Em agosto de 2026, autoridades de Vanuatu formalizaram em Port Vila, com apoio da OMI e da UNCTAD, ações para implementar uma Janela Única Marítima, enquanto a Austrália publicou, em 26 de agosto, seu primeiro plano nacional de redução de emissões marítimas. A comparação mostra duas etapas da mesma agenda: Vanuatu já anunciou a implementação da plataforma para centralizar a troca de informações entre navios e autoridades, e a Austrália destinou recursos ao desenvolvimento da solução e ainda prevê avaliar seus benefícios ambientais. As iniciativas importam para os portos porque aproximam o compartilhamento de dados da gestão do tráfego e da redução de emissões, em vez de tratar a digitalização como um procedimento isolado.

Vanuatu transforma trâmites em fluxo digital

O acordo formalizado em Port Vila definiu as primeiras condições de governança para a Janela Única Marítima. O projeto concentra-se na digitalização da troca de informações entre navios e autoridades públicas, com o objetivo de agilizar o tráfego marítimo e otimizar os trâmites portuários. As prioridades incluem a escolha de uma agência líder, a criação de mecanismos de coordenação e a participação do setor privado, elementos que determinam quem administra os dados e como eles circulam entre os envolvidos.

Em termos de governança, a solução coloca a informação no centro da visita do navio ao porto. A autoridade pública passa a trabalhar com uma referência comum para os dados recebidos das embarcações, enquanto os demais participantes entram em uma estrutura de coordenação previamente definida. A Janela Única Marítima tornou-se obrigatória para os membros da OMI em 2024, o que dá ao projeto de Vanuatu uma conexão direta com a regra internacional e transforma a implementação local em parte de uma exigência mais ampla para o transporte marítimo.

Esse movimento não começou do zero. Desde setembro de 2024, o módulo de notificação de navios do sistema ASYCUDA opera nos portos do sul de Vanuatu, permitindo liberação aduaneira online e sem papel para embarcações de entrada e saída. O plano previa a expansão para os portos do norte e para a aviação em 2025. Iniciado cerca de oito anos antes, o projeto havia alcançado aproximadamente 70% das atividades planejadas, formando uma base operacional para a ampliação da digitalização.

Austrália liga dados à transição energética

Do lado australiano, o governo publicou em 26 de agosto de 2026 o primeiro Plano de Ação Nacional de Redução de Emissões Marítimas, conhecido como MERNAP. O documento organiza prioridades para energia, portos e navios com uma meta de descarbonização até 2050. Entre as frentes estão a instalação de infraestrutura de energia em terra, o chamado shore power, e a criação de instalações para abastecimento com combustíveis de baixo carbono, conectando a operação no cais às escolhas energéticas feitas pelos armadores.

O financiamento anunciado mostra que a Janela Única ocupa uma posição própria dentro do plano. A Austrália reservou A$ 51,7 milhões para desenvolver a solução e mais A$ 4 milhões para uma estratégia de abastecimento de combustível verde. A diferença em relação a Vanuatu está no estágio da iniciativa: enquanto o país insular formalizou ações para implementar a plataforma, o MERNAP australiano prevê desenvolver a ferramenta e avaliar os benefícios ambientais de uma Maritime Single Window e de chegadas de navios just-in-time.

Na camada física, o documento associa a redução de emissões à modernização dos portos para receber novos combustíveis, entre eles hidrogênio e amônia. O governo também incentiva a produção doméstica de combustíveis líquidos de baixo carbono por meio de um programa de A$ 1,1 bilhão. A combinação entre instalações portuárias adequadas e informação compartilhada permite que a transição seja observada em duas frentes distintas, a energia consumida pelo navio e a forma como sua passagem pelo porto é planejada.

O dado passa a orientar o movimento dos navios

É na relação entre dados e emissões que a comparação ganha valor para os profissionais portuários. Em Vanuatu, a finalidade declarada é agilizar o tráfego e otimizar trâmites por meio da troca digital entre navios e autoridades. Na Austrália, a mesma classe de ferramenta ainda será submetida a uma avaliação dos benefícios ambientais, ao lado do conceito de chegadas just-in-time. O ponto central é medir se uma coordenação mais precisa das informações produz ganhos ambientais antes de transformar a hipótese em resultado comprovado.

Essa exigência de medição aparece de forma explícita no programa regional lançado por Fiji, Tonga e Vanuatu em 2025. Com orçamento de US$ 9,5 milhões, a iniciativa apoiada pelo GGGI e pela Coreia do Sul prevê roteiros de transporte de baixo carbono, sistemas de monitoramento e verificação de emissões e projetos-piloto de sistemas de energia alternativa em terra nos portos. O monitoramento cria uma camada de comprovação para as medidas de descarbonização, enquanto os projetos de energia em terra testam sua aplicação física nas instalações portuárias.

Na Austrália, a agenda de infraestrutura energética também avançou no Pilbara. Um roadmap posiciona a região como possível centro global de abastecimento de combustíveis marítimos limpos, com foco na amônia de baixo carbono e potencial de redução de até 94% das emissões da navegação regional. A estratégia segue um teste mundial de transferência de amônia entre navios realizado em 2024 no Porto de Dampier, o que dá ao plano uma referência operacional para a expansão do abastecimento limpo.

Os dois casos mostram que a digitalização portuária deixou de ocupar somente o espaço dos formulários e das liberações administrativas. Em Vanuatu, a implementação parte de uma decisão de governança apoiada por organismos internacionais e complementa uma experiência de aduana online. Na Austrália, a Janela Única entra em um plano que também financia energia em terra, combustíveis verdes e adaptação dos portos, mas seus benefícios ambientais ainda serão avaliados. A tecnologia, portanto, aparece como infraestrutura de coordenação, enquanto a redução de emissões depende de resultados medidos na operação.

Os próximos passos estão definidos em níveis diferentes. Vanuatu precisa avançar na designação da agência líder, nos mecanismos de coordenação e na inclusão do setor privado para transformar o anúncio em operação integrada. A Austrália terá de desenvolver a Janela Única com os A$ 51,7 milhões previstos e conduzir a avaliação ambiental associada à solução e às chegadas just-in-time. A evolução desses dois projetos permitirá comparar uma implementação já anunciada com uma iniciativa ainda em fase de desenvolvimento e avaliação.

Para os portos da Oceania, a mensagem é direta: compartilhar dados, planejar a visita dos navios e preparar a infraestrutura energética pertencem à mesma agenda de modernização. Vanuatu oferece um caso de implementação apoiado na coordenação institucional, enquanto a Austrália combina investimento digital com metas de descarbonização até 2050. O próximo avanço dependerá da capacidade de converter informações em decisões operacionais verificáveis, sem perder de vista que a energia em terra e os combustíveis de baixo carbono precisam acompanhar a evolução dos sistemas portuários.