A Georgia Ports Authority (GPA) promoveu Susan Gardner, sua Vice-Presidente de Operações, ao cargo de Diretora de Informação (CIO). A decisão, anunciada oficialmente em 30 de julho de 2026, consolida a trajetória de uma profissional com mais de três décadas de experiência em operações portuárias e implantação de sistemas, agora à frente da estratégia tecnológica da autoridade que administra o porto de contêineres de crescimento mais rápido no sudeste dos Estados Unidos.
Uma carreira construída na interface entre operações e tecnologia
A ascensão de Gardner ao C-suite da GPA não é uma transição abrupta, mas a culminação lógica de uma carreira que sempre navegou entre o pátio do terminal e a sala de servidores. Antes de assumir o comando das operações diárias em Savannah, ela atuou como Vice-Presidente e Gerente Geral de Operações de Campo nas Américas na Kaleris/Navis, uma das principais fornecedoras de sistemas de operação de terminais (TOS) do mundo. Nessa função, Gardner supervisionava cerca de 20 implantações de software on-site por ano, atendendo uma base de mais de 100 portos e terminais. Essa experiência direta na implantação de sistemas em ambientes operacionais complexos fornece a ela uma compreensão granular dos desafios e gargalos que a tecnologia deve resolver no dia a dia portuário.
Quando ingressou na GPA em 2020 como Diretora Sênior de Operações e Projetos, Gardner já carregava esse diferencial técnico. Sua promoção subsequente para Vice-Presidente de Operações a colocou no comando do Porto de Savannah, onde gerenciava uma operação de escala continental: 40 navios e 42 trens de carga dupla por semana, além de 15.000 transações de caminhão por dia. No último ano fiscal, o terminal movimentou 5,67 milhões de TEUs, consolidando sua posição como o mais dinâmico do sudeste americano. Gardner também liderou o projeto de expansão do Ocean Terminal durante seu mandato como VP.
O perfil do CIO portuário moderno
A escolha de Gardner reflete uma tendência global na governança portuária: a valorização de líderes que compreendem a operação antes de digitalizá-la. Kevin Price, presidente da GPA, afirmou que a expertise de Gardner em operações de terminais, conhecimento de sistemas e liderança "nos levará ao próximo nível de desempenho para nossos clientes e usuários do porto". Essa declaração indica que a autoridade não busca apenas um gestor de TI, mas um arquiteto de integração entre processos físicos e digitais.
A própria Gardner parece alinhada a essa visão. Ao comentar a nomeação, ela declarou tratar-se de "uma oportunidade empolgante de encontrar novas formas de constantemente melhorar nossas operações", com a ambição de que os níveis de serviço da GPA sejam "os melhores do setor, entregando cadeias de suprimentos que fluam de forma mais suave e compitam de forma mais forte nos mercados mundiais". O foco em cadeias de suprimentos e competitividade global posiciona a tecnologia não como um fim em si mesma, mas como instrumento de vantagem logística.
Um plano de US$ 5 bilhões depende de integração tecnológica
A promoção de Gardner ocorre em um momento estratégico para a GPA. O plano estratégico da autoridade prevê um investimento de US$ 5 bilhões em infraestrutura na próxima década. Os projetos incluem a construção de cinco berços para navios de grande porte em Savannah e um quarto berço para cargas Ro-Ro (Roll-on/Roll-off) no Porto de Brunswick, a segunda instalação da GPA, que recebe mais de 700 escalas de navios por ano.
A magnitude desse investimento exige uma liderança tecnológica capaz de orquestrar sistemas de gerenciamento de pátio, plataformas de integração com armadores e operadores logísticos, e soluções de rastreamento em tempo real. A experiência prévia de Gardner na Kaleris/Navis, onde era responsável por implantar software em mais de 100 terminais, oferece exatamente esse perfil de gestão de projetos de larga escala. A aposta da GPA é que a convergência entre expertise operacional e visão tecnológica será o diferencial para transformar bilhões em concreto e aço em ganhos reais de eficiência e capacidade.
Um movimento alinhado à liderança marítima 4.0
A nomeação de Gardner se insere em um movimento mais amplo de profissionalização da liderança digital em autoridades portuárias ao redor do mundo. O perfil do executivo portuário do século XXI exige a combinação de três competências: profundo conhecimento das operações físicas do terminal, domínio de arquiteturas de software e dados, e visão estratégica de cadeia de suprimentos. Gardner, com sua trajetória que transita entre o chão do terminal e a implantação de sistemas em larga escala, encarna essa convergência.
Para o setor portuário global, a mensagem é clara: a transformação digital não será liderada por profissionais de tecnologia genéricos, mas por aqueles que entenderam primeiro como um navio atraca, um guindaste opera e um caminhão transita pelo porto — e só então como otimizar cada um desses passos com dados e automação. O caso da GPA serve como referência para outras autoridades portuárias que buscam preencher suas vagas de CIO com profissionais que possam traduzir investimentos bilionários em infraestrutura em ganhos operacionais mensuráveis.