Em 18 de agosto de 2026, um consórcio formado pelas empresas Arup Australia Projects Pty Ltd e WSP Australia Pty Ltd foi contratado para planejar melhorias na malha ferroviária de carga de Perth, na Austrália Ocidental, destinadas a atender ao futuro terminal de contêineres Westport, em Kwinana. O trabalho prepara a infraestrutura terrestre para a futura transição das operações de contêineres do porto de Fremantle e busca ampliar o escoamento ferroviário antes da entrada do novo terminal em operação.

A ferrovia entra antes do terminal

A contratação desloca parte da atenção do cais para a conexão terrestre. No caso de Westport, o planejamento ferroviário não aparece como uma obra complementar, mas como uma etapa associada à própria organização operacional do terminal, já que a nova instalação precisará se ligar à rede existente em Perth. A definição antecipada desses acessos permite tratar a transferência de cargas como uma operação integrada, e não como um movimento isolado dentro da área portuária.

Essa primeira conexão será desenhada para ligar o futuro terminal à rede ferroviária existente, estabelecendo a interface entre Kwinana e os demais pontos da malha de carga. O objetivo prático é criar condições para que os contêineres tenham uma alternativa ferroviária estruturada no deslocamento pelo território, em vez de depender exclusivamente das rotas rodoviárias. A solução de acesso, portanto, precisa ser planejada junto com os trechos que receberão obras de ampliação.

A antecipação também aparece no volume de trabalho previsto para a fase atual. Os governos da Austrália e da Austrália Ocidental destinaram A$ 67 milhões ao desenvolvimento dos planos de infraestrutura, que incluem designs de referência, investigações geotécnicas e ambientais e a obtenção de aprovações regulatórias. Esses estudos organizam as condições técnicas e administrativas necessárias para avançar com as melhorias ferroviárias, conectando o planejamento do terminal às exigências da rede que deverá atendê-lo.

Conexões e duplicações definem o traçado

Dentro desse escopo, a intervenção de maior extensão mencionada no planejamento é a duplicação de aproximadamente 8 quilômetros entre Kwinana e Cockburn, nas proximidades da Beeliar Drive. A obra amplia um trecho que fará parte do acesso ao futuro terminal e precisa ser coordenada com a conexão ferroviária nova. A definição desse segmento mostra que o programa não se limita ao ponto de chegada dos trens, mas alcança partes da malha que distribuirão o fluxo de carga pela região.

Além da ligação entre Kwinana e Cockburn, o projeto prevê a duplicação de um trecho curto em Kewdale. O escopo inclui ainda a eliminação de passagens de nível, medida que altera a relação entre a circulação ferroviária e o tráfego viário nos pontos de cruzamento. Entre as intervenções está a construção de uma nova ponte na North Lake Road, em South Lake, solução prevista para separar os fluxos e reorganizar a passagem da ferrovia pela área urbana.

Para transformar essas intervenções em um único desenho operacional, Arup e WSP atuarão em uma equipe integrada com a Main Roads WA e a Public Transport Authority. A Arup já participou de etapas anteriores do programa Westport, contribuindo para definir a localização, o layout e a estratégia de transição operacional do porto, além de revisar aspectos técnicos dos projetos rodoviário e ferroviário. A continuidade desse trabalho reúne decisões de traçado, circulação e transição dentro do mesmo processo de planejamento.

Integração reduz conflitos na rede urbana

A integração entre as equipes rodoviárias e ferroviárias trata de um problema específico de projetos intermodais: os conflitos entre a geometria da ferrovia e os níveis das estradas. O planejamento exige compatibilizar a implantação dos trilhos, as pontes e os cruzamentos com a configuração viária existente. Por essa razão, a equipe integrada foi estruturada para resolver questões técnicas entre os modais ainda durante o desenvolvimento do projeto, antes que elas apareçam na operação cotidiana.

Essa compatibilização será apoiada por modelagem detalhada de tráfego, usada para equilibrar o fluxo de cargas pesadas com a malha viária urbana existente. O trabalho também busca antecipar as necessidades de capacidade do sistema para o período em que o terminal Westport substituir o porto interno de Fremantle. A dimensão ferroviária, nesse caso, está diretamente ligada ao desempenho das vias urbanas que receberão ou cruzarão os movimentos de carga.

O próximo marco informado é a consulta pública sobre as mudanças propostas na rede ferroviária, prevista para começar no final de 2026. O portal oficial do programa disponibiliza canais para que a comunidade registre interesse em participar do processo consultivo sobre o design futuro da malha logística. Até essa etapa, o planejamento seguirá concentrado nos desenhos de referência, nas investigações técnicas e ambientais e nas aprovações regulatórias, enquanto a nova conexão, as duplicações e a eliminação de passagens de nível formam a base terrestre para a transição de Fremantle para Kwinana.