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title: "Callao inaugura cold ironing para eletrificação portuária"
author: "Redação"
date: "2026-08-29 12:05:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/08/29/callao-inaugura-cold-ironing-para-eletrificacao-portuaria/md"
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## Resumo
- Callao tornou-se o primeiro terminal portuário da América Latina a oferecer cold ironing.
- A tecnologia permite desligar os motores auxiliares dos navios atracados e utilizar energia 100% renovável certificada.
- O sistema tem capacidade de até 7,5 MVA e o CMA CGM PLATINUM foi o primeiro navio a utilizá-lo.
- A estimativa é reduzir 6.300 toneladas de CO2e por ano e mais de 90% dos principais poluentes atmosféricos durante a atracação.
- Cerca de 80% dos navios que frequentam o Pier 3 são compatíveis com a conexão elétrica.
- O projeto inclui uma subestação dedicada e integra investimentos de US$ 105 milhões em descarbonização.
- A DP World também prevê eletrificação progressiva de veículos de transferência e guindastes até 2030.

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Em **25 de agosto de 2026**, a **DP World** inaugurou no Muelle Sur do Porto de Callao, no Peru, o primeiro terminal portuário da América Latina a oferecer cold ironing, também chamado shore power. A instalação permite que navios conectados à rede elétrica do terminal desliguem seus motores auxiliares e utilizem **100% de energia renovável certificada**. O marco, registrado no [comunicado da DP World](https://www.dpworld.com/en/news/usa/callao-latin-america-first-port-terminal-shore-power), coloca a conexão elétrica em terra no centro da modernização ambiental dos terminais de contêineres da região.

## Energia em vez de motores

O **cold ironing** altera o fornecimento de energia durante a permanência do navio no cais. No funcionamento descrito para Callao, a embarcação atracada recebe eletricidade da rede do terminal e desliga seus motores auxiliares, enquanto a energia fornecida tem certificação de origem **100% renovável**. A tecnologia não muda a movimentação da carga por si só, mas interfere diretamente na forma como o navio mantém seus sistemas ativos durante a atracação, período em que permanece conectado à infraestrutura portuária.

A primeira operação foi realizada pelo **CMA CGM PLATINUM**, que se tornou o navio inaugural do sistema no terminal. A compatibilidade da frota também amplia o alcance imediato da instalação: aproximadamente **80% dos navios** que frequentam o Pier 3 já podem utilizar a conexão elétrica. Esse índice não significa que toda a frota esteja preparada, mas indica que a tecnologia já pode ser aplicada a uma parcela expressiva das escalas atendidas pela unidade.

Além da redução de carbono, o sistema busca diminuir a **poluição atmosférica local** enquanto os navios permanecem atracados. A consequência esperada alcança as comunidades vizinhas ao porto, que ficam próximas de uma área onde embarcações operam por períodos de permanência no cais. A adoção de energia de terra transforma, assim, uma etapa operacional específica, a permanência do navio no berço, em uma frente de redução de emissões associadas à atividade marítima.

## Uma instalação dimensionada para grandes navios

A infraestrutura de Callao pode fornecer até **7,5 MVA**, capacidade suficiente para atender aos maiores navios de contêineres que operam no terminal. Esse dimensionamento conecta a eletrificação ambiental à escala física do comércio marítimo, no qual os equipamentos de bordo precisam receber energia compatível com a operação portuária. A conexão deixa de ser apenas uma solução experimental quando consegue atender embarcações de grande porte e se integra ao fluxo regular do terminal.

Para suportar essa demanda, a **DP World** instalou uma nova subestação elétrica com transformador dedicado. O consumo do sistema equivale ao de todo o restante do terminal, segundo as informações do projeto. Essa relação ajuda a dimensionar a exigência técnica do cold ironing: a instalação não depende apenas de um ponto de conexão no cais, mas de uma estrutura elétrica própria para entregar potência suficiente sem comprometer o atendimento das demais operações.

A implantação faz parte de um programa de descarbonização de **US$ 105 milhões** e está associada ao projeto de expansão Bicentennial Pier, estimado em **US$ 400 milhões**. O projeto também integra um investimento total de aproximadamente US$ 1 bilhão da DP World na infraestrutura portuária do Peru. Os valores mostram que a conexão elétrica foi incorporada a um conjunto mais amplo de obras e metas operacionais, em vez de aparecer como uma aquisição isolada de equipamento.

## Emissões medidas no cais

A estimativa do terminal aponta redução anual de aproximadamente **6.300 toneladas de CO2e** com a operação do sistema. Enquanto os navios estiverem conectados à rede elétrica, a previsão também indica queda superior a 90% nas emissões de óxidos de nitrogênio, óxidos de enxofre e material particulado. A mensuração separa o resultado climático, expresso em dióxido de carbono equivalente, da redução de poluentes atmosféricos emitidos durante a permanência das embarcações no berço.

O projeto foi associado ao tratamento das emissões de **Escopo 3** ligadas às linhas de navegação. Marco Hernández, gerente-geral da DP World Callao, informou que o terminal busca reduzir em 90% suas emissões de CO2 até 2030. Na formulação consolidada do projeto, a meta está relacionada à redução de 90% das emissões de Escopos 1 e 2 da unidade no mesmo prazo, enquanto o shore power alcança as emissões vinculadas à operação dos navios.

A eletrificação não ficará restrita à conexão dos navios. O plano inclui a eletrificação progressiva de **veículos de transferência** e **guindastes** portuários, em alinhamento com a meta estabelecida para 2030. Callao passa a combinar uma fonte renovável para as embarcações atracadas com a transformação gradual de equipamentos do próprio terminal, ampliando a descarbonização para diferentes etapas da operação sem dissociá-la da infraestrutura elétrica instalada.

O avanço de Callao reúne uma conexão capaz de atender grandes navios, uma subestação dedicada, compatibilidade com cerca de **80% das embarcações** do Pier 3 e metas quantitativas de redução de emissões. O próximo passo já previsto é a continuidade da eletrificação dos equipamentos portuários até 2030, enquanto o cold ironing será utilizado nas escalas compatíveis. O resultado coloca o Muelle Sur como referência regional de aplicação concreta da energia de terra, com efeitos medidos no consumo elétrico do terminal e nas emissões geradas durante a atracação.