Em Plymouth, no Reino Unido, a ZeroUSV demonstrou o lançamento autônomo de dois drones Oshen C-Star a partir da embarcação-mãe Oceanus12, enquanto a Subsea Fenix entregou um veículo híbrido USV com capacidade de levantamento hidrográfico e inspeção por ROV. As iniciativas apresentam duas formas complementares de retirar pessoas da unidade que executa a tarefa: uma plataforma dedicada à coleta de dados e à inspeção subaquática e outra capaz de transportar, lançar e coordenar veículos de superfície. O avanço interessa ao setor marítimo porque desloca a automação da navegação isolada para a organização de missões com mais de um sistema.

Um USV concentra levantamento e inspeção

Partindo da primeira frente, a Subsea Fenix entregou um veículo híbrido USV com capacidade de realizar levantamento hidrográfico e inspeção por ROV. A combinação reúne, em uma mesma unidade de superfície, uma capacidade voltada à obtenção de informações hidrográficas e outra destinada à verificação de estruturas ou áreas submersas por meio de um veículo operado remotamente. A fonte não amplia o escopo para aplicações comerciais adicionais, mas confirma que o equipamento foi concebido para executar esses dois tipos de atividade.

Dentro dessa configuração, o USV funciona como a unidade de superfície da missão, enquanto o ROV acrescenta o acesso ao ambiente subaquático durante a inspeção. O levantamento hidrográfico e a inspeção remota não são tarefas idênticas: o primeiro está associado à coleta de dados sobre a área pesquisada, enquanto o segundo concentra-se na observação ou verificação de elementos submersos. A entrega da Subsea Fenix, portanto, deve ser lida pelas capacidades anunciadas, sem atribuir ao veículo funções que não foram descritas na fonte.

Essa separação de funções ajuda a entender o primeiro modelo de robótica marítima abordado pela pauta. Em vez de usar uma embarcação maior para distribuir outros veículos, a solução da Subsea Fenix concentra no próprio USV as tarefas de levantamento e inspeção indicadas. O modelo é diferente do demonstrado pela ZeroUSV, mas os dois casos partem do mesmo princípio operacional: executar atividades no mar sem manter uma tripulação embarcada na unidade diretamente envolvida, preparando a comparação com a plataforma Oceanus12.

Oceanus12 transforma o lançamento em missão

A segunda frente amplia a escala da operação. A ZeroUSV realizou em Plymouth a primeira demonstração mundial de lançamento autônomo de múltiplos drones de superfície a partir de uma embarcação maior. O teste envolveu a Oceanus12, uma embarcação autônoma de 12 metros, que lançou dois veículos Oshen C-Star. O objetivo foi demonstrar uma missão coordenada entre sistemas autônomos, e não apenas a operação independente de um único barco sem tripulação.

Depois do lançamento, a coordenação ficou associada ao software Guardian, da MarineAI, utilizado para navegação e organização da missão. Os drones C-Star foram configurados para coleta de dados acústicos e utilizam sol e vento como fontes de energia. A arquitetura separa as funções: a Oceanus12 atua como plataforma autônoma de lançamento e suporte, enquanto os C-Star são empregados na coleta distribuída de informações. Essa divisão permite testar a relação entre a embarcação que transporta os sistemas e os drones que executam a tarefa em campo.

A capacidade da plataforma também foi descrita em termos de alcance e carga. A Oceanus12 tem autonomia de 4.630 quilômetros, capacidade de carga de 1.000 quilos e velocidade de 10 nós. O sistema foi projetado para operar com uma rede acústica passiva capaz de receber sinais de veículos subaquáticos não tripulados em uma área de aproximadamente 26 quilômetros quadrados. Esses dados delimitam o teste: trata-se de uma arquitetura voltada à coordenação, à comunicação acústica e à vigilância descrita no programa, sem que se possa extrapolar para missões não anunciadas.

Do veículo de tarefa à plataforma de plataformas

Quando as duas iniciativas são observadas em conjunto, a diferença técnica aparece na forma de emprego dos veículos. O USV híbrido da Subsea Fenix foi entregue com capacidades de levantamento hidrográfico e inspeção por ROV. Já a Oceanus12 foi utilizada como uma embarcação-mãe capaz de lançar dois C-Star autonomamente. Um caso concentra tarefas na unidade de superfície; o outro distribui a missão entre uma plataforma lançadora e drones que operam a partir dela.

Na demonstração da ZeroUSV, essa arquitetura também reduz a exposição de pessoal humano em ambientes marítimos perigosos, conforme a descrição do programa. O navio-mãe fornece a base de lançamento e suporte, enquanto os veículos menores ampliam a distribuição dos sensores acústicos. O programa de 10 meses recebeu financiamento da UK Defence Innovation, anteriormente chamada DASA. A próxima fase planejada prevê o lançamento simultâneo de quatro drones C-Star para validar a operação em escala de sistemas distribuídos.

O próximo passo anunciado será, portanto, medir se a coordenação demonstrada com dois drones pode ser ampliada para quatro C-Star em uma única operação. Esse teste dará continuidade ao modelo de embarcação não tripulada como base de lançamento, sem substituir a proposta da Subsea Fenix, que está associada ao levantamento hidrográfico e à inspeção por ROV. As duas soluções mostram que a robótica marítima pode avançar por caminhos distintos, desde a execução direta de uma tarefa até o comando autônomo de outros veículos em uma missão coordenada.