025**. Na região da Alemoa, a modernização incluiu cerca de **3 quilômetros de fibra óptica**, que substituiu o rádio, e a ampliação do sistema de câmeras de 12 para 32 unidades, com investimento superior a R$ 3 milhões. Essa infraestrutura acrescenta uma camada de comunicação e vigilância em uma área estratégica de granéis líquidos, complementando a expansão prevista para o 5G.

O próximo passo institucional também passa pela criação do **Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Gestão Portuária**, o CdtPort, formalizado pela APS em parceria com o Parque de Inovação Tecnológica de São José dos Campos. A construção está prevista para **60 meses**, e a autoridade anunciou R$ 4,2 milhões para projetos de inovação no biênio 2025-2027. Somados à rede 5G e aos modelos digitais, esses prazos indicam que a transformação tecnológica do Porto de Santos será formada por camadas sucessivas. O resultado dependerá menos da quantidade de ferramentas e mais da capacidade de fazê-las operar com objetivos, dados e responsabilidades bem definidos.