A Autoridade Portuária Nacional (APN) do Peru, vinculada ao Ministério dos Transportes e Comunicações, aprovou a Resolução N° 78-2026-APN-PD, que institui um Plano de Ação abrangente para enfrentar os riscos do Fenômeno El Niño. Em 2026, a medida coloca o monitoramento permanente em tempo real no centro da gestão dos terminais, com videovigilância no Porto de Callao e coleta de dados em outras regiões. A iniciativa busca antecipar os efeitos de chuvas e inundações, coordenar respostas rápidas e preservar a continuidade da logística de carga no Sistema Portuário Nacional.

O CCCRE amplia o campo de visão

Nesse arranjo, a estrutura de controle permite que a APN acompanhe informações operacionais antes que uma ocorrência climática interrompa o funcionamento dos terminais. O Centro de Controle, Comunicações e Resposta a Emergências, conhecido pela sigla CCCRE, conecta o acompanhamento das instalações à coordenação das providências previstas para cada emergência. A descrição da iniciativa está disponível na implantação do monitoramento portuário em tempo real, que apresenta o centro como instrumento de observação contínua do sistema peruano.

Dentro dessa estrutura, o CCCRE utiliza câmeras de videovigilância em Callao, incluindo as áreas da APM Terminals e da DP World, e coleta dados de terminais localizados em outras regiões. A combinação entre imagens e informações remotas amplia a capacidade de acompanhamento da APN sobre instalações com características distintas. O alcance regional também evita que a resposta fique restrita ao principal complexo portuário do país, transferindo para a autoridade uma visão integrada dos pontos que participam do fluxo de cargas. Nesse modelo, Callao funciona como uma das principais referências visuais da operação monitorada.

A finalidade declarada é antecipar os impactos de chuvas e inundações do El Niño, coordenar respostas rápidas e garantir a continuidade da logística de carga. O CCCRE, portanto, cumpre uma função que vai além do registro de imagens: ele apoia a passagem da observação para a tomada de decisão durante uma emergência. Para os terminais, a informação reunida pelo centro serve de base para acionar procedimentos de resposta e reduzir o intervalo entre a identificação de uma ocorrência e a articulação institucional. A continuidade da carga aparece como o resultado operacional que orienta o sistema.

Três eixos organizam a reação

A formalização do plano por meio da Resolução N° 78-2026-APN-PD dá uma moldura administrativa às ações de preparação dos portos. O documento estabelece três eixos: prevenção, resposta e recuperação. Essa divisão ordena as medidas conforme o momento da ocorrência, desde a verificação antecipada das condições físicas até os procedimentos posteriores ao evento. A Resolução N° 78-2026-APN-PD transforma o enfrentamento do El Niño em uma agenda organizada para o Sistema Portuário Nacional.

A resposta peruana combina monitoramento constante via CCCRE, inspeções preventivas de infraestrutura e drenagem e protocolos de resposta a emergências. A prevenção busca verificar as condições que podem comprometer as instalações; a resposta define como os envolvidos devem agir durante uma ocorrência; e a recuperação orienta o retorno das operações após o episódio. A separação em três pilares oferece uma sequência para a atuação da autoridade e dos terminais, com o monitoramento constante fornecendo informações para as etapas seguintes.

Para que os três eixos funcionem, o plano envolve a coordenação entre a APN, os operadores portuários e atores públicos e privados. Essa articulação distribui responsabilidades entre quem regula o sistema, quem administra os terminais e quem participa das providências de emergência. O objetivo é mitigar riscos à infraestrutura e garantir o fluxo de importação e exportação, evitando que a resposta dependa de uma única organização. A coordenação entre setores conecta a vigilância do CCCRE às medidas executadas no território.

Rotas alternativas protegem a continuidade

O cadastro de terminais críticos acrescenta uma camada de prioridade à resposta. A APN catalogou os terminais de acordo com sua vulnerabilidade geográfica, considerando a proximidade com rios, os acessos terrestres e o estado da infraestrutura para definir onde a atuação deve ser priorizada em uma emergência climática. Esse registro transforma diferenças físicas entre as instalações em informação de gestão. A classificação por vulnerabilidade geográfica permite orientar os esforços de resposta para os pontos com maior exposição aos riscos descritos no plano.

Com esse diagnóstico, o plano também prevê a identificação de rotas alternativas de carga e a utilização da cabotagem em caso de interrupção de vias terrestres. A medida amplia as opções de deslocamento quando um acesso rodoviário deixar de atender ao fluxo operacional, mantendo a ligação entre os terminais e as cadeias de importação e exportação. A estratégia não substitui a prevenção da infraestrutura, mas cria caminhos de operação para situações em que a circulação terrestre seja afetada. As rotas alternativas de carga passam a integrar o planejamento de continuidade do sistema.

Na prática, o próximo passo é transformar o monitoramento e o cadastro de riscos em procedimentos aplicados pelos terminais. A APN deverá acompanhar os Planos de Continuidade Operacional dos terminais portuários públicos e privados, enquanto as inspeções de infraestrutura e drenagem e os protocolos de emergência sustentam a preparação prevista. O Peru reúne, assim, informação em tempo real, classificação de vulnerabilidades e alternativas logísticas dentro de uma mesma resposta ao El Niño. O resultado esperado é uma operação capaz de priorizar recursos e preservar o fluxo de cargas quando chuvas, inundações ou interrupções de acesso exigirem uma decisão rápida.