Durante a 13ª Singapore Safety@Sea Week, realizada em Singapura entre 17 e 21 de agosto de 2026, a MPA colocou em operação o IPOC, lançou o Singapore Near Miss Reporting System e assinou um memorando de entendimento com a Ocean Infinity. As três iniciativas organizam a agenda de segurança em prevenção de quase acidentes, visualização operacional em tempo real e testes de operações marítimas autônomas e remotas. A combinação liga a coleta de informações de segurança à supervisão do porto e à experimentação de novos modelos de navegação.
Segurança começa antes do acidente
O primeiro eixo foi o lançamento do Singapore Near Miss Reporting System, em parceria com a National Maritime Safety at Sea Council e a Singapore Shipping Association. O sistema recebe relatos confidenciais de quase acidentes e opera por meio do CHIRP. A proposta transforma ocorrências que não chegaram a produzir um acidente em informação para análise preventiva. Esse tipo de registro amplia a capacidade de identificar sinais de risco antes que eles se convertam em interrupções ou danos.
Ao colocar o near miss dentro de um canal confidencial, a iniciativa cria uma forma estruturada de compartilhar experiências operacionais sem depender da ocorrência de consequências mais graves. O valor do mecanismo está na qualidade do dado acumulado, porque cada relato pode contribuir para a compreensão de situações que passam despercebidas em sistemas voltados apenas para acidentes registrados. A parceria com entidades de segurança e representação do transporte marítimo também aproxima a autoridade das empresas que vivem a rotina do porto.
Essa camada preventiva foi apresentada junto de uma programação dedicada à formação e à cultura de segurança. A Singapore Safety@Sea Week contou com cerca de 1.500 profissionais e reuniu 18 eventos, incluindo simpósios e workshops sobre abastecimento de amônia, metanol e consciência de segurança da tripulação. A programação também premiou nove empresas por ações de busca e salvamento realizadas em 2025. Assim, a tecnologia foi apresentada ao lado de treinamento e reconhecimento de práticas operacionais.
IPOC reúne a operação em tempo real
A segunda frente foi a operacionalização do Integrated Port Operations Command, Control and Communications, conhecido pela sigla IPOC. Desenvolvido com a Defence Science and Technology Agency e a ST Engineering, o sistema foi criado para oferecer visualização em tempo real das operações portuárias. Sua entrada em operação adiciona uma camada de supervisão integrada à rotina marítima de Singapura, permitindo que os dados da atividade portuária sejam acompanhados de forma contínua.
O IPOC utiliza dados integrados para monitorar as operações em tempo real, uma função que desloca a gestão da observação fragmentada para uma visão operacional compartilhada. O nome do sistema reúne comando, controle e comunicações, três funções associadas à coordenação da atividade portuária. Na prática, a visualização contínua fornece a base informacional para acompanhar o que ocorre no porto enquanto a operação está em andamento, conectando essa frente à prevenção de riscos.
A relação entre o IPOC e o sistema de quase acidentes dá sentido à estratégia apresentada pela MPA. Um mecanismo coleta informações confidenciais sobre situações de risco, enquanto o outro organiza dados para a visualização imediata das operações. As iniciativas foram descritas como medidas para fortalecer a segurança marítima e apoiar a adoção de novas tecnologias. Essa combinação mostra que a digitalização proposta não se limita à automação de tarefas, mas alcança a forma como a autoridade acompanha e aprende com a operação.
Autonomia entra em fase de testes
A terceira frente avançou sobre a operação marítima autônoma. A MPA assinou um memorando de entendimento com a Ocean Infinity para testar e validar operações marítimas autônomas e remotas nas águas do porto de Singapura. O acordo coloca a experimentação sob uma estrutura institucional de segurança portuária, em vez de tratar a autonomia apenas como uma demonstração tecnológica isolada.
O foco da parceria com a Ocean Infinity está na transição para operações de navios não tripulados e no monitoramento remoto, com atenção à segurança do tráfego marítimo de Singapura. Essa etapa de testes e validação permite avaliar o uso dessas modalidades dentro das águas portuárias, onde a coordenação entre embarcações e autoridades é parte da operação diária. O avanço ocorre em paralelo à ativação do IPOC, que fornece a visualização em tempo real das atividades do porto.
Vistos em conjunto, os anúncios formam uma sequência tecnológica clara. O IPOC já foi operacionalizado para acompanhar as operações portuárias, o sistema de near miss passou a estruturar o compartilhamento confidencial de informações e o acordo com a Ocean Infinity abre uma frente de testes para operações autônomas e remotas. A segurança, nesse desenho, aparece como condição para testar novos modelos, e não como uma etapa posterior à sua adoção.
Para os operadores portuários, a estratégia de Singapura oferece uma referência de integração entre dados, processos e experimentação. A prevenção depende dos relatos de quase acidentes, a coordenação depende da visão operacional e a autonomia depende de testes controlados e validação. O conjunto não elimina a necessidade de capacitação, aspecto presente na programação sobre combustíveis alternativos e segurança da tripulação, mas amplia os instrumentos disponíveis para administrar a atividade marítima.
A mensagem central da Safety@Sea Week 2026 está na combinação de cultura de segurança com infraestrutura digital. O relato confidencial via CHIRP trata do aprendizado sobre ocorrências, o IPOC trata da leitura da operação em tempo real e a Ocean Infinity participa da avaliação de operações remotas e autônomas. São frentes diferentes, mas conectadas pela necessidade de tomar decisões de navegação e gestão portuária com mais informação.
O que já está definido é uma estrutura com três níveis de atuação: o Singapore Near Miss Reporting System para registrar quase acidentes, o IPOC para visualizar as operações e o memorando com a Ocean Infinity para testar novas formas de operação marítima. Para outros portos, a experiência mostra que a adoção tecnológica pode avançar junto da coleta de dados de segurança e da qualificação das equipes. O próximo resultado a ser observado será a capacidade de transformar esses testes, relatos e visualizações em procedimentos permanentes de gestão do tráfego portuário.