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title: "Suape cresce e estuda energia renovável para navios atracados"
author: "Redação"
date: "2026-08-29 12:07:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/08/29/suape-cresce-e-estuda-energia-renovavel-para-navios-atracados/md"
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## Resumo
- Suape movimentou 11,27 milhões de toneladas entre janeiro e maio de 2026, alta de 26,9%.
- Granéis líquidos somaram 7,45 milhões de toneladas, com crescimento de 41,9%.
- O porto recebeu 693 embarcações e movimentou 275.714 TEUs no período.
- Suape iniciou estudos para implantar o sistema OPS e fornecer energia renovável a navios atracados.
- A análise considera perfil energético das embarcações, subestações, cabos e viabilidade econômica.
- O complexo também reúne projetos de eletrificação de contêineres, e-metanol e regaseificação de gás natural.

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O Complexo Industrial Portuário de Suape registrou 11,27 milhões de toneladas movimentadas entre janeiro e maio de 2026, um crescimento de 26,9% em relação ao mesmo período de 2025. O Porto de Suape iniciou estudos técnicos para implementar a tecnologia de Onshore Power Supply (OPS), visando fornecer energia renovável a navios atracados. A combinação entre expansão da carga e avaliação de uma nova infraestrutura elétrica coloca operação e transição energética no mesmo eixo de planejamento, embora o fornecimento aos navios ainda não tenha sido implantado.

## Mais carga concentrada nos granéis líquidos

A alta foi impulsionada pelos granéis líquidos, que cresceram 41,9% e atingiram 7,45 milhões de toneladas devido à ampliação da capacidade da Refinaria Abreu e Lima (Rnest) para 130 mil barris por dia. Esse resultado dá à movimentação de derivados e outros líquidos um peso maior na leitura operacional de Suape até maio. Para a gestão portuária, a expansão desse fluxo exige coordenação entre disponibilidade de berços, circulação de embarcações e capacidade de atendimento na área industrial.

Esse avanço ocorreu junto com a movimentação de contêineres, que somou 275.714 TEUs no período. O crescimento dos contêineres acrescenta uma frente distinta à operação, porque envolve unidades padronizadas, conexão com transporte terrestre e planejamento de pátio. A presença simultânea de cargas líquidas e conteinerizadas amplia a necessidade de organizar recursos por tipo de operação, especialmente quando o número de escalas também aumenta.

O fluxo de navios subiu 14,7%, com 693 embarcações recebidas entre janeiro e maio de 2026. Suape posicionou-se como o quarto porto público mais movimentado do país segundo a ANTAQ até maio de 2026. A posição e o volume de escalas dão dimensão ao ponto de partida do projeto elétrico: qualquer solução para navios atracados precisará atender uma operação que já apresenta maior circulação, e não uma estrutura com demanda estável.

## OPS depende de engenharia no cais

É nesse ponto que entra o estudo do OPS. O sistema permite a conexão de navios à rede elétrica em terra, possibilitando o desligamento de geradores auxiliares movidos a combustíveis fósseis durante a atracação. A conexão desloca parte do consumo energético da embarcação para uma instalação em terra e exige compatibilidade entre o navio e o ponto de fornecimento. Para Suape, a tecnologia passa a ser avaliada dentro de uma operação que recebeu 693 embarcações no período analisado.

A lógica ambiental da medida está associada à redução de emissões de gases de efeito estufa, ruídos e vibrações, além do alinhamento do porto a exigências ambientais internacionais. Esses efeitos estão diretamente ligados ao tempo em que o navio permanece atracado e mantém seus geradores auxiliares em funcionamento. A adoção de energia renovável no cais, portanto, não depende apenas da instalação de tomadas industriais, mas da capacidade de entregar eletricidade compatível com a rotina operacional e com os requisitos das embarcações.

Para transformar a avaliação em implantação, Suape analisa o perfil energético das embarcações, a infraestrutura necessária, incluindo subestações e cabos, e a viabilidade econômica de uma implementação por etapas. O estudo também considera a escolha dos pontos de atendimento, porque diferentes berços podem apresentar necessidades distintas de adaptação. A [avaliação técnica do OPS](https://www.trendsce.com.br/2026/08/28/suape-estuda-energia-renovavel-para-abastecer-navios-atracados) separa a intenção ambiental da decisão de investimento, que dependerá dos dados obtidos durante essa fase.

## Expansão exige energia em várias frentes

Enquanto o OPS permanece em avaliação, a expansão física do complexo já inclui um novo terminal de contêineres da APM Terminals, subsidiária da Maersk, projetado para ser o primeiro 100% eletrificado da América Latina, com operação prevista para o segundo semestre de 2026. O projeto adiciona uma referência concreta de eletrificação à infraestrutura de Suape. A diferença é que o terminal está associado a uma obra em construção, enquanto o abastecimento elétrico de navios ainda depende de estudos de berços, redes e custos.

Na mesma linha de transição energética, o acordo para instalar uma indústria de e-metanol no complexo prevê investimentos estimados em R$ 2 bilhões e início de operação em julho de 2028. O projeto segue o modelo de planta de metanol verde, combustível marítimo derivado de hidrogênio renovável, da European Energy na Dinamarca. O prazo coloca a produção de combustível marítimo renovável como uma frente de médio prazo, complementar à eletrificação durante a permanência dos navios no cais.

Em outra frente, o projeto de terminal de regaseificação de gás natural liquefeito em Suape foi aprovado pelo Comitê Gestor do PAC com investimentos de quase R$ 2 bilhões. A instalação contará com uma unidade flutuante de armazenamento e regaseificação para ampliar a oferta de gás natural no Brasil a partir de Pernambuco. Essa infraestrutura amplia a capacidade energética associada ao complexo, mas cumpre uma função diferente do OPS, que está sendo estudado para fornecer eletricidade aos navios atracados.

Tomados em conjunto, os projetos mostram que o crescimento operacional de Suape está sendo acompanhado por decisões sobre como produzir, distribuir e utilizar energia no complexo. O diretor de Sustentabilidade e Inovação, Sóstenes Alcoforado, afirmou que os estudos técnicos identificarão berços prioritários e necessidades de adaptação física nos píeres e redes elétricas. A iniciativa busca posicionar Suape frente às demandas globais de sustentabilidade no setor marítimo, mas o próximo passo depende da conclusão dessa avaliação e da definição de uma implantação por etapas.