Em 26 de agosto de 2026, o Porto Itapoá inaugurou seu primeiro escritório internacional em Xangai, na China. A unidade foi criada para aproximar o terminal de clientes, armadores e parceiros logísticos do mercado asiático, além de apoiar a prospecção de negócios e o acompanhamento dos fluxos de comércio. A iniciativa responde ao peso da China nas operações do porto, que teve o país como origem de 49,4% das importações e destino de 17,9% das exportações no primeiro semestre de 2026.
A China já concentra parte dos fluxos do terminal
Os percentuais registrados no primeiro semestre de 2026 ajudam a explicar a escolha de Xangai como ponto de presença internacional. A China respondeu por 49,4% das importações movimentadas pelo Porto Itapoá no período, proporção que coloca o mercado chinês no centro das relações comerciais acompanhadas pelo terminal. Para uma operação portuária, esse tipo de concentração amplia a necessidade de acompanhar de perto a demanda, a produção e os serviços marítimos que interferem na logística internacional.
Do lado das saídas, 17,9% das exportações do Porto Itapoá tiveram a China como destino entre janeiro e junho de 2026. O fluxo incluiu cargas de papel, celulose e carnes, produtos que conectam a atividade do terminal às cadeias de comércio entre empresas brasileiras e compradores asiáticos. A presença física em Xangai passa a apoiar o relacionamento com os agentes envolvidos nessa circulação de mercadorias, mantendo o foco comercial e logístico definido para a unidade.
Essa distribuição dos fluxos orienta o trabalho do novo escritório para além do acompanhamento de embarques isolados. A estrutura deverá monitorar variáveis de demanda, produção e serviços marítimos capazes de alterar a logística internacional, enquanto reúne informações sobre mudanças nas cadeias de suprimentos. O objetivo declarado é antecipar esses movimentos para clientes brasileiros e identificar oportunidades de negócios ligadas à relação comercial com a China.
Relacionamento passa a ser acompanhado de perto
A atuação em Xangai foi organizada para aproximar o terminal de diferentes participantes da cadeia logística. O escritório terá contato com clientes e armadores e também manterá relacionamento com tradings e parceiros logísticos. Essa proximidade permite que o Porto Itapoá acompanhe as necessidades de empresas que utilizam suas operações e observe, no próprio mercado asiático, mudanças que possam influenciar a origem ou o destino das cargas.
A prospecção de negócios forma outra frente da unidade. O Porto Itapoá pretende fortalecer a busca por novas cargas e apoiar empresas chinesas interessadas em atuar ou investir no território brasileiro. A função combina relacionamento comercial com leitura das movimentações de mercado, sem atribuir ao escritório a operação de novos serviços portuários. O trabalho concentra-se na conexão entre empresas, cargas e operações logísticas já relacionadas ao comércio entre os dois países.
O monitoramento também tem uma dimensão de inteligência de mercado. Ao observar mudanças na demanda asiática, na produção e nos serviços marítimos, a equipe em Xangai poderá reunir informações para clientes brasileiros que dependem da logística internacional. A proposta é antecipar alterações nas cadeias de suprimentos e ampliar a capacidade de relacionamento do terminal com empresas que participam desses fluxos, mantendo a China como referência principal da atuação internacional.
Porto e governo catarinense dividem a mesma base
A unidade do Porto Itapoá funcionará no mesmo edifício da representação do Governo de Santa Catarina em Xangai, a InvestSC. A proximidade física aproxima duas frentes voltadas ao relacionamento com o mercado chinês: a atuação comercial e logística do terminal e o trabalho estadual de atração de investimentos. A abertura do escritório do porto, portanto, foi articulada dentro de uma estrutura que já contava com presença institucional catarinense na cidade.
A InvestSC mantém seu escritório em Xangai desde novembro de 2025. A soma das duas presenças sustenta uma estratégia de aproximação com capitais chineses interessados em projetos de infraestrutura e indústria em Santa Catarina. Para o Porto Itapoá, essa conexão amplia o contato com empresas que podem avaliar operações ou investimentos no Brasil e reforça a relação entre decisões industriais e disponibilidade logística.
A inauguração contou com o acompanhamento do embaixador da China no Brasil, Zhu Qingquiao. A presença do diplomata ocorreu durante um movimento que reúne o terminal catarinense e o Governo de Santa Catarina em Xangai. A unidade do Porto Itapoá passa, assim, a integrar uma frente de relacionamento comercial e institucional voltada à China, com atenção à prospecção de cargas, ao suporte a empresas e à leitura dos fluxos que conectam os dois mercados.
A abertura do escritório em Xangai coloca a presença internacional do Porto Itapoá em uma posição diretamente ligada aos fluxos que já sustentam sua relação com a China. Os dados do primeiro semestre de 2026 definem a dimensão dessa conexão, enquanto a atuação comercial e o monitoramento de mercado estabelecem o uso previsto para a nova estrutura. Ao operar junto à InvestSC, o terminal também participa de uma aproximação catarinense com investimentos chineses em infraestrutura e indústria, ampliando a inserção do Brasil nas cadeias logísticas asiáticas por meio de relacionamento e informação de mercado.