A Inmarsat Maritime e a SK telink ampliaram, na Coreia do Sul, sua parceria estratégica para acelerar a adoção do NexusWave em frotas comerciais, enquanto o Porto de Valência alcançou seis das 17 torres previstas para sua rede privada 5G Standalone. As duas iniciativas avançam em frentes distintas: uma leva conectividade resiliente ao navio para aplicações em nuvem, suporte remoto e cibersegurança; a outra cria uma infraestrutura local para dispositivos e equipes do terminal. A conexão entre elas é operacional, não tecnológica, porque cada projeto atende um ambiente específico e sustenta etapas diferentes da digitalização marítima e portuária.

O navio precisa de mais de um caminho

A primeira frente nasce de uma relação comercial que remonta a 2007. A parceria entre a Inmarsat Maritime e a SK telink combina a infraestrutura global da primeira com a presença da segunda no mercado coreano, uma divisão de competências adequada a frotas que operam entre águas costeiras e rotas internacionais. A expansão mira navios porta-contêineres, car carriers e VLCCs, segmentos com necessidades distintas de comunicação, mas igualmente dependentes de acesso contínuo a sistemas digitais. A iniciativa coloca a conectividade embarcada no centro da gestão diária das companhias marítimas, em vez de tratá-la apenas como serviço de comunicação para a tripulação.

Essa relação ganha uma camada técnica no NexusWave, definido como um serviço gerenciado que integra redes de comunicação em uma arquitetura bonded. Uma das vias é a conexão Ka-band GX, usada como parte da estrutura para manter o acesso de alta capacidade ao navio. Na prática, o modelo desloca para o provedor a coordenação do serviço e permite que a frota utilize uma infraestrutura concebida para apoiar aplicações em nuvem. O resultado esperado, conforme a finalidade divulgada, é dar continuidade às ferramentas digitais que dependem de troca de dados entre a embarcação e as equipes em terra.

A mesma arquitetura acrescenta conectividade LEO e LTE costeiro como caminhos complementares de comunicação. O primeiro integra a camada de redes não geoestacionárias do serviço; o segundo amplia as alternativas disponíveis quando o navio opera em áreas com cobertura terrestre. O NexusWave também inclui uma camada L-band voltada à resiliência, de modo que a solução não dependa de uma única rota de transmissão. Essa composição é especialmente útil para empresas que precisam manter aplicações de nuvem, suporte remoto, cibersegurança e otimização do desempenho operacional em funcionamento contínuo.

Essa capacidade já havia sido colocada à prova em outra frente de adoção. A K LINE anunciou, em outubro de 2024, testes do NexusWave em sua frota, depois que a Inmarsat lançou o serviço em maio do mesmo ano. O histórico mostra que a expansão na Coreia do Sul não surge como uma aplicação isolada, mas como parte da etapa inicial de disseminação de um serviço voltado à digitalização das operações, à resposta ambiental e ao bem-estar dos tripulantes. No caso sul-coreano, HMM e SINOKOR aparecem entre as empresas para as quais a conectividade pode apoiar desempenho operacional e proteção digital.

Valência leva a rede para dentro do terminal

Enquanto a rede embarcada acompanha o navio, o Porto de Valência desenvolve uma infraestrutura própria para o espaço portuário. O projeto já alcançou a instalação de seis das 17 torres de telecomunicações previstas para a rede privada 5G Standalone. A implantação foi concebida para operar no ambiente do terminal, onde a comunicação precisa alcançar áreas extensas, equipamentos móveis e pontos de monitoramento distribuídos. O avanço físico indica que a rede deixou a fase de planejamento e passou a receber os elementos que permitirão validar os usos operacionais.

Esse marco físico está associado a um orçamento de € 6,9 milhões, dos quais 75% são financiados pela União Europeia por meio do CEF Digital. A fonte de recursos ajuda a explicar a escala do projeto e sua prioridade para a modernização da infraestrutura de comunicação portuária. Em vez de contratar apenas conectividade convencional, Valência investe em uma rede privada 5G Standalone sob sua própria arquitetura operacional. A escolha permite organizar os serviços de comunicação de acordo com as necessidades do terminal e prepara a infraestrutura para os testes que ainda dependem da conclusão das torres e dos sistemas centrais.

A escala prevista também diferencia essa iniciativa. A rede deve conectar mais de 25.000 dispositivos, incluindo drones e sensores IoT, sem depender de cabeamento ou de operadoras terceiras. Essa característica reduz a necessidade de levar uma conexão física a cada ponto de coleta e permite distribuir equipamentos por áreas operacionais do porto. Drones podem transmitir informações de inspeção, enquanto sensores apoiam a observação de condições ambientais e operacionais. A rede, portanto, não se limita ao acesso de usuários: ela foi planejada para sustentar fluxos permanentes de dados produzidos por dispositivos espalhados pelo terminal.

Além dos drones e sensores, a proposta de uso no terminal contempla veículos conectados e câmeras de segurança. Esses equipamentos dependem de comunicação disponível em movimento ou em pontos fixos, conforme a atividade acompanhada. A rede privada 5G Standalone oferece ao projeto uma base comum para esses casos, sem transformar os dispositivos em parte de uma plataforma marítima única. A separação é necessária: o NexusWave acompanha a conectividade da embarcação, enquanto a infraestrutura de Valência organiza a comunicação dentro dos limites do porto.

A integração começa pela separação

A diferença entre as duas iniciativas aparece também na infraestrutura física. Em Valência, o anel de fibra óptica que funcionará como espinha dorsal da rede já foi concluído, enquanto as torres restantes estão em fases avançadas de construção. Essa base fixa dá suporte à comunicação distribuída pelo terminal e permite que o núcleo da rede seja instalado com capacidade para administrar os dispositivos conectados. A conclusão do projeto, associada ao objetivo de transformar Valência em um Smart Port, está prevista para 2027, prazo que mantém a expansão da rede vinculada a uma agenda de implantação gradual.

O avanço das torres é acompanhado pela implementação do network core e da infraestrutura de cibersegurança. Esses componentes não aparecem como acessórios do projeto: eles fazem parte da arquitetura que deverá administrar o tráfego e proteger os dados produzidos no terminal. O Porto de Valência também realiza workshops com usuários finais para validar casos de uso práticos, como segurança e manutenção remota. A etapa aproxima a tecnologia das rotinas de operação e permite avaliar se a cobertura atende às tarefas que justificam o investimento.

A etapa de validação tem um paralelo na conectividade embarcada. O NexusWave foi lançado em maio de 2024 e entrou em testes na frota da K LINE em outubro daquele ano, enquanto a parceria entre Inmarsat Maritime e SK telink agora busca ampliar sua adoção entre armadores sul-coreanos. Os dois movimentos seguem ritmos próprios e usam arquiteturas diferentes, mas enfrentam a mesma exigência operacional: comunicação suficiente para manter sistemas digitais ativos quando a operação depende de dados distribuídos. A experiência acumulada nos testes de bordo e nos workshops de Valência será medida em usos concretos, não apenas na quantidade de equipamentos instalados.

Na prática, o próximo passo será concluir a implantação planejada em Valência até 30 de novembro de 2027, dentro de um projeto de 36 meses iniciado em 1º de dezembro de 2024, enquanto a expansão do NexusWave avança entre frotas sul-coreanas. O setor não está diante de uma única rede capaz de cobrir navios e terminais, mas de duas camadas complementares: uma conecta a embarcação por múltiplos caminhos e outra estrutura a comunicação dentro do porto. Essa divisão permite que operadores escolham a infraestrutura conforme o ponto da cadeia que precisam digitalizar, preservando a autonomia técnica de cada projeto e dando à conectividade um papel direto na continuidade das operações.