As agendas de Paranaguá e Itaqui estão tratando a inovação portuária por frentes complementares. A 5ª edição do InovaPortos foi realizada pela Portos do Paraná em Curitiba, nos dias 27 e 28 de agosto de 2024, enquanto a 6ª edição ocorreu em 17 e 18 de junho de 2025, no Multicenter Sebrae, com foco em inteligência artificial e transformação digital. Paralelamente, o Inova Itaqui reuniu representantes do setor portuário, empresas, universidades e instituições públicas para discutir tecnologia e desenvolvimento sustentável.
O Paraná aproxima inovação e operação
Na frente paranaense, a discussão partiu de problemas diretamente ligados à operação e à relação do porto com seu entorno. O evento, sediado no Museu Oscar Niemeyer, reuniu especialistas para debater eficiência, modernização e inovações ambientais, com painéis sobre IA, novas tecnologias e operações portuárias sustentáveis. Essa escolha de temas conecta a transformação digital à capacidade de manter processos mais organizados, previsíveis e compatíveis com as exigências ambientais, preparando o debate para soluções de gestão.
Essa discussão ganhou uma dimensão prática com o Sistema Integrado de Credenciamento e Serviços, o SICS, anunciado para unificar o cadastro de usuários que acessam o Porto de Paranaguá. A adesão ao sistema é obrigatória e ocorre de forma gradual, o que desloca a inovação do espaço dos eventos para uma rotina administrativa que envolve autorização de acesso e relacionamento com os usuários. Ao centralizar esse procedimento, a administração cria uma base comum para organizar o fluxo de informações e melhorar a governança da área portuária.
A mesma lógica aparece na gestão da infraestrutura. O diretor de Operações da Portos do Paraná apresentou um modelo baseado em indicadores e inovação tecnológica, enquanto o projeto Moegão foi associado a um investimento de R$ 592 milhões, com conclusão prevista para o segundo semestre de 2025. A combinação entre processos, métricas e obras mostra que a modernização não depende apenas de adquirir ferramentas digitais: ela também exige adequar a estrutura física que sustenta o recebimento e o encaminhamento de cargas.
No Itaqui, conhecimento vira plataforma
No Itaqui, a inovação foi organizada como uma aproximação entre produção de conhecimento e gestão portuária. O Inova Itaqui reuniu representantes do setor, empresas, universidades e instituições públicas, e registrou um memorando de entendimento entre a EMAP e o CESAR para desenvolver a Smart Port Orchestration Platform. A proposta utiliza inteligência artificial e gêmeos digitais, aproximando a pesquisa aplicada de uma plataforma voltada à coordenação de informações e processos portuários.
A cooperação também inclui a Fapema, que participa do acordo destinado ao desenvolvimento da plataforma. A descrição do projeto associa ainda recursos de IoT e big data à iniciativa, ampliando a base tecnológica prevista para o trabalho conjunto. O ponto de interesse para os operadores está na articulação entre essas ferramentas, instituições de pesquisa e necessidades concretas do porto, pois a inovação passa a ser tratada como um programa de desenvolvimento e não apenas como uma demonstração isolada de tecnologia.
A agenda do Itaqui ganhou continuidade na 6ª edição do InovaPortos, realizada nos dias 17 e 18 de junho de 2025 e dedicada à inteligência artificial e à transformação digital na logística portuária. O encontro ocorreu no Multicenter Sebrae com a presença de representantes do Ministério de Portos e Aeroportos e da Antaq, além de especialistas, autoridades, startups e estudantes. A presença combinada de órgãos reguladores, setor privado e formação acadêmica amplia a discussão sobre como testar, regular e incorporar novas soluções nas operações.
Governança conecta os dois movimentos
A conexão entre as duas agendas aparece também na busca por cooperação entre administrações portuárias. O Itaqui Summit reuniu startups e empresários para discutir Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, e resultou na assinatura de um acordo de confidencialidade entre a EMAP e o Porto do Açu. Um NDA desse tipo preserva informações durante a construção de projetos conjuntos e indica que a troca de experiências pode avançar para iniciativas que ainda estão em fase de formulação.
Essa cooperação foi acompanhada pelo programa Porto do Futuro, que financia projetos de pesquisa no Maranhão. No Paraná, a implantação gradual do SICS cumpre outra função: organizar o acesso e o cadastro de quem participa da operação em Paranaguá. São instrumentos diferentes, mas ambos aproximam a inovação da governança, seja pelo financiamento de pesquisa, seja pela padronização de procedimentos que afetam o funcionamento diário do porto.
Enquanto o Paraná combina debate sobre eficiência com credenciamento e infraestrutura, o Itaqui concentra esforços em plataformas digitais, pesquisa aplicada e articulação institucional. Lidas em conjunto, essas iniciativas mostram que a inovação portuária não se resume à inteligência artificial ou à automação de uma etapa operacional. Ela envolve informação confiável, regras de acesso, capacidade de investimento, cooperação entre instituições e obras que sustentem o fluxo de cargas, formando uma agenda mais próxima das necessidades reais dos terminais.
Os próximos passos estão associados à execução dessas iniciativas. No Itaqui, o desenvolvimento da Smart Port Orchestration Platform deverá transformar o memorando entre EMAP, CESAR e Fapema em trabalho de pesquisa e aplicação tecnológica. Em Paranaguá, o SICS segue com adesão gradual, enquanto o Moegão tem prazo previsto para o segundo semestre de 2025. A experiência dos dois portos indica que o avanço tecnológico ganha consistência quando fóruns, acordos, sistemas e infraestrutura passam a operar na mesma direção, conectando o crescimento da atividade portuária à capacidade brasileira de organizar e aplicar conhecimento.