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title: "IA moderniza Lisboa e Setúbal enquanto China mira 43 portos"
author: "Redação"
date: "2026-08-23 13:57:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/08/23/ia-moderniza-lisboa-e-setubal-enquanto-china-mira-43-portos/md"
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## Resumo
- Lisboa e Setúbal investem 750 mil euros em datacenter e inteligência artificial.
- A capacitação de trabalhadores com o Copilot integra a automação de processos internos.
- A China criou um plano quinquenal para modernizar 43 portos e 57 instalações entre 2026 e 2030.
- O programa chinês prevê mais de 90% dos portos com inspeção inteligente até o fim da década.
- O mercado global de automação intralogística pode crescer de US$ 31 bilhões em 2026 para US$ 64 bilhões em 2032.
- AGVs e AMRs podem concentrar 25% dos investimentos globais em automação em 2032.
- O modelo RaaS pode reduzir entre 60% e 80% o investimento inicial em automação.

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Os portos de **Lisboa e Setúbal** iniciaram, em 2026, um ciclo de modernização digital com **750 mil euros** destinados a um datacenter integrado e iniciativas de inteligência artificial, incluindo a capacitação de trabalhadores com o Copilot. No mesmo período, a China aprovou um plano quinquenal, válido de 2026 a 2030, para modernizar **43 portos** e 57 instalações com recursos inteligentes. As duas frentes respondem à necessidade de tornar operações portuárias e logísticas mais eficientes, em um mercado global de automação intralogística que pode passar de US$ 31 bilhões para US$ 64 bilhões até 2032.

## Lisboa começa pela infraestrutura digital

Em Lisboa e Setúbal, o datacenter integrado forma a base física do investimento anunciado pelas administrações portuárias. O pacote de **750 mil euros** financia essa estrutura e iniciativas de inteligência artificial voltadas à modernização digital. A frente portuguesa também inclui a capacitação de trabalhadores com o Copilot, ferramenta usada como parte do processo de adaptação das equipes às novas rotinas tecnológicas. A proposta combina infraestrutura e qualificação, em vez de limitar a digitalização à compra de equipamentos.

Esse primeiro núcleo digital está ligado a uma agenda de expansão mais ampla do Porto Lisboa-Setúbal. A administração anunciou investimentos superiores a **1,2 mil milhões de euros** para a próxima década, com ações de modernização de terminais e reforço das acessibilidades ferroviárias. A meta é elevar a movimentação de **18,2 milhões para 25 milhões de toneladas até 2035**, enquanto o datacenter e a inteligência artificial integram a frente tecnológica do programa. Mais detalhes estão disponíveis na cobertura sobre os [investimentos estruturantes do Porto Lisboa-Setúbal](https://tecnologiaportuaria.info/post/2026/06/27/porto-lisboa-setubal-avanca-com-investimentos-estruturantes-superiores-a-12-mil-milhoes-de-euros).

A escolha de capacitar os trabalhadores amplia o alcance do projeto para além das áreas diretamente ligadas à movimentação de cargas. Entre as prioridades estão o uso do **Copilot** e a automação de processos internos, com o objetivo de reforçar a resiliência e a eficiência administrativa dos terminais ibéricos. Essa abordagem coloca a gestão de documentos, fluxos administrativos e tarefas repetitivas no centro da transformação. A experiência portuguesa, portanto, começa pela organização interna e prepara a comparação com a estratégia chinesa, que parte de uma escala nacional.

## China transforma escala em política nacional

Na China, a digitalização portuária foi organizada como política nacional por meio do primeiro plano quinquenal dedicado à modernização dos portos. O projeto **Smart Port Construction** designou 43 portos-chave e abrange 57 instalações no período de 2026 a 2030. A inteligência artificial e os equipamentos inteligentes aparecem como instrumentos para reorganizar operações alfandegárias e o manuseio de cargas. Os detalhes foram apresentados em Pequim, em julho de 2026, por **Zhang Baofeng**, da GAC, indicando que a iniciativa já possui uma estrutura formal de execução.

O plano chinês estabelece uma meta mensurável para a inspeção: equipar mais de **90% dos portos** com tecnologia inteligente até o fim da década. A aplicação prevista alcança a alfândega, com a busca por procedimentos mais rápidos, e também o manuseio de cargas. O programa inclui ainda a integração multimodal e ações de **descarbonização** voltadas às cadeias de suprimentos globais. A combinação de fiscalização, operação física e sustentabilidade amplia o alcance da iniciativa para além da automação de uma etapa isolada.

A diferença entre as duas abordagens está na escala e na forma de coordenação. Lisboa e Setúbal começaram com uma estrutura integrada de dados, inteligência artificial e treinamento de equipes; a China definiu metas nacionais para dezenas de portos e instalações. Na Europa, o mercado de automação intralogística tem previsão de crescimento anual de **10,79%** entre 2026 e 2031, impulsionado também por normas de interoperabilidade. Entre elas está a **VDA 5050**, que facilita a integração de soluções de diferentes fornecedores e reduz a dependência de sistemas isolados.

## Mercado reduz a barreira para a automação

As duas iniciativas ocorrem durante uma expansão acelerada da automação logística. Dados apresentados pela Bertolini Sistemas de Armazenagem, com base em estudo da LogisticsIQ, indicam que o mercado global de automação intralogística deve crescer de **US$ 31 bilhões em 2026 para US$ 64 bilhões em 2032**, com taxa anual de 12%. A busca por produtividade, redução de custos e menor dependência de mão de obra sustenta esse movimento. Na América Latina, a previsão de investimentos entre 2026 e 2032 fica entre **US$ 8 bilhões e US$ 12 bilhões**, faixa que amplia a atenção sobre soluções aplicáveis a terminais e centros logísticos.

Dentro desse mercado, os robôs móveis concentram parte expressiva do crescimento. Os **AGVs**, ou veículos guiados automatizados, e os **AMRs**, robôs móveis autônomos, são utilizados para a movimentação de materiais e avançam por oferecer flexibilidade e possibilidade de expansão gradual. A estimativa indica que esses equipamentos podem responder por 25% dos investimentos globais em automação em 2032. Embora os dados estejam associados principalmente aos centros de distribuição, a lógica de movimentação automatizada ajuda a explicar por que a tecnologia ganhou espaço nas discussões sobre eficiência operacional.

A expansão também altera a forma de financiar a adoção tecnológica. O modelo **Robotics-as-a-Service**, conhecido como RaaS, permite contratar automação por assinatura ou financiamento, em vez de concentrar todo o desembolso no início do projeto. O relatório da LogisticsIQ estima uma oportunidade de **US$ 15 bilhões** nos serviços de manutenção e soluções digitais até 2032. A mesma análise aponta que o RaaS pode reduzir entre 60% e 80% o investimento inicial de capital, o que facilita a entrada de operadores que não conseguem imobilizar grandes volumes de recursos.

As projeções de longo prazo mostram que a transformação não termina em 2032. A Persistence Market Research estima que o mercado global de automação intralogística poderá alcançar **US$ 137,1 bilhões até 2033**. Para 2026, os sistemas automatizados de armazenamento e recuperação, conhecidos como AS/RS, e os sistemas de gerenciamento de armazém, ou WMS, aparecem entre as tecnologias dominantes. A Ásia-Pacífico detém **36,9% do mercado global**, enquanto a Europa concentra esforços na interoperabilidade e na robótica móvel com inteligência artificial. Essa divisão ajuda a situar Lisboa, Setúbal e os portos chineses em uma transformação que combina escala, padronização e novos modelos de investimento.

Lisboa e Setúbal iniciaram a modernização pela combinação de **datacenter, inteligência artificial e capacitação**, enquanto a China fixou para 2030 a meta de ampliar a inspeção inteligente em mais de 90% de sua rede portuária prioritária. O próximo passo português está ligado à execução do programa de investimentos para a próxima década e à meta de movimentar 25 milhões de toneladas até 2035. Para operadores, autoridades aduaneiras e trabalhadores, a questão passa a ser transformar essas estruturas em processos integrados, mensuráveis e capazes de acompanhar o crescimento da automação logística.